Você já percebeu que geralmente você precisa errar em algo antes de conseguir acertar de verdade?

Georg Wilhelm Friedrich Hegel foi um pensador alemão que acreditava que o mundo inteiro é como uma pessoa crescendo. Ele argumentava que a história avança através do conflito e da resolução para alcançar um objetivo final de liberdade e entendimento totais.

Imagine que você está olhando para um canteiro de obras gigante e bagunçado. Há pilhas de terra, paredes inacabadas e trabalhadores gritando uns com os outros. Para um observador casual, parece um desastre.

Mas se você olhar as plantas, percebe que cada pedacinho de caos faz parte de um plano. Georg Wilhelm Friedrich Hegel olhou para o mundo e viu um canteiro de obras onde o prédio era a Humanidade em si.

Imagine isso
Um estudo aconchegante e bagunçado do século XIX cheio de livros e papéis.

Imagine Hegel sentado em sua escrivaninha em Berlim. A sala está cheia de montanhas de papéis e o cheiro de tinta velha. Lá fora da janela, a cidade está zumbindo com o som de cavalos e novas fábricas. Ele está tentando escrever um plano para todo o universo enquanto o mundo muda bem na porta dele.

Hegel viveu na Alemanha em uma época de grandes mudanças. Ele nasceu em 1770, bem quando as velhas formas de reis e rainhas estavam começando a desmoronar. Ele viu revoluções, guerras e novas invenções mudando o modo como as pessoas viviam todos os dias.

A maioria das pessoas via esses eventos como acidentes aleatórios ou tragédias assustadoras. Hegel os via de forma diferente. Ele acreditava que tudo o que acontecia na história fazia parte de uma mente gigante e invisível tentando entender a si mesma.

Finn

Finn says:

"Se a história é como uma pessoa crescendo, isso significa que o mundo já foi um bebê? Eu me pergunto se houve 'terrible twos' (os dois anos terríveis) para o planeta inteiro!"

A Receita para o Crescimento

A ideia mais famosa de Hegel é algo frequentemente chamado de dialética. Pense nisso como uma conversa entre duas pessoas que discordam, mas que acabam chegando a uma ideia melhor juntas.

Hegel notou que as ideias humanas não se movem em linha reta. Em vez disso, elas quicam para frente e para trás como uma bola de tênis. Ele acreditava que para cada ideia, eventualmente surge uma ideia oposta que luta contra ela.

G.W.F. Hegel

A coruja de Minerva só espalha suas asas com a queda do crepúsculo.

G.W.F. Hegel

Minerva era a deusa romana da sabedoria, e seu símbolo era a coruja. Hegel queria dizer que só entendemos verdadeiramente um evento depois que ele termina, assim como uma coruja voa quando o dia acabou.

Para entender isso, muitas pessoas usam três palavras específicas para explicar a receita de Hegel. Primeiro, você tem uma tese, que é apenas uma ideia inicial. Então, alguém percebe um problema com essa ideia e cria uma antítese, ou a visão oposta.

Finalmente, as duas ideias colidem e se fundem em uma síntese. Essa síntese é uma ideia nova e melhor que mantém as partes boas das duas primeiras, mas deixa os erros para trás. É como dar um passo para cima em uma escada.

Tente isso

Na próxima vez que você e um amigo discordarem sobre algo pequeno, como o melhor sabor de sorvete, tentem encontrar uma 'síntese'. 1. Pessoa A dá sua ideia (Tese: Chocolate é o melhor porque é rico). 2. Pessoa B dá o oposto (Antítese: Hortelã é o melhor porque é refrescante). 3. Trabalhem juntos para encontrar uma terceira ideia (Síntese: Sorvete de menta com pedaços de chocolate combina com os dois!) Vocês conseguem aplicar isso a problemas maiores, como dividir um parquinho?

Esse processo acontece em todos os lugares. Pense em como você aprende um novo esporte ou um instrumento musical. Você começa de um jeito, percebe que não funciona, tenta o oposto exato e, finalmente, encontra um meio-termo que funciona melhor.

Para Hegel, isso não era apenas sobre crianças aprendendo a jogar futebol. Ele achava que era assim que países inteiros e civilizações aprendiam a ser justas e corretas. Toda guerra ou discussão era apenas uma parte dolorosa do processo de aprendizado do mundo.

O Espelho das Outras Pessoas

Hegel também se perguntou como sabemos quem somos. Você acha que saberia que é 'corajoso' ou 'engraçado' se vivesse sozinho em uma ilha deserta? Hegel não achava que sim.

Ele argumentou que precisamos que outras pessoas ajam como espelhos para nós. Só entendemos a nós mesmos quando vemos como os outros reagem a nós. Isso é chamado de reconhecimento, e Hegel achava que era uma das coisas mais importantes do mundo.

Mira

Mira says:

"Acho que entendi a ideia do espelho. Quando eu faço um desenho e mostro para minha mãe, o rosto dela me diz se é engraçado ou triste antes mesmo de eu dizer qualquer coisa. Eu preciso que ela veja para saber se eu consegui."

Ele contou uma história famosa sobre duas pessoas se encontrando pela primeira vez. No início, ambas querem ser as chefes da outra. Uma se torna o mestre e a outra se torna o servo.

Mas aqui está a reviravolta: Hegel disse que o servo, na verdade, aprende mais! Ao trabalhar e transformar o mundo com as mãos, o servo percebe que tem poder. O mestre se torna preguiçoso e passa a depender do servo, perdendo sua própria independência.

Você sabia?
Um grupo de estudantes ouvindo atentamente uma palestra.

Hegel era tão famoso em sua época que estudantes viajavam de toda a Europa apenas para ouvi-lo falar. No entanto, ele nem sempre era um ótimo palestrante. Ele tossia com frequência, limpava a garganta e folheava suas anotações constantemente enquanto falava. As pessoas ouviam mesmo assim porque suas ideias eram enormes.

O Grande Espírito do Mundo

Hegel usou uma palavra muito especial para descrever a força por trás de tudo isso: Geist. Em alemão, essa palavra pode significar tanto 'espírito' quanto 'mente'.

Ele não quis dizer um fantasma em uma casa mal-assombrada. Ele quis dizer uma 'mente compartilhada' da qual todos os humanos fazem parte. Pense nisso como o jeito que uma colmeia tem uma 'mente' própria que é maior do que qualquer abelha individual.

G.W.F. Hegel

Nada de grande no mundo jamais foi realizado sem paixão.

G.W.F. Hegel

Hegel acreditava que, embora a história tenha um plano lógico, ela precisa do fogo e da energia dos sentimentos humanos para avançar.

Cada vez que escrevemos um livro, construímos uma cidade ou criamos uma lei, Geist está crescendo. Hegel acreditava que Geist começou 'adormecido' e está lentamente acordando através da história humana. Quanto mais aprendemos sobre ciência e liberdade, mais 'acordado' o mundo fica.

Isso faz a história parecer uma história com um final feliz. Hegel acreditava que o objetivo de toda essa luta era o Conhecimento Absoluto. Este é um estado onde os humanos finalmente entendem tudo e são completamente livres.

Dois lados
Hegel acreditava

A história tem um objetivo lógico. Cada coisa ruim que acontece é um passo necessário em direção a um mundo mais livre e racional.

Críticos acreditam

A história é apenas uma série de acidentes. Não há um 'plano' ou um 'espírito' nos guiando, e temos que criar nosso próprio significado a partir do caos.

Vendo a História em Ação

Quando Hegel era um jovem professor, ele viu o famoso líder francês Napoleão Bonaparte montado a cavalo em sua cidade. Muitas pessoas estavam apavoradas com Napoleão porque ele era um conquistador que trazia guerra.

Mas Hegel estava animado! Ele chamou Napoleão de 'a Alma do Mundo a cavalo'. Ele achava que Napoleão era uma ferramenta da história, quebrando velhos sistemas empoeirados para abrir espaço para novas leis melhores.

Através das Eras

1770 - 1831
Hegel vive a Revolução Francesa e as Guerras Napoleônicas, formando suas ideias sobre como o conflito impulsiona a história.
Meados de 1800
Karl Marx usa a 'dialética' de Hegel para criar suas próprias teorias sobre dinheiro e trabalhadores, mudando a política mundial para sempre.
Início de 1900
Existencialistas como Kierkegaard e Sartre argumentam contra Hegel, dizendo que a escolha individual é mais importante que o 'Espírito da História.'
Hoje
Historiadores e políticos ainda debatem se o mundo está 'progredindo' em direção a um objetivo ou apenas mudando aleatoriamente.

Mesmo que os eventos fossem violentos ou confusos, Hegel procurava a 'razão' por trás deles. Ele acreditava que a razão é a governante do mundo. Mesmo quando as coisas parecem totalmente malucas, há uma lógica escondida por baixo.

Essa ideia influenciou quase todos os grandes pensadores que vieram depois dele. Algumas pessoas amaram suas ideias, e outras as odiaram. Mas todos tiveram que lidar com elas porque Hegel fez a história parecer que realmente importava.

Finn

Finn says:

"Se a história tem um plano, espero que o próximo passo inclua menos lição de casa e mais jetpacks. Isso parece progresso para mim!"

Por Que Hegel é Difícil de Ler

Se você tentar ler um dos livros reais de Hegel, pode acabar com dor de cabeça. Ele escrevia em frases muito longas e complicadas. Ele gostava de criar palavras novas e usar palavras antigas de maneiras estranhas.

Hegel fazia isso porque acreditava que a linguagem simples não conseguia capturar o quão complexo o mundo é. Ele achava que se o mundo está sempre em movimento e mudança, nossas palavras também precisam se mover e mudar.

G.W.F. Hegel

A história do mundo não é outra senão o progresso da consciência da liberdade.

G.W.F. Hegel

Esta foi a conclusão final de Hegel: a história é o processo lento de os humanos perceberem que são livres e aprenderem a viver juntos de forma responsável.

Alguns filósofos que vieram depois dele, como Søren Kierkegaard, achavam que Hegel estava muito focado no panorama geral. Eles argumentavam que ele esquecia a pessoa individual e seus sentimentos. Diziam que Hegel era como um homem que construiu um palácio gigante, mas morava em um casebre ao lado.

Ainda assim, a ideia de Hegel de que estamos todos conectados através do tempo permanece forte. Ele nos ensina que nossos problemas atuais não são o fim da história. Eles são apenas a 'antítese' que eventualmente nos levará a uma 'síntese' melhor.

Imagine isso
Um longo rio serpenteando pela história em direção a um futuro brilhante.

Pense na história como um rio enorme. Às vezes, ele atinge uma rocha e espirra para todos os lados (um conflito). Às vezes, parece voltar para trás em um loop. Mas a gravidade está sempre o puxando para o mar. Para Hegel, essa 'gravidade' é o Espírito nos movendo em direção à liberdade.

Somos todos parte de uma longa corrente de pessoas tentando descobrir as coisas. Quando você discorda de um amigo ou encontra um erro no seu próprio pensamento, você está participando da grande dança da história. Você está ajudando o mundo a acordar.

Algo para Pensar

Se você pudesse ver o mundo de 500 anos no futuro, como seria para você o 'canteiro de obras bagunçado' de hoje?

Não há resposta certa para isto. Hegel pensava que só podíamos entender o passado, mas também achava que estávamos sempre avançando. O que você acha que estamos construindo agora?

Perguntas sobre Filosofia

Hegel achava que a história alguma vez terminaria?
Sim, Hegel acreditava que a história atingiria um 'fim' quando os humanos alcançassem um estado perfeito de liberdade e autoconhecimento. Ele não queria dizer que o tempo pararia, mas que a grande 'história' do desenvolvimento humano estaria completa.
O que é a 'Dialética do Senhor e do Escravo'?
É um experimento mental que Hegel usou para mostrar que precisamos do reconhecimento de outras pessoas para nos sentirmos reais. Também mostra que quem trabalha (o servo) muitas vezes ganha mais sabedoria e poder com o tempo do que quem apenas dá ordens (o senhor).
O Geist de Hegel é o mesmo que Deus?
As ideias de Hegel sobre Geist são muito próximas de algumas ideias de Deus, mas para ele, Geist é algo que vive através dos humanos e da história, em vez de ser algo totalmente separado do mundo.

A História em Desdobramento

Hegel nos lembra que, mesmo quando o mundo parece confuso ou quebrado, podemos estar bem no meio de um capítulo muito longo. Cada discussão que temos e cada erro que cometemos é uma chance de encontrar uma 'síntese' melhor. Ao olhar para o panorama geral, podemos encontrar coragem para continuar participando da grande e desdobrável história de nós.