Se você pudesse fazer tudo o que quisesse, agora mesmo, você seria realmente feliz?
Nas ruas enevoadas e movimentadas da Londres do século 19, um homem chamado John Stuart Mill passou a vida pensando sobre a liberdade e a melhor forma de organizar uma sociedade justa. Ele acreditava que cada pessoa é um indivíduo com o direito de escolher seu próprio caminho, contanto que não machuque mais ninguém no processo.
Imagine um menino sentado em uma sala cheia de livros empoeirados. É 1809, e enquanto outras crianças de três anos estão brincando com blocos de madeira, este menino está aprendendo grego antigo. Quando ele tem oito anos, já leu livros de história que fariam um estudante universitário suar frio.
Essa foi a infância de John Stuart Mill. Seu pai, James Mill, queria criar uma 'máquina de gênios'. Ele acreditava que, se despejasse conhecimento suficiente na cabeça de uma criança, ela cresceria para resolver todos os problemas do mundo.
Mill nunca frequentou uma universidade! Seu pai achava que ele poderia ensinar a John tudo o que precisava em casa. Aos 14 anos, John já havia completado o equivalente a uma formação universitária completa.
O jovem John não frequentava a escola nem brincava com outras crianças. Em vez disso, seus dias eram gastos em um mundo de lógica, matemática e debate. Ele foi um sucesso espetacular aos olhos do pai, mas, por dentro, faltava algo.
Ele se tornou mestre no empirismo, a ideia de que todo conhecimento vem daquilo que podemos ver e medir. Mas, à medida que envelhecia, percebeu que os seres humanos são mais do que apenas calculadoras ambulantes. Temos sentimentos, sonhos e uma necessidade de algo chamado maravilhamento.
Finn says:
"Se Mill estudava grego aos três anos, será que ele tinha tempo para um lanche ou para brincar de pega-pega? Eu me pergunto se ser tão inteligente te faz sentir solitário."
O Cálculo da Felicidade
Quando Mill era jovem, ele seguia um conjunto de ideias chamado utilitarismo. Essa era uma filosofia iniciada pelo amigo de seu pai, Jeremy Bentham. Bentham tinha uma regra muito simples: a melhor coisa a fazer é aquilo que traz a 'maior felicidade para o maior número de pessoas.'
Para Bentham, a felicidade era como uma pontuação em um jogo. Se uma ação lhe dava dez 'pontos de felicidade' e apenas dois 'pontos de tristeza', era uma boa ação. Não importava se a felicidade vinha de comer um sanduíche ou de compor uma sinfonia.
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É melhor ser um ser humano insatisfeito do que um porco satisfeito; melhor ser Sócrates insatisfeito do que um tolo satisfeito.
Mill eventualmente discordou de seu professor sobre este ponto. Ele acreditava que alguns tipos de felicidade são mais valiosos do que outros. Ele os chamou de 'prazeres superiores.'
Pense na diferença entre a sensação de comer um saco gigante de doces e a sensação de finalmente aprender a andar de bicicleta. O doce é ótimo por um momento, mas andar de bicicleta fica com você. Mill argumentava que devemos almejar o tipo de felicidade que nos ajuda a crescer como pessoas.
O Jogo dos Pontos Felizes: Imagine que você tem 10 'Pontos Felizes' para distribuir. Em qual você os gastaria: A) Assistir a um desenho animado de 30 minutos, ou B) Passar duas horas praticando uma peça de piano difícil até finalmente acertá-la? Mill argumentaria que B é um prazer 'superior'. Você concorda?
A Crise e a Cura
Aos vinte anos, Mill teve o que poderíamos chamar de 'crise mental.' Ele percebeu que, mesmo que todos os seus objetivos fossem alcançados, ele ainda não estaria verdadeiramente feliz. Ele se sentia como um recipiente seco e vazio de fatos.
Ele encontrou sua cura em um lugar inesperado: a poesia. Ler os poemas de William Wordsworth o ajudou a descobrir suas próprias emoções. Ele percebeu que, para uma sociedade ser verdadeiramente grandiosa, ela precisava se importar com a vida interior de seus cidadãos, e não apenas com suas necessidades físicas.
Mira says:
"É interessante que a poesia o 'curou'. É como se o cérebro dele fosse uma biblioteca que finalmente abriu uma janela para deixar o ar fresco entrar."
Essa mudança em seu pensamento o levou às suas ideias mais famosas. Ele começou a se perguntar: quanto poder um governo, ou mesmo um grupo de vizinhos, deve ter sobre o que uma pessoa pensa ou faz?
Ele decidiu que a única maneira de os humanos realmente prosperarem era tendo liberdade. Isso significa a liberdade de ser você mesmo, de tentar coisas novas e de expressar seus próprios 'experimentos de vida' únicos.
O Princípio do Dano
Se todos são livres para fazer o que quiserem, as coisas não ficarão caóticas? Mill tinha uma resposta muito clara para isso, que hoje chamamos de princípio do dano. É uma das regras mais importantes na história da lei.
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O único propósito para o qual o poder pode ser legitimamente exercido sobre qualquer membro de uma comunidade civilizada, contra sua vontade, é evitar danos a outros.
Em outras palavras, você tem o direito de balançar os braços o quanto quiser, mas sua liberdade termina onde começa o nariz de outra pessoa. Você é o chefe do seu próprio corpo e mente, mas não é o chefe da mente de ninguém além da sua.
O governo deve criar regras para manter as pessoas saudáveis, como proibir refrigerantes ou obrigar todos a se exercitar.
Os indivíduos devem ser livres para cometer seus próprios erros, mesmo que esses erros sejam ruins para sua saúde, desde que não machuquem os outros.
Mill argumentava que essa regra se aplica a mais do que apenas agressões físicas. Aplica-se às nossas ideias também. Ele acreditava que a 'tirania da maioria' era um perigo enorme. Isso acontece quando um grande grupo de pessoas tenta forçar um grupo menor a agir ou pensar exatamente como eles.
Ele pensava que, mesmo que uma pessoa tivesse uma opinião com a qual todos os outros discordassem, essa pessoa ainda deveria ter permissão para falar. Por quê? Porque ela poderia estar certa. E mesmo que estivesse errada, ouvir suas ideias nos faz pensar mais profundamente sobre por que acreditamos no que acreditamos.
Finn says:
"Espera, então, se eu quiser ir ao supermercado de pijama, e isso não machucar ninguém, Mill diria que eu deveria poder fazer isso?"
Uma Parceria de Iguais
Uma das pessoas mais importantes na vida de Mill foi uma mulher chamada Harriet Taylor. Em uma época em que a maioria dos homens pensava que as mulheres não deveriam ter voz na política, Mill e Harriet eram parceiros intelectuais.
Eles trabalharam juntos em livros que defendiam o sufrágio, que é o direito de votar. Mill acreditava que uma sociedade que impedia metade de seu povo (as mulheres) de contribuir era como uma pessoa tentando correr uma corrida com uma perna amarrada atrás das costas.
Imagine um mundo onde apenas pessoas com olhos azuis são autorizadas a votar ou a escolher seus empregos. Todos os outros têm que fazer o que as pessoas de olhos azuis dizem. É assim que Mill se sentia sobre a forma como as mulheres eram tratadas em 1800. Ele achava que era um erro gigantesco e um desperdício de talento humano para a sociedade.
Ele foi uma das primeiras pessoas no Parlamento Britânico a exigir oficialmente que as mulheres recebessem os mesmos direitos que os homens. Ele via isso não apenas como uma questão de bondade, mas como uma questão de justiça. Se cada indivíduo é 'soberano' sobre si mesmo, isso deve incluir as mulheres também.
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Sobre si mesmo, sobre seu próprio corpo e mente, o indivíduo é soberano.
Experimentos de Vida
Mill não queria que todos fossem iguais. Ele adorava a ideia de as pessoas serem 'excêntricas' ou incomuns. Ele achava que um mundo onde todos seguissem as mesmas regras e usassem as mesmas roupas seria incrivelmente chato e preso no passado.
Ele chamou essas diferentes formas de vida de 'experimentos de vida.' Assim como um cientista tenta coisas diferentes em um laboratório para ver o que funciona, Mill achava que os humanos deveriam tentar diferentes maneiras de ser felizes. É assim que a sociedade avança.
Através das Eras: A Ideia de Liberdade
Hoje, vemos as impressões digitais de Mill em todos os lugares. Toda vez que você ouve alguém falar sobre 'liberdade de expressão' ou 'direitos humanos', eles estão usando as ferramentas que Mill ajudou a construir. Ele nos ensinou que uma sociedade saudável não é aquela em que todos concordam, mas aquela em que todos são livres para discordar.
Mill foi de fato preso quando tinha 17 anos! Ele não era um criminoso, no entanto. Ele estava distribuindo panfletos que explicavam como as famílias pobres poderiam ter menos filhos para não sofrerem tanto. Mesmo naquela época, ele estava tentando usar suas ideias para ajudar as pessoas.
A vida de Mill foi uma jornada de ser uma 'máquina de gênios' para ser uma pessoa que valorizava a poesia, o amor e a liberdade confusa e bela de ser humano. Ele nos mostrou que, embora a lógica seja importante, é a liberdade de escolher nosso próprio caminho que torna a vida digna de ser vivida.
Algo para Pensar
Se você fosse a única pessoa no mundo a acreditar que algo é verdade, você ainda teria o direito de dizer isso?
Mill acreditava que sua voz seria a mais importante de se ouvir. Não há um 'sim' ou 'não' simples aqui, mas pensar sobre isso nos ajuda a entender o que significa ser verdadeiramente livre.
Perguntas sobre Filosofia
John Stuart Mill acreditava em regras?
Por que ele se importava tanto com os direitos das mulheres?
O que é 'Utilitarismo' em termos simples?
O Guardião do Indivíduo
John Stuart Mill nos lembra que ser um indivíduo é uma grande responsabilidade. Significa que temos o direito de escolher quem queremos ser, mas também significa que devemos respeitar o direito de todos os outros fazerem o mesmo. Ao longo do seu dia, procure por 'experimentos de vida' ao seu redor. Você pode descobrir que o mundo é muito mais interessante quando todos têm permissão para ser um pouco diferentes.