Você já se perguntou por que alguns argumentos fazem todo o sentido, enquanto outros parecem uma pilha de meias descasadas?

Nós usamos um conjunto secreto de regras chamado lógica para organizar o mundo. É a ferramenta que nos ajuda a decidir o que é verdade, o que é possível e o que é pura bobeira.

Imagine que você está em um jardim ensolarado na Grécia Antiga, há mais de dois mil anos. Você não está lá apenas para olhar as oliveiras: você está lá para aprender a usar seu cérebro como um instrumento de precisão.

Ao seu redor, as pessoas discutem sobre tudo, desde as estrelas até o significado da justiça. Mas um homem, um professor chamado Aristóteles, notou algo peculiar nessas discussões. Ele percebeu que, embora os assuntos mudassem, os padrões de pensamento permaneciam os mesmos.

Imagine isso
Estudantes da Grécia Antiga caminhando e conversando em um jardim ensolarado.

Imagine uma escola chamada Liceu. Não é um prédio com carteiras, mas um bosque de árvores. Aristóteles e seus alunos caminham em círculos, conversando alto sobre a lua. Eles acreditam que caminhar ajuda o cérebro a seguir o 'caminho' de uma ideia.

Aristóteles não queria saber apenas o que as pessoas estavam pensando. Ele queria entender como elas estavam pensando. Ele começou a escrever as regras para essa ginástica mental, criando o primeiro sistema formal de lógica.

Ele acreditava que, se pudéssemos dominar essas regras, evitaríamos ser enganados por pessoas que falam bonito, mas sem sentido. Poderíamos construir ideias tão sólidas quanto templos de pedra.

Spock (inspirado por Aristóteles)

A lógica é o princípio da sabedoria, não o fim.

Spock (inspirado por Aristóteles)

Embora dita por um personagem de ficção, isso reflete a ideia grega de que a lógica é a ferramenta que usamos para começar a explorar a verdade, mas também precisamos de experiência e sentimentos para entender a história completa.

Os Blocos de Construção de um Pensamento

Para entender a lógica, temos que olhar para as peças que formam uma ideia. Pense em um argumento lógico como uma pequena construção. Ele precisa de um alicerce sólido e paredes que se encaixem perfeitamente.

Na lógica, chamamos o alicerce de premissa. Uma premissa é uma afirmação que assumimos ser verdadeira, como "Todos os cães têm quatro patas" ou "Está chovendo lá fora".

Finn

Finn says:

"Então, se o alicerce de um prédio está instável, a casa inteira cai. Isso significa que, se a minha ideia inicial estiver errada, tudo o que eu pensar depois também estará errado?"

A maioria dos argumentos precisa de pelo menos duas premissas para começar. Depois de ter suas premissas, você segue em direção à conclusão. A conclusão é a linha de chegada do seu pensamento: é aquilo que você está tentando provar.

A maneira favorita de Aristóteles de mostrar isso era uma dança de três passos chamada silogismo. Parece uma conta de matemática simples, mas usa palavras em vez de números.

  1. Premissa A: Todos os humanos são mortais (eles não vivem para sempre).
  2. Premissa B: Sócrates é um humano.
  3. Conclusão: Logo, Sócrates é mortal.

Tente isso

Você consegue construir seu próprio silogismo? Preencha os espaços: 1. Todos os [Grupo de coisas] são [Característica]. 2. [Coisa específica] é um [Grupo de coisas]. 3. Logo, [Coisa específica] é [Característica]. Exemplo: Todas as frutas têm sementes. Uma maçã é uma fruta. Logo, uma maçã tem sementes.

Verdade vs. Validade: O Grande Enigma

Aqui é onde a lógica fica um pouco estranha e muito mais interessante. Na lógica, um argumento pode ser "perfeitamente construído", mesmo que esteja completamente errado sobre o mundo.

Chamamos essa "construção perfeita" de um argumento de validade. Se a conclusão segue naturalmente das premissas, o argumento é válido. Não importa se as premissas são verdadeiras ou não.

Dois lados
Validade

A lógica é válida porque segue perfeitamente a regra do 'Se A, então B'. A estrutura é forte.

Verdade

O argumento é falso porque os fatos estão errados. Você não pode chegar a um lugar verdadeiro começando em uma terra de faz de conta.

Imagine que eu diga: "Todos os gatos são feitos de queijo. Mimi é um gato. Logo, Mimi é feita de queijo".

Logicamente, este é um argumento perfeito! A parte do "se/então" funciona exatamente como deveria. No entanto, como o ponto de partida é falso, a coisa toda é o que os lógicos chamam de "sem solidez".

Mira

Mira says:

"É como um videogame! O jogo tem regras que sempre funcionam, mas você ainda pode usar essas regras para fazer algo totalmente impossível na vida real."

Precisamos de solidez e validade para encontrar a verdade. Solidez significa que o argumento foi construído corretamente e que os fatos de onde você partiu são realmente verdadeiros. Descobrir onde um argumento falha é o primeiro passo para se tornar um grande pensador.

Explorando o Oriente: O Caminho Nyaya

Enquanto Aristóteles caminhava por Atenas, pensadores na Índia estavam desenvolvendo seu próprio sistema incrível de lógica chamado Nyaya. Eles eram tão obcecados pela verdade quanto os gregos, mas olhavam para ela através de uma lente diferente.

Na tradição Nyaya, a lógica não era apenas sobre palavras em uma página. Era sobre como percebemos o mundo com nossos olhos, ouvidos e memórias.

Você sabia?
Dois estudiosos com roupas tradicionais indianas conversando animadamente em um belo pátio.

Na Índia Antiga, a lógica era frequentemente usada em grandes debates públicos. O vencedor não ganhava apenas o direito de se gabar: às vezes ele ganhava uma escola inteira ou se tornava conselheiro de um rei!

Eles desenvolveram um processo de cinco passos para provar algo. Em vez de apenas três passos, eles incluíam um exemplo para garantir que a ideia estivesse fundamentada na vida real.

Se quisessem provar que havia fogo em uma montanha distante, eles apontariam para a fumaça. Eles então lembrariam você de um fogão a lenha onde você já viu fumaça e fogo juntos antes. Isso fazia com que a lógica deles parecesse muito prática e conectada ao mundo ao redor.

Lewis Carroll

A regra é: geleia amanhã e geleia ontem — mas nunca geleia hoje.

Lewis Carroll

Carroll era um lógico profissional chamado Charles Dodgson. Ele adorava usar a lógica 'quebrada' em Alice no País das Maravilhas para mostrar como o mundo seria confuso se nossas regras não fizessem sentido.

Dedutivo vs. Indutivo: Duas Maneiras de Viajar

Existem duas maneiras principais pelas quais nossos cérebros viajam de uma premissa para uma conclusão. A primeira é o raciocínio dedutivo, que é como uma rua de mão única que leva a uma resposta certa.

Se as regras são seguidas na dedução, a resposta deve ser verdadeira. Se você sabe que todos os pássaros têm penas e você está segurando um pássaro, pode ter 100% de certeza de que ele tem penas. Não há espaço para dúvidas.

Você sabia?

Sherlock Holmes é famoso por sua 'dedução', mas na verdade ele usa a 'indução' na maioria das vezes! Ele observa pistas como lama em um sapato e faz um palpite muito provável sobre onde alguém esteve.

Mas a vida nem sempre é tão certeira, e é por isso que temos o raciocínio indutivo. Isso é mais como ser um detetive. Você coleta pistas e faz um palpite muito bom sobre o que é provável que aconteça.

Se você vê o sol nascer no leste todas as manhãs durante dez anos, você usa a indução para presumir que ele nascerá no leste amanhã. Você não pode ter 100% de certeza (o universo é um lugar selvagem!), mas é uma aposta muito segura.

A Armadilha da Falácia

Às vezes, as pessoas usam argumentos que parecem lógicos, mas são ocos por dentro. Eles são chamados de falácia. Uma falácia é um erro de raciocínio, como uma ponte que parece forte, mas é feita de papelão.

Uma falácia comum é o "Ad Hominem", que é uma forma chique em latim de dizer "atacar a pessoa". Isso acontece quando alguém não consegue encontrar uma falha na sua ideia e, em vez disso, zomba dos seus sapatos ou do seu corte de cabelo.

Finn

Finn says:

"Espera, eu vejo falácias o tempo todo em comerciais! Eles tentam me fazer pensar que, se eu comprar aquele tênis, vou de repente conseguir fazer cestas como um profissional."

Outra é a "Ladeira Escorregadia". É quando alguém afirma que, se você fizer uma pequena coisa, um desastre gigante definitivamente acontecerá. "Se você não arrumar seu quarto hoje, você nunca entrará na faculdade e acabará morando em uma caverna!"

A lógica nos ajuda a identificar essas armadilhas. Quando reconhecemos uma falácia, podemos parar o argumento e dizer: "Espere um pouco, isso na verdade não faz sentido".

Através das Eras: A Jornada da Lógica

350 a.C.
Aristóteles escreve o 'Organon' na Grécia, estabelecendo as primeiras regras para silogismos e pensamento formal.
200 d.C.
Gautama Akshapada organiza os Nyaya Sutras na Índia, focando em como obtemos conhecimento real através dos nossos sentidos.
Anos 1200
Estudiosos medievais como Tomás de Aquino usam a lógica para tentar provar grandes questões sobre o universo e seu criador.
1854
George Boole publica 'As Leis do Pensamento', transformando a lógica em uma linguagem matemática que acabaria construindo os computadores.
Anos 1930
Kurt Gödel prova que existem algumas coisas que são verdadeiras, mas que nunca podem ser provadas apenas pela lógica, abalando o mundo da matemática.

Lógica na Era das Máquinas

Nos anos 1800, um matemático chamado George Boole teve uma ideia radical. Ele se perguntou: e se tratássemos a lógica exatamente como a matemática? Ele transformou "Verdadeiro" e "Falso" em 1s e 0s.

Isso pode parecer monótono, mas mudou tudo. Cada smartphone, computador e console de videogame no mundo hoje funciona com a lógica booleana.

Bertrand Russell

Tudo é vago até certo ponto, e você não percebe isso até tentar tornar tudo preciso.

Bertrand Russell

Russell passou anos tentando tornar a lógica perfeitamente clara, apenas para perceber que quanto mais olhamos para nossos pensamentos, mais complicados e 'nebulosos' eles realmente se tornam.

Quando um computador decide se deve mostrar um pixel na tela, ele está usando as mesmas regras de "se/então" que Aristóteles discutia no jardim. A lógica saltou de nossas cabeças para os nossos bolsos.

Mais tarde, pensadores como Bertrand Russell tentaram usar a lógica para explicar os próprios fundamentos do universo. Eles descobriram que até a lógica tem seus limites, levando a enigmas estranhos chamados de paradoxo.

Um paradoxo é uma afirmação que parece contradizer a si mesma, como dizer: "Esta frase é uma mentira". Se for verdade, é uma mentira. Se for uma mentira, é verdade! Esses laços nos mostram que, embora a lógica seja poderosa, o mundo ainda guarda muitos mistérios que a lógica não consegue capturar totalmente.

Algo para Pensar

Se um robô fosse programado para ser perfeitamente lógico, você acha que ele conseguiria entender uma piada ou um poema?

Não existe resposta certa ou errada aqui. Algumas pessoas acham que a lógica é o fundamento de tudo, enquanto outras acham que as partes mais importantes de ser humano são aquelas que não seguem regra nenhuma.

Perguntas sobre Filosofia

Por que a lógica é chamada de uma ciência 'formal'?
Ela é 'formal' porque estuda a forma ou o desenho de um argumento, em vez de focar apenas no assunto. Assim como uma fôrma de bolo permanece a mesma, quer você coloque massa de chocolate ou de baunilha, as formas lógicas permanecem as mesmas, independentemente do tópico.
Ser lógico é o mesmo que estar certo?
Não exatamente. Você pode ser lógico e ainda assim estar errado se a sua informação inicial estiver incorreta. A lógica é apenas o caminho que você faz de um ponto inicial a um ponto final: ela não consegue consertar um ponto de partida ruim.
A lógica pode me ajudar a ganhar discussões com meus pais?
Ela pode ajudar você a deixar seus pontos mais claros e a ver onde um argumento está falhando. No entanto, a lógica é apenas uma parte de conversar com as pessoas: você também precisa de empatia e de saber o momento certo de falar!

A Aventura da Mente

A lógica não é apenas um conjunto de regras empoeiradas de muito tempo atrás: é um superpoder que você carrega consigo todos os dias. Ela permite que você descasque as camadas de uma história complicada e veja o que realmente está acontecendo por dentro. Ao longo do seu dia, fique de olho nos momentos de "se/então". Você pode descobrir que o mundo é muito mais estruturado, e muito mais misterioso, do que você jamais imaginou.