Você já olhou para uma estrela, ou para uma joaninha, ou até mesmo para uma pedrinha, e sentiu que de alguma forma estava conectado a ela?

Há cerca de 1.700 anos, um grupo de pensadores chamados Neoplatonistas começou a se perguntar se o universo inteiro era como uma fonte gigante. Eles seguiram as ideias de um filósofo chamado Plotino, que acreditava que tudo o que existe vem de uma única e mágica fonte.

Imagine que você está no meio de uma cidade movimentada no ano 250 d.C. Você pode estar em Roma, ou talvez na ensolarada cidade de Alexandria, no Egito. As ruas estão cheias do cheiro de grão-de-bico torrado e do som das rodas de carroças de madeira clicando sobre as pedras.

Em uma casa silenciosa, longe do barulho, um professor está sentado com seus alunos. Ele não parece um político romano típico com uma toga chique. Ele parece alguém que tem pensado muito por muito tempo. Este é Plotino, o homem que iniciaria um modo de pensar que hoje chamamos de Neoplatonismo.

Você sabia?
Um artista desenhando Plotino secretamente por trás de um pilar.

Plotino era tão modesto que se recusava a deixar que alguém pintasse seu retrato! Ele dizia aos amigos que seu corpo era apenas uma 'sombra de uma sombra' e não valia a pena ser lembrado. Um aluno teve que levar um artista sorrateiramente para suas palestras para esboçá-lo em segredo.

Plotino adorava as ideias de Platão, um filósofo famoso que viveu centenas de anos antes dele. Mas Plotino não queria apenas copiar o dever de casa de Platão. Ele queria pegar as ideias de Platão e esticá-las até que cobrissem o universo inteiro.

Ele começou com uma pergunta que parece simples, mas é muito profunda: de onde tudo vem? Não apenas de onde vêm as árvores, mas de onde vem a ideia de uma árvore?

Finn

Finn says:

"Então, se tudo vem de uma fonte, isso significa que sou parente de um pedaço de queijo? Ou de uma supernova?"

A Fonte de Tudo

Para explicar sua grande ideia, Plotino usou a metáfora de uma fonte. Imagine uma fonte que nunca fica sem água. A água no topo, onde ela borbulha pela primeira vez, é pura e poderosa.

À medida que a água escorre pela borda, ela cria diferentes níveis de piscinas. Quanto mais longe a água viaja do centro, mais ela se espalha e muda. Esse processo é o que os Neoplatonistas chamavam de Emanação.

Imagine isso
Raios de luz de um sol se transformando nas formas do mundo.

Imagine um sol gigante e brilhante no meio de um cômodo escuro. A luz é mais intensa bem ao lado do sol. À medida que os raios se estendem mais longe, a luz se transforma em um brilho suave, depois em um crepúsculo fraco, até finalmente desaparecer nas sombras nos cantos mais distantes do cômodo. No Neoplatonismo, nós somos os raios de luz.

No topo dessa fonte cósmica está algo que Plotino chamou de O Uno. Ele não chamou de 'Deus' da maneira que a maioria das pessoas fazia naquela época, e não achava que fosse uma pessoa com rosto ou nome.

Para Plotino, O Uno era tão grande e tão perfeito que nem conseguimos descrevê-lo com palavras. Se você diz que O Uno é 'bom', você o está limitando, porque é muito mais do que apenas bom. É a fonte de tudo, assim como o Sol é a fonte da luz.

Plotino

O Uno é todas as coisas e nenhuma delas.

Plotino

Plotino disse isso em seu livro, as Enéadas. Ele queria que as pessoas entendessem que, embora tudo venha do Uno, o Uno é muito maior do que qualquer objeto singular que se possa ver ou tocar.

As Três Camadas da Realidade

Se O Uno é o topo da fonte, quais são as outras piscinas? Os Neoplatonistas acreditavam que havia três camadas principais da realidade. Pense nelas como as camadas de uma cebola, ou níveis em um videogame muito complicado.

Primeiro, existe O Uno. Depois, emanando do Uno, está O Intelecto (ou Mente Divina). Este é o nível onde vivem todas as ideias perfeitas, como a ideia perfeita de um círculo ou a ideia perfeita de justiça.

Tente isso

Tente pensar em um 'Círculo Perfeito'. Em sua cabeça, ele não tem saliências e é perfeitamente redondo. Agora, tente desenhar esse círculo. O desenho é tão perfeito quanto a ideia? Os Neoplatonistas achavam que a 'ideia' era mais real do que o desenho!

Depois do Intelecto, vem a Alma do Mundo. Esta é a energia que conecta o mundo das ideias ao mundo físico que tocamos e vemos. É como a ponte entre um pensamento e uma ação.

Finalmente, na beirada da fonte, está o mundo físico. Isso inclui a grama, as nuvens, o seu café da manhã e o seu próprio corpo. Os Neoplatonistas achavam este mundo físico bonito, mas também um pouco embaçado em comparação com a luz brilhante do Uno.

Mira

Mira says:

"É como se o universo fosse um espelho gigante que foi quebrado em um bilhão de pedaços. Cada pedaço ainda mostra um pouquinho do mesmo quadro grande."

Encontrando o Caminho de Volta

Se todos nós viemos do Uno, por que às vezes nos sentimos tão separados? Por que nos sentimos sozinhos ou confusos? Plotino achava que era porque nossas almas viajaram tão longe na fonte que esquecemos de onde começamos.

Ele acreditava que o objetivo da vida era fazer a jornada de volta. Ele chamou isso de 'o retorno'. Não fazemos isso viajando em uma nave espacial, mas olhando profundamente dentro de nós mesmos através da Contemplação.

Dois lados
O Cientista diz

A melhor maneira de entender o mundo é usar os olhos e os ouvidos para estudar a natureza, as plantas e os animais diretamente.

O Neoplatonista diz

A melhor maneira de entender o mundo é fechar os olhos e olhar para as 'plantas baixas' do universo dentro da nossa própria mente.

Ao ficar quieto e pensar profundamente, Plotino acreditava que poderíamos subir de volta pelos níveis da fonte. Nós nos movemos do mundo físico, através de nossos próprios pensamentos, e eventualmente vislumbramos a luz brilhante do Uno.

Plotino estava tão focado neste mundo interior que às vezes se esquecia de comer ou dormir. Ele não se importava com sua aparência física porque achava que sua alma era a parte mais importante dele.

Plotino

Retire-se para dentro de si mesmo e olhe.

Plotino

Plotino acreditava que não encontramos a verdade olhando para o mundo exterior, mas ficando muito quietos e olhando para nossas próprias almas. Ele pensava que nosso mundo interior era uma porta de entrada para o universo inteiro.

Hipátia e a Biblioteca de Alexandria

O Neoplatonismo não era apenas para homens sentados em salas silenciosas em Roma. Viajou pelo mar até Alexandria, uma cidade famosa por sua enorme biblioteca e seus cientistas brilhantes.

Uma das Neoplatonistas mais famosas foi uma mulher chamada Hipátia. Ela era uma mestre em matemática e astronomia, e usou as ideias Neoplatonistas para ajudá-la a entender o movimento dos planetas.

Você sabia?
Hipátia usando um astrolábio sob um céu estrelado.

Hipátia era tão popular em Alexandria que as pessoas se aglomeravam nas ruas só para ouvi-la falar. Ela usou seu treinamento Neoplatonista para projetar o astrolábio, uma ferramenta usada por marinheiros para navegar pelas estrelas.

Para Hipátia, estudar as estrelas era uma maneira de estudar a mente do Uno. Ela ensinava aos seus alunos que o universo segue padrões belos e lógicos. Infelizmente, Hipátia viveu em uma época de grande conflito, e sua vida terminou por causa de pessoas que tinham medo de seu poder e de suas ideias.

Mesmo depois que as escolas antigas fecharam, o Neoplatonismo não desapareceu. Foi como um rio subterrâneo que continuou fluindo, aparecendo em diferentes culturas e religiões pelos próximos mil anos.

Porfírio

Plotino parecia envergonhado de estar no corpo.

Porfírio

Porfírio foi o aluno mais famoso de Plotino. Ele escreveu isso porque Plotino estava tão fascinado pelo mundo das ideias que sentia que seu corpo físico era apenas um traje temporário que ele tinha que vestir.

A Jornada do Uno

Século III d.C.
Plotino leciona em Roma, desenvolvendo a ideia do 'Uno' e da fonte cósmica.
Século V d.C.
Hipátia ensina matemática e filosofia em Alexandria, mostrando como as estrelas seguem os padrões do Intelecto.
Século XII d.C.
Pensadores no mundo islâmico e na Europa usam o Neoplatonismo para descrever o mistério de Deus e da alma.
O Renascimento
Artistas como Botticelli usam ideias Neoplatonistas para pintar cenas belas onde a beleza terrena aponta para a verdade celestial.
Hoje
Filósofos e cientistas modernos ainda exploram a 'Unidade' do universo e como nossas mentes se conectam à realidade.

A Sombra e a Luz

Você pode se perguntar: se tudo vem do Uno, e o Uno é perfeito, de onde vêm as coisas ruins? Por que há tristeza ou comportamento cruel no mundo?

Os Neoplatonistas tinham uma resposta muito interessante. Eles não achavam que havia uma 'Fonte do Mal' que lutava contra a 'Fonte do Bem'. Em vez disso, eles pensavam que o mal era apenas a ausência de luz.

Finn

Finn says:

"Eu gosto da ideia de que 'mau' é apenas estar longe da luz. Faz-me sentir que qualquer um pode simplesmente virar e caminhar de volta para a lâmpada."

Imagine ficar no meio de um cômodo com uma única lâmpada. Quanto mais perto você está da lâmpada, mais claro tudo fica. À medida que você se afasta, a luz fica mais fraca até que você chegue aos cantos, que estão escuros.

A escuridão não é uma 'coisa' que foi criada; é apenas o que acontece quando você está longe da luz do Uno. Para um Neoplatonista, ser 'mau' significava apenas estar muito longe da luz do Uno.

Por Que Isso Importa Hoje?

Você não precisa viver na Roma antiga para pensar como um Neoplatonista. Hoje, muitas pessoas ainda encontram conforto na ideia de que estamos todos conectados a uma única fonte de vida e energia.

Quando os cientistas falam sobre como todos os átomos em nossos corpos estiveram um dia dentro de estrelas, eles estão dizendo algo muito semelhante ao que Plotino disse. Somos feitos do mesmo 'material' que o resto do universo.

O Neoplatonismo nos lembra de olhar além da superfície das coisas. Sugere que, mesmo no meio de um dia agitado e barulhento, há um centro silencioso e brilhante dentro de cada um de nós que está conectado a todo o resto.

Algo para Pensar

Se você pudesse usar apenas uma palavra para descrever 'O Uno', qual seria?

Plotino achava que nenhuma palavra era bem adequada, mas cada pessoa vê uma parte diferente da luz. Não há resposta errada, apenas a sua própria perspectiva.

Perguntas sobre Filosofia

O Neoplatonismo é uma religião?
Não exatamente. É uma filosofia ou um modo de pensar. No entanto, muitas religiões usaram ideias Neoplatonistas para ajudar a explicar coisas que são difíceis de descrever, como a alma ou a natureza de Deus.
Por que é chamado de 'Neo' Platonismo?
'Neo' significa 'novo'. Plotino e seus seguidores acreditavam que estavam trazendo uma energia nova e fresca para as velhas ideias de Platão, que viveu 500 anos antes deles.
Plotino acreditava em mágica?
Mais ou menos! Ele acreditava na 'Teurgia', que era a ideia de que certos rituais ou pensamentos profundos poderiam ajudar a alma a se comunicar com os níveis mais altos da realidade. Para ele, o universo inteiro era um pouco mágico porque estava vivo com a energia do Uno.

A Luz Interior

Na próxima vez que você sentir um sentimento de admiração ao olhar para um pôr do sol ou para um problema complexo de matemática, lembre-se de Plotino. Ele diria que esse sentimento de 'uau' é a sua alma reconhecendo de onde ela veio. Quer você esteja olhando para as estrelas ou olhando para dentro de si mesmo, você está explorando a mesma fonte magnífica de ideias.