Se você olhar no espelho, verá um rosto, mas por trás desse rosto há um mundo que ninguém mais pode visitar, a menos que você deixe entrar.

Cientistas e pensadores passaram milhares de anos tentando descobrir se ser humano tem a ver com a nossa evolução, nossos cérebros gigantes ou a forma como tratamos uns aos outros. É uma pergunta que começa na biologia, mas rapidamente se transforma em filosofia, o estudo dos grandes 'porquês' da vida.

Imagine que você está em uma floresta ao lado de um chimpanzé, um robô e um cachorro muito esperto. Todos vocês conseguem respirar, se mover e reagir ao mundo, mas há algo diferente na forma como vocês vivenciam o dia.

Os humanos têm uma capacidade estranha de pensar sobre coisas que não estão bem na frente deles. Podemos lembrar de uma festa de aniversário de três anos atrás ou imaginar uma cidade construída em Marte que ainda não existe.

Imagine isso
Uma criança sentada com um gato, com balões de pensamento mostrando a imaginação da criança

Imagine que você está sentado em um quarto silencioso com um gato. O gato está perfeitamente feliz perseguindo um raio de sol. Você, no entanto, pode estar pensando no que quer para o jantar, em uma piada que ouviu ontem e no fato de que um dia você será adulto. Você está 'viajando no tempo' com sua cabeça, enquanto o gato está apenas 'existindo' no sol.

Essa capacidade de viajar no tempo usando apenas nossas mentes é parte do que nos torna únicos. Nós não estamos apenas vivendo no mundo: estamos tentando entendê-lo, mudá-lo e contar histórias sobre ele.

Mas ser humano não é apenas uma coisa. É uma coleção confusa e maravilhosa de características que se desenvolveram ao longo de milhões de anos.

Finn

Finn says:

"Eu me pergunto se os golfinhos acham que são a versão 'humana' do oceano? Eles têm nomes uns para os outros e brincam, então talvez eles também tenham suas próprias grandes questões."

O Macaco Bípede

Muito antes de os humanos escreverem livros ou construírem cidades, nossos ancestrais viviam nas vastas planícies da África. Cerca de seis milhões de anos atrás, alguns de nossos parentes começaram a fazer algo muito estranho: eles se levantaram sobre duas pernas.

Isso é chamado de bipedismo, e mudou tudo para a nossa espécie. Ao se levantarem, nossos ancestrais podiam ver por cima da grama alta para detectar predadores, e suas mãos ficaram subitamente livres para carregar coisas.

Você sabia?
Uma fita de DNA mostrando realizações humanas

Nosso DNA é cerca de 98,8% igual ao de um chimpanzé. Essa pequena diferença de 1,2% é o que nos dá a capacidade de construir arranha-céus, escrever sinfonias e inventar a internet. Isso mostra como uma mudança biológica muito pequena pode levar a uma mudança enorme na forma como uma espécie vive.

Mãos livres significavam que poderíamos começar a brincar com o mundo. Podíamos pegar pedras, afiá-las e criar as primeiras ferramentas, o que nos permitiu conseguir comida melhor e sobreviver em lugares difíceis.

À medida que nossas mãos ficavam mais ocupadas, nossos cérebros começaram a crescer. Usar ferramentas e caçar juntos exigia um novo nível de pensamento e planejamento que outros animais não precisavam tanto.

Aristóteles

O homem é, por natureza, um animal social.

Aristóteles

Aristóteles viveu na Grécia Antiga e passou sua vida observando como a natureza e as pessoas funcionam. Ele acreditava que os humanos têm um impulso natural para viver juntos em comunidades para atingir seu pleno potencial.

O Animal Social

Há cerca de 2.400 anos, um homem chamado Aristóteles caminhava pelas ruas empoeiradas de Atenas, na Grécia. Ele passava os dias observando como as pessoas interagiam no mercado e no ginásio.

Aristóteles notou que os humanos quase nunca vivem sozinhos. Vivemos em famílias, tribos e cidades, e dependemos uns dos outros para quase tudo que precisamos para sobreviver.

Dois lados
A Visão do Fabricante de Ferramentas

Alguns cientistas acreditam que o que nos torna humanos é a nossa tecnologia. Somos os únicos animais que criam ferramentas complexas para resolver qualquer problema que enfrentamos, de martelos a computadores.

A Visão do Ajudante

A antropóloga Margaret Mead sugeriu que o primeiro sinal de civilização foi um osso humano de 15.000 anos que havia sido quebrado e curado. Isso mostrou que alguém ficou para ajudar e cuidar da pessoa ferida, em vez de deixá-la para trás.

Ele chamou os humanos de 'animais sociais'. Ele acreditava que uma pessoa que vivesse completamente sozinha não seria realmente humana, porque nossa natureza é fazer parte de um grupo.

Pense na sua própria vida. Quase tudo o que você sabe, desde como amarrar os sapatos até como resolver um problema de matemática, foi ensinado a você por outro ser humano.

Mira

Mira says:

"É como se estivéssemos todos de mãos dadas através do tempo. Estou usando um alfabeto inventado há milhares de anos para escrever um bilhete para um amigo que mora a três casas de distância."

Ser humano significa fazer parte de uma teia gigante e invisível de conhecimento compartilhado. Usamos a linguagem para passar ideias de um cérebro para o outro, para que não tenhamos que descobrir tudo do zero.

Como podemos falar e escrever, podemos aprender com pessoas que viveram milhares de anos atrás. Isso cria a cultura, que é a coleção de arte, crenças e tradições que compartilhamos com nossa comunidade.

A Faísca da Contação de Histórias

Se você caminhar fundo em uma caverna na França ou na Indonésia, poderá encontrar algo incrível: uma marca de mão feita de argila vermelha em uma parede de 40.000 anos atrás.

Esses humanos primitivos não estavam apenas procurando comida e abrigo. Eles estavam fazendo arte, o que sugere que eles tinham pensamento abstrato, a capacidade de pensar sobre símbolos e significados.

Tente isso

O Teste do Espelho: Coloque um pequeno ponto de tinta lavável na sua testa sem que você perceba. Se você olhar no espelho e tentar esfregar o ponto do seu próprio rosto, você tem autoconsciência. A maioria dos animais apenas pensa que o reflexo é outro animal, mas humanos, grandes símios e até pegas podem passar neste teste!

A arte é uma maneira de dizer: 'Eu estive aqui, e foi assim que eu vi o mundo'. É o começo da contação de histórias, e os humanos são os únicos animais que contam histórias para explicar por que o sol nasce ou para onde vamos quando morremos.

As histórias nos ajudam a praticar a empatia, que é a capacidade de sentir o que outra pessoa está sentindo. Quando você lê um livro sobre uma criança em outro país, seu cérebro sente um pouco como se você realmente estivesse lá.

A Jornada da Ideia Humana

300.000 Anos Atrás
O Homo sapiens emerge na África com cérebros grandes e a capacidade de usar fogo e ferramentas complexas.
Século IV AEC
Aristóteles define os humanos como 'animais racionais' que usam a lógica e vivem juntos em cidades organizadas.
Século XVII
Filósofos como Descartes focam na 'mente' e no mundo interno dos pensamentos como o cerne do ser humano.
1859
Charles Darwin publica 'A Origem das Espécies', mostrando que os humanos fazem parte da grande árvore da vida ao lado de todos os outros animais.
O Futuro
Começamos a perguntar se a Inteligência Artificial ou mentes digitais poderiam ser consideradas 'humanas' à sua maneira.

A Máquina Pensante

No século XVII, um filósofo chamado René Descartes sentou-se em um quarto pequeno e aquecido e tentou eliminar tudo o que achava que sabia. Ele se perguntou se seus olhos o estavam enganando ou se o mundo inteiro era um sonho.

Ele acabou percebendo que, mesmo que todo o resto fosse falso, o fato de ele estar pensando provava que ele existia. Isso levou a um foco enorme na consciência, o sentimento misterioso de "ser" que você tem.

René Descartes

Penso, logo existo.

René Descartes

Descartes foi um filósofo francês que queria encontrar uma coisa sobre a qual pudesse ter 100% de certeza. Ele percebeu que o próprio ato de duvidar de sua existência provava que havia um 'pensador' realizando a dúvida.

A consciência é difícil de definir. É a diferença entre um robô que é programado para dizer 'Estou triste' e um humano que realmente sente um peso, uma sensação de afundamento no peito.

Nós temos um senso de autoconsciência que nos permite olhar para nós mesmos de fora. Você pode pensar sobre seus próprios pensamentos, o que é um pouco como ter dois de você dentro da sua cabeça ao mesmo tempo.

Você sabia?
Comparação da independência animal e da aprendizagem infantil humana

Os humanos são 'neotênicos', que é uma forma elegante de dizer que permanecemos 'parecidos com bebês' por muito tempo. Enquanto um potro pode andar horas após o nascimento, os bebês humanos precisam de anos de cuidado. Essa longa infância dá aos nossos cérebros uma enorme quantidade de tempo para aprender e absorver a cultura.

O Poder da Conexão

No Sul da África, há uma palavra que descreve uma maneira diferente de ser humano: Ubuntu. Ela vem das línguas Zulu e Xhosa e significa 'Eu sou porque nós somos'.

Essa filosofia sugere que você não pode ser humano isoladamente. Sua humanidade é algo que você dá aos outros, e eles lhe dão através da bondade e do respeito.

Desmond Tutu

Uma pessoa é uma pessoa através de outras pessoas.

Desmond Tutu

O Arcebispo Desmond Tutu foi um líder na África do Sul que defendeu a ideia de Ubuntu. Ele acreditava que nossa humanidade está ligada à humanidade de todos os outros.

Quando mostramos empatia a um amigo que está chorando, estamos praticando o Ubuntu. Estamos reconhecendo que os sentimentos dele são tão reais e importantes quanto os nossos.

Isso sugere que ser humano não é apenas um fato biológico com o qual você nasce. Também é uma escolha que você faz todos os dias na forma como trata as pessoas ao seu redor.

Finn

Finn says:

"Se um robô chegar ao ponto em que pode se sentir solitário ou ter seus sentimentos feridos, teríamos que começar a tratá-lo como uma pessoa?"

O Humano Inacabado

Hoje, estamos entrando em uma nova era em que convivemos com máquinas que podem escrever poemas e dirigir carros. Isso torna a pergunta 'O que nos torna humanos?' mais interessante do que nunca.

É a nossa capacidade de sentir dor física? É a nossa imaginação? Ou é o fato de que nascemos, envelhecemos e, eventualmente, morremos, fazendo cada momento parecer precioso?

Não há uma única resposta com a qual todos concordem. Algumas pessoas acham que é a nossa alma, outras acham que é o nosso DNA, e outras acham que é a nossa capacidade de fazer perguntas sobre por que estamos aqui em primeiro lugar.

Mais humano de tudo, talvez, seja o fato de continuarmos fazendo a pergunta. Somos uma espécie que está constantemente tentando descobrir o que significa ser nós mesmos.

Algo para Pensar

Se você pudesse manter apenas uma coisa que o torna humano — sua capacidade de pensar, sua capacidade de sentir ou sua capacidade de criar — qual você escolheria?

Não há resposta certa ou errada aqui. Cada uma dessas coisas é uma peça diferente do quebra-cabeça humano, e pessoas diferentes podem valorizá-las de maneiras diferentes.

Perguntas sobre Filosofia

Os humanos são apenas animais?
Biologicamente, sim. Pertencemos ao reino Animalia e à ordem Primates. No entanto, os filósofos argumentam que nossa capacidade de usar linguagem, criar cultura complexa e refletir sobre nossa própria existência nos diferencia de uma maneira única.
Um robô poderia ser humano?
Este é um grande debate! Embora um robô possa parecer ou falar como uma pessoa, muitos pensam que ser humano exige 'senciência' — a capacidade de realmente sentir emoções e ter experiências físicas como fome ou dor.
Por que nos importamos em ser humanos?
Perguntar 'O que nos torna humanos?' nos ajuda a decidir como devemos tratar uns aos outros. Se acreditamos que a empatia e a conexão são o que nos torna humanos, isso nos incentiva a ser mais gentis e cooperativos.

A Aventura Contínua

Ser humano não é um destino que você alcança: é um processo que acontece toda vez que você faz uma pergunta, ajuda um amigo ou imagina um mundo novo. Se você se sente mais como um 'animal pensante' ou um 'animal contador de histórias' hoje, lembre-se de que você faz parte de uma linhagem muito antiga e muito curiosa. Continue se perguntando, continue explorando e, o mais importante, continue sendo você.