Você já reparou como a sua cabeça é barulhenta por dentro?
Embora muitas vezes pensemos no yoga como uma série de poses de equilíbrio e alongamentos, ele começou há milhares de anos na Índia Antiga como uma Filosofia profunda criada para resolver um problema específico: a 'mente de macaco' que nunca para de tagarelar. Ao explorar os Yoga Sutras e a relação entre nossos corpos e nossos pensamentos, podemos começar a nos ver como o observador silencioso de nossas próprias vidas.
Imagine que você está às margens de um rio largo e calmo no norte da Índia, cinco mil anos atrás. O ar é úmido e o som da água se misturando ao canto dos pássaros tropicais cria um zumbido constante.
Nesse lugar, muito antes da invenção da internet ou mesmo dos livros como os conhecemos, as pessoas já faziam perguntas muito modernas. Elas se perguntavam: por que me sinto inquieto? Por que minha mente pula de uma preocupação para outra? Como posso encontrar uma sensação de paz que não desapareça quando as coisas ficam difíceis?
Imagine uma cidade feita de tijolos de barro chamada Mohenjo-Daro. Não existem carros, apenas o som de rodas de madeira na terra. No centro da cidade, uma pessoa senta-se perfeitamente imóvel em uma posição de pernas cruzadas enquanto todos os outros correm para o mercado. Arqueólogos encontraram pequenos selos de pedra mostrando pessoas nesta exata pose há 4.500 anos!
Esses primeiros pensadores viviam em um mundo onde a fronteira entre a floresta selvagem e as cidades em crescimento era tênue. Eles observavam como o vento se movia entre as árvores e como as estações mudavam, e perceberam que seus próprios mundos interiores eram tão complexos e selvagens quanto a natureza.
Eles desenvolveram um sistema chamado Filosofia do Yoga, que vem da palavra sânscrita 'yuj', que significa unir ou integrar. A ideia era unir o corpo e a mente para que eles não puxassem para direções diferentes, como dois bois teimosos.
As Raízes Antigas
Para entender o Yoga, primeiro temos que olhar para uma escola de pensamento ainda mais antiga chamada Samkhya. Essa filosofia ensinava que o universo é feito de duas coisas principais: as coisas que podemos tocar e ver, e a consciência que observa tudo acontecer.
Eles chamavam as 'coisas' de Prakriti e a 'consciência' de Purusha. Pense nisso como um cinema: Prakriti é o filme passando na tela com toda a ação e barulho, enquanto Purusha é a pessoa sentada em silêncio na poltrona, apenas assistindo.
Finn says:
"Então espera, se meus pensamentos são como um filme, quer dizer que o 'eu real' é apenas a plateia? Isso parece um pouco solitário, mas também relaxante. Eu não preciso mais ser os monstros do filme!"
O Yoga pegou essa ideia e a transformou em um guia prático. Se o 'filme' de nossas vidas estiver muito barulhento ou assustador, como lembramos que somos, na verdade, a pessoa sentada em segurança na poltrona? É aqui que um pensador chamado Patanjali entra na história.
Há cerca de 1.600 anos, Patanjali reuniu todas as ideias espalhadas sobre yoga e as escreveu em uma coleção de frases curtas e diretas chamadas Yoga Sutras. Ele não inventou o yoga, mas foi como um mestre editor que organizou o manual.
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Yoga é o aquietar das flutuações da mente.
A Mente que Gira
A definição mais famosa de yoga de Patanjali é que ele é o 'aquietar das flutuações da mente'. Ele usou o termo Chitta Vritti, que pode ser traduzido como 'redemoinhos da mente'.
Pense em um lago. Quando a água está calma, você pode ver até o fundo, e a superfície reflete as montanhas perfeitamente. Mas se você jogar um punhado de pedrinhas na água, as ondulações tornam impossível ver com clareza.
Da próxima vez que você se sentir sobrecarregado, imagine que sua mente é um globo de neve que alguém acabou de sacudir. Todo o brilho são seus pensamentos. Em vez de tentar pegar o brilho, apenas sente-se e observe-o. O que acontece com o brilho quando você para de mover o globo?
Nossos pensamentos são essas pedrinhas. Uma pedrinha pode ser 'estou com fome', outra pode ser 'estou preocupado com minha prova de matemática' e outra pode ser 'aquela pessoa foi chata comigo ontem'.
A filosofia do yoga sugere que muitas vezes confundimos as ondulações com o próprio lago. Achamos que somos nossas preocupações ou nossa fome. O objetivo do yoga é deixar as ondulações baixarem para que possamos ver a água clara e profunda por baixo.
O Caminho de Oito Passos
Patanjali não disse apenas para as pessoas ficarem paradas: ele lhes deu um mapa. Esse mapa é chamado de Ashtanga, que significa 'oito membros'. É como uma árvore com oito galhos que precisam crescer para que a árvore seja saudável.
- Yamas e Niyamas: Estas são as raízes, focando em como tratamos os outros e a nós mesmos, como ser honesto e ser gentil.
- Asana: Este é o galho que a maioria das pessoas conhece hoje: as poses físicas que mantêm o corpo forte e estável.
- Pranayama: Este é o estudo da Respiração, usando-a como uma ponte entre o corpo e a mente.
- Pratyahara: Esta é a prática de voltar sua atenção para dentro, como fechar as cortinas para uma rua movimentada.
Mira says:
"Percebi que quando estou muito nervosa para uma apresentação de dança, sinto como se estivesse flutuando fora do meu corpo. Talvez a parte da respiração no yoga seja como uma corda que me prende de volta para eu não sair voando."
Os três membros finais envolvem níveis cada vez mais profundos de concentração. Eles levam a um estado chamado Samadhi, onde o observador e a coisa observada parecem ter se tornado um só.
A maioria das pessoas hoje passa muito tempo no galho do Asana (as poses). No entanto, na filosofia original, o único motivo para fazer as poses era deixar o corpo confortável o suficiente para ficar sentado imóvel por muito tempo, sem ter uma cãibra na perna ou dor nas costas.
Nos primeiros milhares de anos da história do yoga, não existiam 'Estúdios de Yoga'. A maioria dos yogis morava na floresta e abria mão de seus bens para viver em cavernas ou debaixo de árvores para estudar a mente.
A Ponte da Respiração
Por que a respiração é tão importante nesta filosofia? Os antigos yogis notaram algo fascinante: você nem sempre pode controlar seus pensamentos, mas geralmente pode controlar sua respiração.
Se você está com medo, sua respiração fica curta e rápida. Se você está relaxado, ela se torna profunda e lenta. A filosofia do yoga ensina que isso funciona nos dois sentidos. Ao desacelerar manualmente sua respiração, você está enviando um sinal para sua mente de que é seguro parar de 'girar'.
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O yoga não apenas muda a maneira como vemos as coisas, ele transforma a pessoa que vê.
É por isso que o yoga é frequentemente chamado de 'ciência do eu'. É um experimento que você realiza em seu próprio corpo. Você não precisa acreditar nele como se fosse uma história: você é incentivado a testar e ver se os redemoinhos em sua mente realmente começam a se acalmar.
Através dos Tempos
O Yoga Através dos Tempos
Por muito tempo, o yoga foi um segredo passado de professor para aluno nas florestas da Índia. Não era algo que você fazia em uma academia com um tapete colorido. Na verdade, por séculos, havia apenas um punhado de poses, a maioria sentada de pernas cruzadas.
Por volta do ano 1400, um novo estilo chamado Hatha Yoga tornou-se popular. Esses praticantes acreditavam que o corpo era um templo que precisava estar perfeitamente afinado. Eles inventaram muitas das poses ativas que vemos hoje, como o 'Cachorro Olhando para Baixo' ou a pose do 'Guerreiro'.
O objetivo do yoga é dominar o corpo. Se você consegue fazer uma parada de mão ou um alongamento difícil, está praticando yoga com sucesso porque demonstrou disciplina sobre seus músculos.
O corpo é apenas uma ferramenta para chegar à mente. Mesmo que você não consiga tocar os dedos dos pés, você está praticando yoga se estiver atento à sua respiração e presente no momento.
No final de 1800, o yoga começou a cruzar os oceanos. Um professor chamado Swami Vivekananda visitou Chicago e falou para uma multidão imensa de pessoas que nunca tinham ouvido falar da filosofia indiana. Ele disse que cada pessoa tem uma 'luz divina' dentro de si, e o yoga era simplesmente uma maneira de deixar essa luz brilhar através das nuvens da mente.
Vivendo a Filosofia
Você não precisa estar em um tapete para 'fazer' filosofia do yoga. De acordo com o Bhagavad Gita, um dos livros mais importantes da história da Índia, o yoga é simplesmente 'habilidade na ação'.
Isso significa fazer o que quer que você esteja fazendo — lavar a louça, jogar futebol ou fazer o dever de casa — com toda a sua atenção. Significa não deixar sua mente divagar para o passado ou para o futuro, mas permanecer aqui mesmo, no momento presente.
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Yoga é habilidade na ação.
Finn says:
"Se yoga é 'habilidade na ação', eu poderia estar fazendo yoga enquanto jogo meu videogame favorito? Eu fico super focado e esqueço totalmente de todo o resto!"
Quando você está totalmente presente, você não está lutando consigo mesmo. Você não está desejando estar em outro lugar. Você é como um músico mestre que está tão focado na música que esquece que está tocando um instrumento. Esse 'fluxo' é um tipo de yoga.
A palavra 'Asana' (pose) significa literalmente 'assento'. Originalmente, havia apenas uma pose: sentar! Todas as centenas de poses que temos hoje foram desenvolvidas muito tempo depois para ajudar a manter o corpo saudável para aquele único assento importante.
O Mistério do Eu
A filosofia do yoga nos deixa com um mistério muito grande e interessante. Se não somos nossos pensamentos, e não somos nossas emoções instáveis, então quem somos nós realmente?
Os antigos professores não davam uma resposta simples. Eles diziam que o 'Verdadeiro Eu' é algo que não pode ser descrito com palavras. Só pode ser experimentado no silêncio entre dois pensamentos.
Isso pode soar um pouco misterioso ou confuso, mas também é muito esperançoso. Significa que, não importa o quão bagunçada ou barulhenta sua vida pareça na superfície, sempre há uma parte de você que é calma, silenciosa e completamente intocada pelo caos.
Algo para Pensar
Se você pudesse pegar uma coisa da sua mente e 'aquietá-la' por cinco minutos, o que seria?
Não existe resposta certa ou errada. Talvez seja uma música presa na cabeça, uma preocupação com a escola ou apenas a sensação de estar com pressa. Como seria o seu 'lago' se essa única ondulação desaparecesse?
Perguntas sobre Filosofia
Eu preciso ser flexível para praticar a filosofia do yoga?
Yoga é uma religião?
Por que as pessoas dizem 'Namastê' ao final do yoga?
O Lago Está Sempre Lá
A próxima vez que sua mente parecer um mar tempestuoso, lembre-se dos antigos pensadores à beira do rio. Eles não tentaram parar o vento: eles apenas aprenderam a ser a pessoa que observa as ondas. Yoga não é sobre se tornar outra pessoa: é sobre finalmente encontrar a pessoa silenciosa que esteve sentada dentro de você o tempo todo.