Você já assistiu a um filme em que um personagem corta o dedo com um papel e, por uma fração de segundo, você sentiu uma pequena pontada no seu próprio dedo?

Essa conexão estranha e invisível é o que chamamos de empatia. É uma ponte construída com tomada de perspectiva e sentimentos compartilhados que nos permite entender como é ser outra pessoa.

Imagine que você está em uma galeria de arte silenciosa na Alemanha, no ano de 1873. Você está olhando para uma pintura de uma floresta escura e profunda.

Enquanto você fita os carvalhos altos e robustos, você pode notar algo estranho acontecendo. Suas próprias costas começam a ficar um pouco mais retas: quase como se você estivesse tentando ficar tão alto quanto as árvores da imagem.

Imagine isso
Uma criança imitando a expressão de uma imagem que está vendo.

Imagine que você está olhando para a foto de alguém comendo um limão azedo. Sua boca pode começar a salivar, e você pode até apertar os olhos. Você não está comendo o limão, mas seu corpo está 'sentindo para dentro' da foto mesmo assim!

Um jovem filósofo chamado Robert Vischer notou exatamente esse sentimento. Ele percebeu que os humanos não apenas 'olham' para as coisas.

Nós realmente 'nos sentimos para dentro' delas. Ele chamou essa experiência de Einfühlung, que é uma palavra alemã que literalmente significa 'sentir para dentro'.

Finn

Finn says:

"Então, se eu 'sinto para dentro' de uma rocha gigante, meu cérebro pensa que sou feito de pedra por um segundo? Isso é meio incrível."

No início, as pessoas usavam essa palavra apenas para falar sobre arte e natureza. Usavam-na para descrever por que nos sentimos tristes ao ver um salgueiro curvado, ou por que nos sentimos poderosos ao olhar para o pico de uma montanha irregular.

Levou mais trinta anos até que os cientistas percebessem que esse 'sentir para dentro' não acontecia apenas com pinturas. Acontecia entre pessoas também.

A Invenção de uma Palavra

Em 1909, um psicólogo chamado Edward Titchener decidiu que o inglês precisava de sua própria versão dessa palavra alemã. Ele pegou as palavras gregas 'en' (que significa 'em' ou 'dentro') e 'pathos' (que significa 'sentimento') e as juntou.

Ele criou a palavra empathy (empatia). Antes disso, a maioria das pessoas usava a palavra sympathy (simpatia) em vez disso.

Você sabia?
Uma entrada de dicionário brilhante para a palavra empatia.

A palavra 'empatia' tem apenas cerca de 115 anos! Antes disso, os humanos tinham o sentimento, mas não tinham essa palavra específica para descrever a 'ponte' entre as mentes de duas pessoas.

Embora pareçam semelhantes, elas são muito diferentes. Simpatia é como ver alguém em um buraco profundo e escuro e dizer: 'Sinto muito que você esteja aí embaixo: parece frio.'

Empatia é diferente. Empatia é descer no buraco, sentar ao lado da pessoa e dizer: 'Eu sei como é estar aqui embaixo, e você não está sozinho.'

Adam Smith

Como não temos experiência imediata do que os outros homens sentem, não podemos formar uma ideia da maneira como são afetados, senão concebendo o que nós mesmos sentiríamos na mesma situação.

Adam Smith

Escrevendo em 1759, Smith foi um dos primeiros a explicar que usamos nossa própria imaginação para construir um 'mapa' dos sentimentos de outras pessoas.

Os Espelhos Secretos no Seu Cérebro

Por muito tempo, os filósofos pensaram que a empatia era apenas uma ideia legal ou uma escolha que fazíamos. Mas na década de 1990, um grupo de cientistas na Itália descobriu algo que mudou tudo.

Eles estavam estudando os cérebros de macacos. Um dia, um cientista entrou no laboratório segurando um sorvete.

Você sabia?
Um cientista e um macaco em um laboratório com um sorvete.

Os neurônios-espelho foram descobertos por acidente! Os cientistas estavam realmente tentando estudar como os macacos movem as mãos, não como eles sentem. Um sorvete que passou no laboratório mudou a história da psicologia para sempre.

Enquanto o macaco observava o cientista levar o sorvete à boca, algo incrível aconteceu. O cérebro do macaco vibrou exatamente no mesmo lugar em que vibraria se o macaco estivesse comendo o sorvete!

Esses são chamados de neurônios-espelho. São células especiais no seu cérebro que disparam tanto quando você faz algo quanto quando você vê outra pessoa fazendo a mesma coisa.

Mira

Mira says:

"É como se nossos cérebros estivessem todos conectados por sinais invisíveis de Wi-Fi que enviam 'sentimentos' de um para o outro sem nem tentarmos."

Por causa desses neurônios, seu cérebro está constantemente 'simulando' o mundo ao seu redor. Quando você vê um amigo tropeçar e cair, seu cérebro executa um pequeno programa de 'cair'.

Esta é a base biológica da empatia. Significa que seu corpo é projetado para entender as experiências de outras pessoas de dentro para fora.

Dois Jeitos de Calçar os Sapatos do Outro

Os psicólogos geralmente concordam que existem duas maneiras principais pelas quais experimentamos isso. A primeira é chamada empatia afetiva, que é a parte emocional.

Isso acontece quando você sente a dor ou a alegria de outra pessoa no seu próprio corpo. Se seu melhor amigo está chorando, você pode sentir um nó pesado em sua própria garganta.

Tente isso

Na próxima vez que assistir a um filme, escolha um personagem que não seja o principal. Tente imaginar: O que eles estão sentindo agora? Do que estão preocupados? O 'mundo interior' deles é diferente do que eles mostram no 'exterior'?

O segundo tipo é chamado de empatia cognitiva. Esta é a parte do pensamento, onde você usa seu cérebro para imaginar o que outra pessoa pode estar pensando.

É frequentemente chamada de teoria da mente. Permite que você perceba que, mesmo que você goste de brócolis, seu amigo pode realmente odiá-lo: e você consegue entender por que ele está fazendo careta.

Carl Rogers

Estar com outra pessoa dessa forma empática significa que, por um tempo, você deixa de lado suas próprias opiniões e valores para entrar no mundo do outro sem preconceitos.

Carl Rogers

Rogers foi um psicólogo famoso que acreditava que realmente ouvir alguém sem julgá-la era a maneira mais poderosa de ajudá-la a se curar.

A Escolha de Cuidar

Alguns pensadores, como Carol Gilligan, acreditam que a empatia é mais do que apenas um sentimento. Ela argumenta que a empatia é a raiz de como decidimos o que é 'certo' e 'errado'.

Na visão dela, ser uma boa pessoa não é apenas seguir uma lista de regras frias e duras. É manter-se conectado a como nossas ações afetam a vida das outras pessoas.

Finn

Finn says:

"E se duas pessoas têm histórias totalmente diferentes sobre a mesma coisa? Como você sente empatia por ambas ao mesmo tempo?"

Isso é às vezes chamado de Ética do Cuidado. Sugere que temos a responsabilidade de ouvir e entender a história única de cada pessoa antes de julgá-la.

Trata-se de perceber que cada pessoa que você encontra é o 'personagem principal' de sua própria vida complicada. Quando usamos a empatia, estamos reconhecendo que a história deles é tão real quanto a nossa.

Podemos Ter Muita Empatia?

Embora a empatia seja uma ferramenta maravilhosa, ela também pode ser muito pesada. Às vezes, se sentimos toda a tristeza de todos o tempo todo, podemos sofrer o que os cientistas chamam de fadiga da empatia.

Isso acontece quando seu balde de 'sentir para dentro' fica muito cheio. Você pode começar a se sentir sobrecarregado ou até irritado porque absorveu muito do peso do mundo.

Dois lados
Os Seguidores de Regras

Algumas pessoas acham que devemos fazer o que é certo por causa de regras lógicas que se aplicam a todos, não importa o que sintamos.

Os Guiados pela Empatia

Outros acham que devemos fazer o que é certo porque sentimos uma conexão com a pessoa e queremos proteger o bem-estar dela.

É por isso que a autoconsciência é tão importante. Para ser verdadeiramente empático, você precisa saber onde 'você' termina e 'a outra pessoa' começa.

Pense nisso como ser um salva-vidas. Você não pode ajudar alguém que está se afogando se você também cair na água e começar a se debater!

Empatia Através das Eras

300 AEC
O filósofo Mencius na China descreve como qualquer um sentiria um 'alarme e angústia' súbitos se visse uma criança prestes a cair em um poço.
1759
Adam Smith escreve sobre 'Simpatia', explicando que usamos nossa imaginação para nos colocar no corpo de outra pessoa.
1873
Robert Vischer usa a palavra 'Einfühlung' para descrever como nos sentimos para dentro de obras de arte e da natureza.
1909
Edward Titchener traduz oficialmente o conceito para a palavra inglesa 'Empathy' (Empatia) pela primeira vez.
1992
Giacomo Rizzolatti e sua equipe na Itália descobrem os neurônios-espelho, provando que a empatia tem um lar físico no cérebro.

O Objetivo da Compaixão

Muitas pessoas acreditam que o objetivo final da empatia é transformá-la em compaixão. Enquanto a empatia é 'sentir junto' com alguém, a compaixão é o 'desejo de ajudar'.

A empatia nos ajuda a ver o problema, mas a compaixão nos dá a energia para fazer algo a respeito. É a diferença entre sentir as mãos frias de alguém e dar a ele suas luvas.

Carol Gilligan

A pessoa moral é aquela que ajuda os outros... cumprindo suas obrigações e responsabilidades para com os outros, se possível sem se sacrificar.

Carol Gilligan

Gilligan nos lembrou que a empatia deve levar à ação e ao cuidado, mas também precisamos nos lembrar de cuidar de nós mesmos.

No final, a empatia é um pouco como um músculo. Quanto mais você pratica 'sentir para dentro' de diferentes histórias, pessoas e até animais, mais forte se torna sua conexão com o mundo.

Isso não significa que você sempre concordará com todo mundo. Mas significa que você sempre ficará curioso sobre como é ser eles.

Algo para Pensar

Se você pudesse 'sentir para dentro' de qualquer animal ou objeto por uma hora, o que seria?

Não há respostas certas ou erradas aqui. Este é apenas um exercício para a sua imaginação de 'sentir para dentro'. Você escolheria uma águia voando alto, uma baleia das profundezas ou talvez uma árvore velha e sábia?

Perguntas sobre Psicologia

É possível nascer sem empatia?
A maioria das pessoas nasce com o 'hardware' para a empatia (neurônios-espelho), mas, como um músculo, ela precisa de exercício. Algumas pessoas acham mais difícil ler pistas sociais, mas geralmente podem aprender a 'empatia cognitiva' usando a lógica para entender os outros.
Empatia é o mesmo que ser legal?
Não exatamente. Ser legal é um comportamento, mas a empatia é uma forma de entender. Você pode ser empático e ainda assim ter que dizer 'não' a alguém ou discordar dela, contanto que você entenda por que ela se sente do jeito que se sente.
Os animais têm empatia?
Sim! Os cientistas observaram empatia em elefantes, golfinhos, cães e até ratos. Muitos animais tentarão confortar um amigo que está chateado ou compartilhar comida com alguém que está com fome.

A Ponte Infinita

A empatia é o mais próximo que chegamos de um superpoder telepático. Ela nos permite sair do nosso pequeno mundo e visitar os mundos vastos e coloridos dentro de cada outra pessoa. Continue explorando, continue ouvindo e continue construindo essas pontes.