Você já perdeu algo que amava muito e sentiu uma dor pesada e silenciosa no peito?

Esse sentimento se chama luto, uma resposta profunda à perda que os seres humanos experimentam há milhares de anos. É uma parte natural do vínculo (ou apego), mostrando que somos capazes de grande amor e conexão.

Imagine que você está em uma cidade feita de muros de pedra gigantes, quase quatro mil anos atrás. Esta é Uruk, uma das cidades mais antigas do mundo. O rei, um homem lendário chamado Gilgamesh, está chorando porque seu melhor amigo morreu.

Imagine isso
Um rei antigo olhando para o deserto ao pôr do sol.

Imagine um rei parado em uma varanda olhando para o deserto. Ele está vestindo uma armadura dourada, mas treme de lágrimas porque percebe que não pode trazer seu amigo de volta. Pela primeira vez, ele vê que nem mesmo os reis podem controlar tudo.

Gilgamesh era um herói poderoso, mas o seu luto o fez sentir-se pequeno e assustado. Ele percebeu que tudo o que amava poderia um dia ir embora. Esta história, a Epopeia de Gilgamesh, é a primeira vez na história que alguém escreveu como é sentir a perda de alguém que se ama.

Finn

Finn says:

"Às vezes sinto que deveria 'superar' as coisas, mas ainda sinto falta do meu cachorro antigo todos os dias. Isso é normal?"

Psicólogos nos dizem que o luto não é apenas um sentimento, como a tristeza. É mais como uma sopa gigante de muitos sentimentos diferentes. Você pode se sentir zangado, confuso ou talvez nem sinta nada por um tempo.

Por Que Nos Sentimos Assim

Para entender o luto, precisamos entender por que nos importamos com as coisas em primeiro lugar. Um psicólogo famoso chamado John Bowlby passou a vida inteira estudando o apego (ou vínculo), que é a ligação especial que formamos com as pessoas e animais de estimação que cuidam de nós.

John Bowlby

Temos tanto medo de perder a pessoa que amamos quanto de perder a nossa própria vida.

John Bowlby

Bowlby era um psiquiatra britânico que descobriu que as crianças precisam de uma base segura para se sentirem protegidas. Ele percebeu que o luto é o preço que pagamos por sermos corajosos o suficiente para amar alguém profundamente.

Bowlby percebeu que os humanos são feitos para ficar perto das pessoas que amam. Quando essa pessoa se vai, nosso cérebro envia um sinal de que algo está errado. Esse sinal é o que vivenciamos como a dor do luto.

Você sabia?
Um cérebro de desenho animado com uma barra de carregamento.

Você sabia que o luto pode realmente mudar a forma como seu cérebro funciona por um tempo? É como se o computador do seu cérebro estivesse ocupado baixando um arquivo enorme e complicado, o que faz todo o resto rodar um pouco mais devagar.

Quando perdemos alguém, nosso cérebro precisa aprender a viver em um mundo que parece diferente de ontem. Isso exige muita energia, e é por isso que lamentar pode fazer você se sentir muito cansado ou incapaz de se concentrar nos estudos.

O Ambiente de Contenção

Outro pensador, Donald Winnicott, falou sobre algo chamado ambiente de contenção. Este é um espaço seguro onde você pode sentir o que precisar sentir, sem que ninguém tente "consertar" isso imediatamente.

Mira

Mira says:

"É mais do que normal, Finn. Talvez sentir falta deles seja apenas outra maneira de mantê-los por perto. Isso mostra quanto espaço eles ainda têm no seu coração."

Em um ambiente de contenção, você tem permissão para ficar bagunçado. Você pode chorar, brincar ou sentar em silêncio. O objetivo do luto não é parar de ficar triste, mas sim encontrar uma maneira de carregar a tristeza até que ela pareça um pouco mais leve.

Dois lados
Seguir em Frente

Algumas pessoas acreditam que o objetivo do luto é alcançar a 'aceitação' e seguir em frente da pessoa que perdemos.

Manter a Conexão

Outras acreditam que o objetivo é criar um 'vínculo contínuo', onde você encontra novas maneiras de manter essa pessoa em sua vida para sempre.

Pense nos seus sentimentos como uma mochila pesada. Você não pode simplesmente jogar a mochila fora, mas pode aprender a ajustar as alças para que ela se ajuste melhor. Com o tempo, seus músculos ficam mais fortes e a mochila não parece tão pesada quanto no início.

A História dos Adeus

Os humanos sempre usaram rituais para ajudar a lidar com os grandes sentimentos de perda. Rituais são coisas especiais que fazemos para mostrar que uma vida teve importância. Eles nos ajudam a transformar nossa tristeza particular em algo que compartilhamos com os outros.

Ao Longo das Eras

2100 a.C.
A Epopeia de Gilgamesh é escrita na Mesopotâmia, mostrando o primeiro registro humano de luto profundo e a busca por sentido.
Século XIX
Os rituais de luto vitorianos se tornam muito rigorosos, com cores e joias específicas usadas para mostrar respeito aos mortos.
Década de 1960
John Bowlby desenvolve a Teoria do Apego, explicando como nossos laços iniciais com os pais moldam como lidamos com a perda mais tarde.
1969
Elisabeth Kübler-Ross escreve sobre os 'estágios' do luto, ajudando as pessoas a perceberem que a raiva e a negação são normais.
Hoje
Psicólogos modernos focam nos 'Vínculos Contínuos', a ideia de que não precisamos dizer adeus para sempre, mas podemos encontrar novas formas de manter a conexão.

Na Inglaterra Vitoriana, cerca de 150 anos atrás, as pessoas usavam roupas pretas por muito tempo para mostrar que estavam em luto. Elas até faziam joias com cabelos das pessoas que haviam morrido para poder manter um pedaço delas por perto.

Tente isso
Um pote decorativo cheio de bilhetes coloridos.

Crie um 'Pote de Memórias'. Sempre que você se lembrar de uma história feliz ou engraçada sobre o que você perdeu, escreva-a em um pequeno pedaço de papel e coloque no pote. Nos dias em que o luto parece pesado, você pode tirar um papel e lembrar da luz.

No México, durante o Día de los Muertos (Dia dos Mortos), as famílias constroem belos altares chamados ofrendas. Eles os enchem com flores laranjas vibrantes, velas e os alimentos favoritos das pessoas que sentem falta. Isso transforma algo triste em uma celebração colorida da memória.

Encontrando Seu Caminho

O luto não segue uma linha reta. Algumas pessoas costumavam pensar que você passava por "estágios", como níveis em um videogame. Mas a maioria das pessoas acha que o luto é mais como o oceano: ele vem em ondas.

Viktor Frankl

De certa forma, o sofrimento deixa de ser sofrimento no momento em que encontra um sentido.

Viktor Frankl

Frankl sobreviveu a tempos muito difíceis e notou que as pessoas se sentiam mais fortes quando encontravam um 'porquê' para suas vidas. Ele nos ensinou que, mesmo na tristeza, podemos encontrar algo significativo para nos agarrarmos.

Alguns dias a água está calma e você se sente bem. Em outros dias, uma onda gigante de tristeza pode te derrubar quando você menos espera. Ambos os dias são uma parte normal do processo.

Finn

Finn says:

"É estranho como alguns dias me sinto bem e de repente fico triste de novo. É como um boletim meteorológico que fica mudando."

Quando as coisas ficam muito difíceis, algumas pessoas encontram conforto na resiliência. Esta é a capacidade de continuar crescendo mesmo quando a vida é difícil. Um pensador chamado Viktor Frankl acreditava que os humanos podem sobreviver a quase tudo se conseguirem encontrar uma razão para continuar.

O Medo e o Amor

Às vezes, o luto parece muito assustador. Pode parecer um vento frio ou um quarto escuro. C.S. Lewis, um autor famoso que escreveu As Crônicas de Nárnia, disse uma vez que nunca percebeu o quanto o luto se parecia com estar com medo.

C.S. Lewis

Ninguém nunca me disse que o luto parecia tanto com medo.

C.S. Lewis

Lewis escreveu isso em um diário particular depois que sua esposa morreu. Ele queria que as pessoas soubessem que é normal sentir o estômago agitado ou a mente preocupada quando estamos de luto.

Se você se sente assustado quando está de luto, tudo bem também. É a maneira do seu coração tentar proteger você. A coisa mais importante a lembrar é que você não precisa carregar o medo ou a tristeza sozinho.

Você sabia?
Uma família compartilhando histórias perto de uma fogueira.

Em algumas culturas, as pessoas acreditam que, enquanto falarmos os nomes daqueles que perdemos, eles nunca se vão de verdade. É por isso que muitas famílias contam histórias sobre seus antepassados todos os anos.

Mesmo quando alguém se foi, o amor que você tinha por essa pessoa permanece. Esse amor geralmente se transforma em memórias, que são como pequenos tesouros que você guarda em uma caixa mental. Você pode pegá-los e olhá-los sempre que quiser.

Algo para Pensar

Se o luto é a sombra que o amor projeta, o que isso nos diz sobre a luz?

Não há respostas certas ou erradas aqui. Apenas pense em como o amor e a tristeza podem ser duas partes da mesma coisa muito grande.

Perguntas sobre Psicologia

Quanto tempo dura o luto?
Não há um cronômetro definido para o luto. Para alguns, melhora em alguns meses, enquanto para outros, é algo que carregam por muitos anos. Não desaparece, mas muda de forma e se torna mais fácil de lidar.
É normal sentir felicidade quando eu deveria estar de luto?
Sim, é perfeitamente normal e muito comum. O luto não é um estado constante de tristeza. Você tem permissão para rir, brincar e aproveitar a vida mesmo sentindo falta de alguém.
Por que algumas pessoas ficam zangadas quando estão tristes?
A raiva é frequentemente uma 'emoção secundária'. Ela age como um escudo que nos protege, porque sentir tristeza pode nos fazer sentir vulneráveis ou fracos. Estar zangado parece mais poderoso, mesmo que, na verdade, seja tristeza por baixo.

Abrigo para o Coração

O luto é uma das coisas mais difíceis que os seres humanos enfrentam, mas também é uma das coisas que nos conecta a todos. Ao aprendermos a ser pacientes conosco e com os outros, podemos criar um mundo onde é seguro estar triste, seguro lembrar e seguro continuar amando.