Você já terminou um quebra-cabeça difícil, dominou um novo truque de skate ou finalmente entendeu um problema de matemática complicado e sentiu um brilho quente e repentino no peito?
Esse sentimento é o orgulho, uma emoção que nos diz que fizemos algo significativo. Por milhares de anos, os humanos debateram se esse sentimento é um amigo útil que constrói nosso valor próprio ou uma armadilha perigosa que nos faz pensar que somos melhores que todo mundo.
Imagine que você está em uma rua ensolarada na Grécia Antiga, há mais de dois mil anos. Você vê uma multidão reunida em torno de um contador de histórias que está descrevendo um rapaz chamado Ícaro.
Ícaro tem asas feitas de penas e cera, e seu pai o adverte para não voar muito alto. Mas a sensação de voar é tão maravilhosa, e Ícaro se sente tão poderoso, que ele se esquece do aviso.
Imagine um par de asas feito de centenas de penas brancas, unidas por cera de abelha amarela grossa. Agora imagine o calor do sol transformando essa cera em líquido, escorrendo como mel enquanto as penas começam a flutuar no céu azul. Esse é o momento que os Gregos chamaram de húbris: o momento em que o sonho se quebra porque você esqueceu seus limites.
Ele voa cada vez mais perto do sol até que a cera derrete, suas asas se desfazem e ele cai no mar. Para os Gregos Antigos, esta era uma história sobre húbris, que é o tipo de orgulho que faz uma pessoa esquecer que é apenas humana.
Eles acreditavam que, quando os humanos sentiam orgulho demais, estavam desafiando os próprios deuses. Isso fazia o orgulho parecer algo muito perigoso de se ter, quase como uma faísca que poderia iniciar um incêndio florestal se você não tomasse cuidado.
Mira says:
"Eu me pergunto se Ícaro realmente sabia que ia cair, mas a sensação de ser orgulhoso e poderoso era simplesmente boa demais para desistir."
No entanto, nem todos na Grécia achavam que o orgulho era um erro. Um pensador famoso chamado Aristóteles olhou para o orgulho de maneira diferente.
Ele não achava que o orgulho fosse um fogo a ser apagado, mas sim um músculo que precisava ser treinado. Aristóteles acreditava em algo chamado Justa Medida (ou Meio-Termo Dourado), que é o ponto médio perfeito entre dois extremos.
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O orgulho é a coroa das virtudes: pois não se encontra sem elas, e as torna maiores.
Aristóteles descreveu uma pessoa que ele chamava de 'Homem de Grande Alma'. Essa era alguém que sabia ser capaz de grandes coisas e não fingia ser pequeno, mas também não se gabava ou agia como se fosse mais do que realmente era.
Para Aristóteles, ter a quantidade certa de orgulho era, na verdade, um sinal de um caráter bom e honesto. Significava que você conhecia seu próprio valor e estava disposto a viver de acordo com ele todos os dias.
Pare um momento para pensar em três coisas das quais você se orgulha. Mas aqui está o desafio: tente escolher uma coisa da qual você se orgulha que mais ninguém sabe que você fez. Talvez você tenha sido paciente com um irmão, ou continuou tentando em um jogo mesmo estando perdendo. Como esse orgulho secreto parece diferente daquele que você compartilha com os outros?
À medida que o tempo avançava para a Idade Média, a forma como as pessoas pensavam sobre o orgulho mudou novamente. Em muitas partes da Europa, o orgulho passou a ser conhecido como um dos erros mais sérios que alguém poderia cometer.
Era frequentemente chamado de 'raiz de todo mal', pois se acreditava que levava a todos os outros problemas, como ganância ou raiva. Durante esse período, o objetivo para muitas pessoas era a humildade, que significava manter-se pequeno e focar nos outros em vez de si mesmo.
Finn says:
"E se nunca sentíssemos orgulho? Pararíamos de tentar fazer coisas difíceis porque não haveria um brilho quente na linha de chegada?"
Se você passasse por uma catedral no ano 1200, talvez visse entalhes em pedra de reis caindo de seus tronos. Esses entalhes tinham o objetivo de lembrar a todos que 'o orgulho vem antes da queda', um ditado famoso que sugere que se você se inflar demais, a vida tem um jeito de te derrubar.
Mas então vieram os anos 1600, e um filósofo chamado Baruch Spinoza começou a olhar para a mente humana de uma maneira nova e científica. Ele não via o orgulho como um pecado ou uma armadilha, mas sim como uma forma de alegria.
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O orgulho é a alegria que surge de um homem ter uma opinião muito alta de si mesmo.
Spinoza pensava que quando nos sentimos orgulhosos, estamos simplesmente notando que nos tornamos mais capazes ou mais poderosos do que éramos antes. Se você aprende a andar de bicicleta, você é literalmente mais poderoso do que quando só conseguia andar, e seu cérebro te recompensa com uma dose de orgulho.
Essa mudança foi importante porque começou a tratar o orgulho como uma parte natural de ser humano. Em vez de temer o sentimento, as pessoas começaram a perguntar como ele poderia nos ajudar a crescer e aprender.
Orgulho é sobre o trabalho que você se dedicou. Diz: 'Estou feliz porque fiz o meu melhor.' Faz você querer continuar praticando e crescendo.
Vaidade é sobre a atenção que você recebe. Diz: 'Estou feliz porque as pessoas estão olhando para mim.' Faz você se preocupar mais com o que os outros pensam do que com o que você realmente faz.
No século XVIII, um filósofo escocês chamado David Hume levou essa ideia adiante. Ele notou algo muito interessante sobre o orgulho: nós quase nunca o sentimos inteiramente sozinhos.
Pense em uma hora em que você fez um desenho lindo. Você pode sentir um pouco de orgulho enquanto o trabalha, mas esse sentimento geralmente explode quando você o mostra a um amigo ou a um dos pais e eles veem o que você fez.
Hume acreditava que o orgulho é como um espelho. Vemos a nós mesmos através dos olhos de outras pessoas, e o reconhecimento delas nos ajuda a entender quem somos.
Cientistas descobriram que pessoas em todo o mundo fazem a mesma 'postura de orgulho' sem serem ensinadas! Até mesmo pessoas que são cegas desde o nascimento levantarão o queixo, colocarão as mãos na cintura e estufarão o peito quando alcançam algo. Isso sugere que o orgulho está codificado em nossos corpos.
Ele argumentou que o orgulho é uma 'cola social' porque nos faz querer fazer coisas que os outros valorizam. Trabalhamos duro, somos gentis e criamos coisas porque queremos sentir aquele brilho quente de sermos vistos e apreciados pela nossa comunidade.
O Orgulho Através das Eras
Ao entrarmos no século XX, os psicólogos começaram a distinguir entre dois tipos de orgulho muito diferentes. Eles os chamaram de orgulho autêntico e orgulho da arrogância (ou húbris).
Orgulho autêntico é o sentimento que você obtém de trabalho duro e esforço. Soa como: 'Eu fiz um bom trabalho porque treinei todos os dias.' Esse tipo de orgulho ajuda crianças e adultos a se manterem motivados e a se sentirem bem com suas habilidades.
Orgulho da arrogância, por outro lado, é sobre status e ser melhor que os outros. Soa como: 'Eu sou naturalmente melhor que você, e é por isso que ganhei.' Este é o tipo de orgulho que muitas vezes leva ao bullying ou à solidão, porque afasta os outros em vez de uni-los.
Mira says:
"Acho que o orgulho autêntico é como um cobertor quente que você tece para si mesmo, uma pequena conquista de cada vez, até se sentir seguro e certo de quem você é."
No final da década de 1960, a palavra 'Orgulho' ganhou um significado totalmente novo durante a Revolta de Stonewall, em Nova York. Por muito tempo, certos grupos de pessoas foram instruídos a sentir vergonha de quem eram ou de quem amavam.
Ativistas como Marsha P. Johnson decidiram virar esse sentimento de cabeça para baixo. Eles escolheram a palavra 'Orgulho' não para dizer que eram melhores que qualquer outra pessoa, mas para dizer que se recusavam a sentir vergonha.
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Nenhum orgulho para alguns de nós sem libertação para todos nós.
Esse tipo de orgulho coletivo é diferente do orgulho que você sente por ganhar uma corrida. É um sentimento compartilhado de dignidade. É o som de um grupo de pessoas dizendo: 'Nós estamos aqui, fazemos parte da família humana, e temos valor.'
Hoje, vemos isso durante o Mês do Orgulho, mas também vemos em times esportivos, em festivais culturais e até em salas de aula. É o sentimento de pertencer a algo maior do que você mesmo e de ter orgulho do que aquele grupo representa.
No reino animal, usamos a palavra 'alcateia' (em inglês, 'pride') para descrever um grupo de leões. Embora os leões não sintam orgulho como os humanos, eles sobrevivem porque trabalham juntos como uma família. De certa forma, o 'orgulho coletivo' humano é muito parecido: é a força que encontramos quando estamos juntos.
Então, o orgulho é algo bom ou ruim? A maioria dos pensadores modernos acredita que é ambos. É um motor poderoso que pode nos impulsionar a fazer o nosso melhor trabalho e nos ajudar a defender a nós mesmos quando as coisas são injustas.
Mas, como qualquer motor, ele precisa ser dirigido. Se o orgulho se baseia no quanto trabalhamos e em como tratamos os outros, ele age como uma bússola, apontando-nos para a melhor versão de nós mesmos.
Se permitirmos que ele se torne uma forma de olhar para baixo sobre os outros, podemos nos encontrar como Ícaro, voando um pouco alto demais e perdendo o contato com o chão. O segredo parece estar no equilíbrio: ficar de pé sem pisar nos pés de ninguém.
Algo para Pensar
Se você fosse a única pessoa restante na Terra, você ainda sentiria orgulho das coisas que faz?
Não há resposta certa ou errada para isso. Algumas pessoas pensam que o orgulho é um presente que damos a nós mesmos, enquanto outras acham que é um presente que recebemos por sermos vistos pelos outros. O que você acha?
Perguntas sobre Psicologia
Ser orgulhoso é o mesmo que ser exibicionista?
Por que as pessoas dizem que o orgulho é algo ruim?
Como posso ajudar um amigo a se sentir orgulhoso?
O Brilho Infinito
O orgulho é uma emoção complicada porque é tanto um sentimento privado quanto um público. Pode ser o sorriso calado que você tem quando finalmente amarra seus sapatos, ou o grito alto de mil pessoas marchando por seus direitos. Conforme você segue seu dia, preste atenção àquele brilho quente no seu peito. Ele está lhe dizendo que você fez algo difícil? Está lhe lembrando que você importa? Seja o que for, é parte da longa história humana de descobrir quem somos e o que podemos alcançar.