Você já viu um amigo bater o dedinho do pé e sentiu um pequeno 'ai' no seu próprio pé, mesmo sem ter batido em nada?

Esse sentimento estranho e mágico se chama empatia, uma palavra que descreve nossa capacidade de entender e compartilhar os sentimentos de outra pessoa. É uma das ferramentas mais importantes da psicologia porque age como uma ponte entre o nosso mundo particular e o mundo de outra pessoa.

Imagine que você está em uma galeria de arte grandiosa e silenciosa, na Alemanha, no ano de 1873. Um filósofo chamado Robert Vischer está olhando para uma pintura de uma árvore solitária, chicoteada pelo vento. Ele percebe algo estranho: ele não está apenas olhando para a árvore, ele sente como se estivesse dentro dela, esticando seus membros como os galhos.

Imagine isso
Uma criança imitando o formato de uma árvore em uma pintura

Imagine que você está olhando para uma foto de alguém caindo em uma poça. Você pode realmente se encolher ou fazer uma careta. Isso é você 'sentindo para dentro' da imagem, assim como Robert Vischer fez com a árvore!

Vischer usou a palavra Einfühlung para descrever isso, que significa "sentir para dentro". Ele acreditava que os humanos têm um poder especial de projetar seus próprios sentimentos em objetos, animais e outras pessoas. Este foi o exato começo de como começamos a estudar a empatia como uma ideia séria.

No início, as pessoas nem usavam a palavra empatia. Em vez disso, falavam em simpatia, que vem de palavras gregas que significam "sofrer junto". Mas há uma pequena e importante diferença entre sentir pena de alguém e realmente sentir o que a pessoa sente.

Edith Stein

A empatia é uma experiência da experiência do outro.

Edith Stein

Edith Stein era uma filósofa que queria entender como sabemos que outras pessoas existem como seres pensantes e sencientes. Ela argumentou que a empatia é a única maneira de realmente apreender que outra pessoa tem uma vida interior tão real quanto a nossa.

O Mistério do Espelho

Por muito tempo, os cientistas se perguntaram como nossos cérebros realmente fazem esse truque de "sentir para dentro". É algo que apenas imaginamos, ou está realmente acontecendo em nossos corpos? Na década de 1990, um grupo de cientistas na Itália estava estudando o cérebro de macacos-rhesus quando fizeram uma descoberta chocante por acidente.

Finn

Finn says:

"Espera aí, se meu cérebro está 'espelhando' um macaco comendo uma banana, será que meu cérebro pensa que eu realmente estou comendo? Isso é meio que um superpoder!"

Eles encontraram células especiais chamadas neurônios-espelho que são ativadas no cérebro tanto quando você executa uma ação quanto quando você vê outra pessoa realizando a mesma ação. Se você vê um amigo morder um limão suculento, seu cérebro reage quase como se fosse você quem estivesse provando o suco azedo. Seu cérebro está literalmente espelhando o mundo ao seu redor.

Você sabia?
Neurônios brilhantes em forma de sorriso

Os neurônios-espelho não funcionam apenas para dor física ou ações. Eles também funcionam para emoções! Se você entra em uma sala onde todos estão rindo, seus neurônios-espelho ajudam você a sentir essa alegria antes mesmo de saber qual era a piada.

Esses neurônios são como um atalho biológico para entender os outros. Eles nos ajudam a aprender a amarrar os sapatos assistindo outra pessoa, mas também nos ajudam a pegar um bocejo ou um sorriso. Essa descoberta mostrou que nossos cérebros são programados para serem sociais e conectados desde o início.

A Ética do Cuidado

Enquanto os cientistas olhavam para as células cerebrais, outros pensadores estavam examinando como a empatia muda a maneira como tratamos uns aos outros. Por muito tempo, as pessoas pensaram que ser "bom" significava apenas seguir um conjunto de regras estritas. Mas uma psicóloga chamada Carol Gilligan sugeriu algo diferente.

Carol Gilligan

Em uma voz diferente, ouvimos uma história diferente.

Carol Gilligan

Gilligan percebeu que a maioria dos psicólogos estudava apenas como meninos e homens pensavam sobre regras. Ela queria mostrar que ouvir diferentes perspectivas, especialmente aquelas focadas em cuidado e conexão, muda a maneira como vemos o mundo inteiro.

Gilligan falou sobre a ética do cuidado, que é a ideia de que nossas escolhas morais devem ser baseadas em nossos relacionamentos e em como nossas ações afetam os outros. Em vez de apenas perguntar "Qual é a regra?", ela nos incentivava a perguntar "Como essa pessoa se sente?". Essa mudança colocou a empatia no centro de como decidimos ser gentis.

Dois lados
Simpatia

Foca em 'sentir por' alguém. Você pode sentir pena ou tristeza porque a pessoa está sofrendo, mas você permanece do seu lado da ponte.

Empatia

Foca em 'sentir com' alguém. Você tenta atravessar a ponte e entender como é estar no lugar dela.

Quando usamos a empatia, estamos fazendo algo chamado tomada de perspectiva. É como colocar um par de óculos que permite que você veja o mundo pelos olhos de outra pessoa. Não significa que você precise concordar com ela, mas significa que você entende por que ela pode estar se sentindo de uma certa maneira.

A Coragem de Não Saber

Uma das partes mais difíceis da empatia é perceber que nunca poderemos saber de verdade, 100%, o que está acontecendo dentro da cabeça de outra pessoa. Às vezes, nos esforçamos tanto para ser empáticos que começamos a adivinhar ou a supor que temos todas as respostas. Um psicólogo chamado Donald Winnicott achava que era realmente melhor ser curioso e incerto.

Mira

Mira says:

"Eu acho que é mais útil quando alguém diz 'Eu não sei exatamente como você se sente, mas estou aqui'. Me faz sentir que a pessoa está realmente ouvindo."

Winnicott acreditava que, para realmente ajudar alguém, precisamos abrir espaço para as partes dela que ainda não entendemos. Empatia não é ser um leitor de mentes que acerta tudo. É ficar perto de alguém mesmo quando os sentimentos dela são confusos ou complicados.

Donald Winnicott

É uma alegria estar escondido e um desastre não ser encontrado.

Donald Winnicott

Winnicott era um médico de crianças que acreditava que todos nós temos um 'verdadeiro eu' escondido por dentro. Ele sentia que a empatia é a maneira como nós 'encontramos' uns aos outros, tornando seguro para as pessoas mostrarem quem realmente são.

Através das Eras

Grécia Antiga
O conceito de 'Xenia' ou hospitalidade ritualizada encorajava as pessoas a mostrar gentileza e empatia aos estranhos, acreditando que poderiam ser deuses disfarçados.
1759
Adam Smith escreve sobre 'sentimento mútuo' na Escócia, argumentando que usamos nossa imaginação para nos colocar na posição dos outros para entender sua dor ou alegria.
1909
A psicóloga Edward Titchener traduz a palavra alemã 'Einfühlung' para a palavra inglesa 'empathy' pela primeira vez.
1992
Neurocientistas na Itália descobrem os neurônios-espelho, fornecendo a primeira evidência biológica de como nossos cérebros 'sincronizam' com os outros.

Como Praticar Seus Músculos de Empatia

Pense na empatia como um músculo: quanto mais você a usa, mais forte ela fica. Uma das melhores maneiras de praticar é através da escuta ativa, que é quando você ouve alguém sem tentar consertar o problema dela ou falar sobre você mesmo. Você está apenas lá para testemunhar a experiência dela.

Tente isso

O Desafio do 'Sem Conserto': Da próxima vez que um amigo lhe contar sobre um problema, tente não dar conselhos. Em vez disso, apenas diga: 'Parece muito [triste/difícil/irritante]. Fico feliz que você me contou.' Veja como isso muda a reação dele!

Outra maneira de desenvolver sua empatia é através da autoconsciência. Se você não sabe como se sente, é muito mais difícil reconhecer esses sentimentos nos outros. Quando você sentir uma emoção forte, como frustração ou empolgação, tente nomeá-la. Depois de saber como a frustração se parece no seu corpo, você poderá notá-la mais facilmente em um colega de time ou em um irmão.

Finn

Finn says:

"Então, se eu praticar ser um bom ouvinte hoje, isso significa que meus músculos de construção de pontes estarão mais fortes amanhã?"

A empatia também requer validação, que é uma palavra chique para dizer a alguém que os sentimentos dela fazem sentido. Você não precisa achar que uma situação é um grande problema para reconhecer que parece um grande problema para seu amigo. Dizer "Eu posso ver por que isso te deixou triste" é como construir uma prancha firme naquela ponte invisível.

Expandindo o Círculo

Geralmente é fácil sentir empatia pelos nossos melhores amigos ou pais. Mas o verdadeiro desafio da inteligência social é demonstrar empatia por pessoas que são diferentes de nós. Isso pode ser alguém que vive em outro país, alguém que tem hobbies diferentes ou até mesmo alguém de quem não gostamos muito.

Você sabia?
Uma criança lendo um livro com personagens de histórias ao redor

Estudos mostram que ler livros de ficção realmente aumenta sua empatia! Ao viver através dos personagens nas histórias, você está praticando seus músculos de 'tomada de perspectiva' para o mundo real.

A história nos mostra que, quando as pessoas param de usar a empatia, elas começam a ver os outros como "diferentes" ou "inferiores". Mas quando usamos nossa imaginação para nos perguntar sobre a vida de outra pessoa, o mundo parece um pouco menor e muito mais conectado. Percebemos que todos estão carregando sua própria mochila invisível de histórias e sentimentos.

A empatia não nos torna apenas pessoas mais legais: ela nos torna mais espertos sobre como o mundo funciona. Ela nos permite resolver problemas juntos porque podemos ver todos os lados diferentes de um quebra-cabeça. É o poder silencioso que transforma um grupo de estranhos em uma comunidade.

Algo para Pensar

Se você pudesse ver o mundo pelos olhos de qualquer animal ou pessoa por apenas dez minutos, quem você escolheria?

Não há resposta certa aqui. A empatia é uma jornada de admiração, e ser curioso sobre outra vida é o primeiro passo através da ponte.

Perguntas sobre Psicologia

Empatia é a mesma coisa que ser legal?
Não exatamente. Ser legal diz respeito ao seu comportamento, mas a empatia diz respeito à sua compreensão interna. Você pode ser empático e ainda assim precisar estabelecer um limite firme ou discordar de alguém.
Pode-se ter empatia demais?
Às vezes, se sentimos a dor dos outros profundamente demais, podemos ficar sobrecarregados. Isso é chamado de 'fadiga por empatia', e é importante lembrar de ser empático consigo mesmo e fazer pausas também.
Algumas pessoas nascem sem empatia?
A maioria das pessoas nasce com a capacidade de empatia, mas como qualquer habilidade, ela precisa ser praticada para crescer. O cérebro de algumas pessoas funciona de maneira diferente, então elas podem expressar sua empatia de maneiras que não parecem 'tradicionais', mas ainda são muito reais.

Construindo Sua Ponte

Da próxima vez que você vir alguém que parece solitário, bravo ou até mesmo muito quieto, lembre-se da ponte invisível. Você não precisa ter todas as respostas ou saber exatamente o que dizer. Apenas ser curioso sobre como é estar no lugar da outra pessoa é a maneira mais poderosa de começar uma conexão. O mundo está cheio de bilhões de histórias diferentes, e a empatia é a chave que nos permite lê-las.