Se tudo o que você possuía fosse tirado, o que sobraria para você?
Viktor Frankl foi um médico que viveu um dos momentos mais sombrios da história. Ele descobriu que mesmo quando perdemos nossa liberdade, ainda temos o poder de escolher nossa atitude. Suas ideias criaram um novo tipo de psicologia chamado Logoterapia, que ajuda as pessoas a encontrar um 'porquê' para suas vidas.
Imagine caminhar pelas ruas de Viena há cerca de cem anos. A cidade estava cheia de música, prédios grandiosos e pessoas conversando sobre grandes ideias em cafés lotados. Foi lá que Viktor Frankl cresceu, um menino curioso que adorava fazer perguntas sem respostas fáceis.
Imagine um jovem Viktor sentado à mesa de jantar em 1910. Enquanto outras crianças brincam com soldadinhos de chumbo, ele está ouvindo seus pais discutirem filosofia. Aos 16 anos, ele já estava escrevendo cartas para Sigmund Freud, o psicólogo mais famoso do mundo, para compartilhar suas próprias teorias sobre a mente.
O jovem Viktor era fascinado pela mente humana. Ele se perguntava por que algumas pessoas pareciam felizes enquanto outras se sentiam perdidas. Ele acabou se tornando um médico especializado em psiquiatria, que é o estudo de como as pessoas pensam, sentem e se comportam. Ele queria ajudar pessoas que sentiam que suas vidas não importavam.
Naquela época, pensadores famosos como Sigmund Freud acreditavam que as pessoas eram movidas principalmente pelo desejo de prazer. Outro pensador, Alfred Adler, achava que as pessoas eram movidas pelo desejo de poder. Viktor via as coisas de forma diferente. Ele acreditava que os humanos têm uma vontade de sentido, o que significa que nossa necessidade mais profunda é encontrar uma razão para estarmos aqui.
Finn says:
"Se todo mundo está procurando um 'porquê', isso significa que há uma resposta diferente para cada pessoa? Isso parece muitas respostas para acompanhar!"
A vida de Viktor mudou para sempre durante a Segunda Guerra Mundial. Como ele era judeu, ele e sua família foram levados pelo governo nazista e enviados para campos de concentração. Eram prisões terríveis e injustas onde as pessoas eram tratadas muito mal e não tinham quase nada de seu.
![]()
Tudo pode ser tirado de um homem, exceto uma coisa: a última das liberdades humanas - escolher sua atitude em qualquer circunstância dada.
Enquanto estava nos campos, Viktor notou algo incrível e estranho. Algumas pessoas que eram fisicamente fortes desistiram da esperança rapidamente. Mas outras, que estavam magras e fracas, encontravam força para continuar. Ele percebeu que a diferença, muitas vezes, era um senso de propósito.
Antes de ser enviado para os campos, Viktor havia escrito um livro inteiro sobre suas novas teorias. Os nazistas pegaram o manuscrito e o destruíram. Para manter a mente afiada e a esperança viva, ele passava as noites no campo reescrevendo mentalmente o livro, usando pequenos pedaços de papel para anotar notas em taquigrafia.
Viktor passava seu tempo nos campos observando secretamente as pessoas ao seu redor. Ele se tornou uma espécie de detetive do espírito humano. Ele viu que aqueles que tinham um 'porquê' – como um filho esperando por eles, um livro que precisavam terminar, ou um sonho de ajudar os outros – tinham mais chances de sobreviver.
Mira says:
"É como se sua mente fosse um jardim secreto que ninguém mais pode visitar a menos que você os deixe entrar. Mesmo em um lugar assustador, você ainda pode imaginar coisas bonitas."
Isso levou Viktor à sua descoberta mais famosa, que ele chamou de A Última Liberdade Humana. Ele percebeu que, mesmo que uma pessoa esteja presa em um quarto e não tenha controle sobre seu ambiente, ela ainda é dona de seu mundo interior. Ela pode escolher como pensar sobre sua situação.
Na próxima vez que algo o frustrar, como um problema difícil de matemática ou um jogo de futebol cancelado pela chuva, tente encontrar o 'espaço'. Respire fundo três vezes. Nesses momentos, lembre-se de que você escolhe sua reação. Você será um 'Capitão Rabugento' ou um 'Explorador Corajoso'?
Viktor falava frequentemente sobre o 'espaço' entre o que nos acontece e como reagimos. No mundo da ciência, chamamos o que acontece de estímulo. Como agimos é a resposta. Viktor acreditava que naquele pequeno espaço entre os dois, somos completamente livres.
![]()
Entre o estímulo e a resposta há um espaço. Nesse espaço está nosso poder de escolher nossa resposta.
Após a guerra, Viktor voltou a Viena e escreveu um livro chamado Em Busca de Sentido. Ele queria compartilhar o que aprendeu com o mundo. Ele desenvolveu uma forma de ajudar as pessoas chamada Logoterapia, da palavra grega logos, que significa 'sentido' ou 'palavra'.
Através das Eras: A Ideia de Sentido
Viktor não achava que o sentido era algo que você apenas 'encontrava' como um tesouro escondido. Ele acreditava que era algo que você poderia criar através de suas ações. Ele identificou três maneiras principais pelas quais as pessoas encontram sentido em suas vidas.
Primeiro, encontramos sentido criando algo ou realizando um feito. Isso pode ser escrever uma história, construir uma torre de Lego ou ajudar um amigo com o dever de casa. Quando colocamos nossa energia para fazer algo existir que não estava lá antes, sentimos um senso de propósito.
Muitas pessoas acreditam que o sentido é algo que se encontra fora de si, como um trabalho que você deve ter ou uma pessoa específica que você deve ajudar.
Viktor Frankl sugeriu que o sentido não está 'lá fora' esperando por nós. Em vez disso, nós o criamos pela maneira como respondemos ao mundo ao nosso redor todos os dias.
Segundo, encontramos sentido vivenciando algo ou encontrando alguém. Isso significa realmente notar a beleza de um pôr do sol, ouvir uma música bonita ou sentir o amor de um membro da família. Viktor acreditava que apenas ser testemunha de algo bom é um ato com sentido.
Mira says:
"Acho que entendi. Às vezes, apenas estar lá para um animal de estimação ou notar o quão verde está a grama é um 'porquê' suficiente para uma manhã de terça-feira."
Terceiro, e talvez o mais importante, encontramos sentido através da nossa atitude diante do sofrimento inevitável. Esta é a parte mais difícil de sua filosofia. Ele acreditava que quando não podemos mudar uma situação, somos desafiados a mudar a nós mesmos.
![]()
Quando não somos mais capazes de mudar uma situação, somos desafiados a mudar a nós mesmos.
Viktor chamou isso de otimismo trágico. É a ideia de que podemos permanecer esperançosos mesmo quando as coisas estão dando errado. Não se trata de fingir que tudo está bem. Trata-se de dizer: 'Isto é muito difícil, mas vou encontrar uma maneira de ser corajoso mesmo assim.'
Viktor Frankl não era apenas um pensador; ele também era um alpinista! Ele adorava o desafio físico de escalar os Alpes perto de Viena. Ele costumava dizer que estar em uma montanha o ajudava a ver o mundo de longe, fazendo seus problemas parecerem menores e seu propósito mais claro.
Hoje, as ideias de Viktor Frankl fazem parte de um ramo da psicologia chamado existencialismo. Isso soa como uma palavra grande, mas significa apenas o estudo de como existimos e fazemos escolhas. Ele nos mostrou que não somos apenas fantoches sendo puxados pelas cordas do nosso passado ou do nosso ambiente.
Somos mais como capitães de um navio. Podemos não conseguir controlar o tempo ou as ondas, mas somos nós que decidimos para que lado virar o leme. Viktor viveu até os 92 anos, ensinando às pessoas que a vida sempre tem sentido, não importa o quê.
Algo para Pensar
Se você pudesse escolher um 'porquê' para focar esta semana, qual seria?
Viktor acreditava que o sentido de cada pessoa é único. Pode ser algo grande, como ajudar o meio ambiente, ou algo pequeno, como fazer seu irmão ou irmã rir. Não há resposta certa ou errada, apenas o que parece verdadeiro para você.
Perguntas sobre Psicologia
A Logoterapia ainda é usada hoje?
Como uma criança de 8 anos pode encontrar sentido?
E se eu não conseguir encontrar um 'porquê' agora?
O Capitão da Sua Alma
A história de Viktor Frankl é um lembrete de que somos mais poderosos do que pensamos. A vida sempre trará tempestades e dias ensolarados, mas a luz que carregamos por dentro – o nosso 'porquê' – é algo que nunca pode ser tirado de nós. Continue fazendo suas grandes perguntas e lembre-se de que você sempre tem o poder de escolher o seu próprio caminho.