Você já olhou para uma formiguinha na calçada e decidiu passar por cima dela em vez de pisar nela?

Aquele pequeno momento de bondade está no coração do Jainismo, uma das religiões mais antigas do mundo. Nascido na antiga Índia, este modo de vida ensina que todo ser vivo tem uma alma e merece ser tratado com profundo respeito e cuidado.

Imagine que você está em uma cidade movimentada na Índia, mais de 2.500 anos atrás. O ar está carregado com o cheiro de especiarias e o som das rodas de carruagens sobre as pedras.

Neste mundo, as pessoas faziam grandes perguntas sobre a vida, a morte e como ser bom. Entre elas estava um homem chamado Vardhamana, que mais tarde seria conhecido como Mahavira.

Imagine isso
Ilustração de alguém pisando com cuidado para evitar machucar um pequeno inseto.

Imagine um mundo onde as pessoas não apenas evitam machucar os outros, mas realmente tentam não machucar nada. Imagine andar tão suavemente que você nem esmaga uma folha de grama. Esse é o mundo que os Jainas tentam construir.

Mahavira nasceu príncipe, cercado por ouro e seda. Mas ele sentia que a verdadeira felicidade não vinha das coisas que ele podia possuir.

Ele deixou seu palácio para trás para viver uma vida simples, passando anos em pensamentos silenciosos. Ele queria entender por que as pessoas sofrem e como encontrar um caminho para a paz perfeita.

Finn

Finn says:

"Então, Mahavira era um príncipe que decidiu que ser uma pessoa comum com um coração gentil era mais importante do que ter uma coroa? Isso parece uma escolha difícil de fazer."

Os Construtores da Travessia

Os Jainas acreditam que Mahavira não foi a primeira pessoa a ensinar essas ideias. Eles falam de 24 grandes mestres chamados Tirthankaras.

Essa palavra significa 'construtores de vaus'. Um vau é um lugar raso em um rio onde você pode atravessar para o outro lado em segurança.

Mahavira

Nenhuma criatura que respira, existe, vive, ou sensível deve ser morta, nem tratada com violência, nem abusada, nem atormentada, nem afastada.

Mahavira

Este é um dos ensinamentos mais famosos do 24º Tirthankara. Ele disse isso para lembrar seus seguidores que todo ser sente dor e quer viver, assim como nós.

Esses mestres são como guias que nos mostram como atravessar o 'rio' das muitas dificuldades da vida. Eles não queriam ser adorados como deuses.

Em vez disso, queriam mostrar que todo ser humano tem o potencial de se iluminar. Seguindo o exemplo deles, qualquer um pode encontrar clareza e bondade.

Você sabia?
Estátuas de mestres Jainas com seus símbolos animais únicos.

Os Tirthankaras são frequentemente mostrados em estátuas sentados em perfeita quietude. Geralmente são mostrados com um pequeno símbolo no peito ou na base, como um leão, um elefante ou um touro, para que as pessoas saibam de qual mestre se trata!

Ahimsa: O Poder de Não Ferir

Se há uma palavra que você deve lembrar sobre o Jainismo, é Ahimsa. Muitas vezes é traduzida como 'não-violência', mas significa muito mais do que apenas não brigar.

Ahimsa é um tipo radical de amor por todos os seres vivos. É a crença de que toda alma, de uma baleia gigante a um germe microscópico, é igual.

Você sabia?

Alguns Jainas usam uma máscara de pano branco chamada 'muhpatti' sobre a boca. Isso não é por causa de germes, é para garantir que não respirem acidentalmente e matem pequenos insetos que flutuam no ar!

Para um Jaina, praticar Ahimsa significa ser cuidadoso com suas ações, suas palavras e até mesmo seus pensamentos. Eles acreditam que até mesmo pensar um pensamento maldoso pode deixar uma marca na sua alma.

É por isso que alguns monges e freiras Jainas muito dedicados carregam pincéis macios. Eles varrem suavemente o chão antes de pisar para garantir que não machuquem acidentalmente um inseto.

Mira

Mira says:

"É como se eles vissem o mundo inteiro como uma teia gigante. Se você puxa um fio minúsculo sendo rude com um inseto, a teia inteira sente o abalo."

O Mundo Pegajoso do Karma

Por que é importante sermos gentis? Os Jainas têm uma visão muito específica do Karma.

Em algumas tradições, o karma é como uma pontuação de boas e más ações. No Jainismo, o karma é mais como uma substância física: uma poeira fina e invisível que gruda na sua alma.

Tente isso
Uma criança praticando um exercício de respiração calmante.

Da próxima vez que você sentir muita raiva, imagine um pedacinho de poeira escura descendo e grudando no seu ombro. Agora, respire fundo e imagine que, à medida que você se acalma, você está soprando suavemente essa poeira para longe. Como sua 'alma' se sente agora?

Quando nos sentimos com raiva, gananciosos ou maus, nossa alma fica 'pegajosa'. Isso atrai a poeira pesada do karma, que nos sobrecarrega e nos impede de ser verdadeiramente livres.

Pela prática da bondade e mantendo a calma, impedimos que mais poeira se acumule. Eventualmente, podemos limpar nossas almas completamente, tornando-nos leves o suficiente para alcançar um estado de felicidade perfeita.

Hemachandra

Em cada objeto há uma multidão de qualidades.

Hemachandra

Hemachandra foi um grande estudioso e poeta Jaina. Ele escreveu isso para explicar que o mundo é muito mais complexo do que parece, e devemos sempre manter a mente aberta.

O Elefante e os Cegos

O Jainismo também ensina uma ideia muito legal chamada Anekantavada. Essa é uma palavra grande, mas significa apenas 'multifacetada'.

É a ideia de que nenhuma pessoa sozinha tem a verdade completa. Para explicar isso, os Jainas contam uma história famosa sobre vários homens que nunca viram um elefante antes.

Dois lados
O Rabo do Elefante

Uma pessoa pode dizer que o elefante é como uma corda porque só sente o rabo. Ela está dizendo a verdade sobre sua própria experiência.

O Elefante Inteiro

Uma pessoa parada mais longe pode ver o rabo, as orelhas e a tromba. Ela percebe que todos os outros têm uma peça do quebra-cabeça, mas ninguém tem tudo.

Um homem toca a tromba e diz: 'Um elefante é como uma cobra grossa!' Outro toca a perna e diz: 'Não, um elefante é como o tronco de uma árvore!'

Um terceiro toca a orelha e insiste: 'Vocês estão errados, um elefante é como um leque gigante!' Cada pessoa está certa sobre o que sente, mas todos estão errados sobre o elefante inteiro.

Finn

Finn says:

"A história do elefante faz todo o sentido. Acho que da próxima vez que eu brigar com minha irmã, devo perguntar de qual parte do elefante ela está segurando!"

Os Jainas acreditam que devemos ouvir os outros porque eles podem estar vendo uma parte do 'elefante' que nós não conseguimos ver. Isso torna os Jainas muito pacíficos e abertos a ideias diferentes.

Se você entende que só tem uma parte da verdade, você tem muito menos probabilidade de começar uma briga com alguém que discorda de você.

Como os Jainas Vivem Hoje

Existem milhões de Jainas vivendo hoje, principalmente na Índia, mas também em todo o mundo. Eles não vivem todos em cavernas ou varrendo o chão com pincéis.

A maioria dos Jainas são 'leigos' que têm empregos, frequentam a escola e moram em casas. Mas eles ainda seguem os princípios centrais de sua fé todos os dias.

O Jainismo Através das Eras

Tempo Antigo Desconhecido
Os Jainas acreditam que sua religião não tem começo e tem sido ensinada por 24 Tirthankaras ao longo de milhões de anos.
c. 599-527 AEC
A vida de Mahavira, o 24º mestre, que viveu na Índia e espalhou os ensinamentos de Ahimsa por toda parte.
c. 300 AEC
O Jainismo se divide em dois grupos principais: os Digambara (que não usam roupas para mostrar que não possuem nada) e os Svetambara (que usam branco).
Séculos 19-20
Ideias Jainas influenciam líderes como Mahatma Gandhi e Martin Luther King Jr. em seus protestos pacíficos por justiça.
Hoje
Mais de 4 milhões de Jainas vivem globalmente, continuando a tradição da não-violência, vegetarianismo e meditação.

A maioria dos Jainas segue uma dieta estritamente vegetariana. Muitos vão além e não comem vegetais de raiz como batatas ou cebolas.

Isso ocorre porque arrancar uma raiz do solo mata a planta inteira e perturba as pequenas criaturas que vivem no solo. Em vez disso, eles comem frutas e grãos que podem ser colhidos sem acabar com a vida da planta.

Mahatma Gandhi

A não-violência é a maior força à disposição da humanidade.

Mahatma Gandhi

Embora Gandhi fosse Hindu, ele foi profundamente influenciado por amigos e ideias Jainas. Ele usou o conceito Jaina de Ahimsa para ajudar a liderar a Índia à independência sem uma guerra.

O Jainismo também incentiva Aparigraha, o que significa não ser ganancioso. É a ideia de que só devemos pegar o que realmente precisamos.

Em um mundo onde muitas vezes nos dizem para comprar cada vez mais, os Jainas nos lembram que as 'coisas' não nos definem. Estar satisfeito com menos deixa mais espaço em nossos corações para os outros.

Algo para Pensar

Se você acreditasse que cada coisa ao seu redor tem uma alma, como você mudaria a maneira como anda pelo seu bairro hoje?

Não há uma resposta certa ou errada. Apenas imagine como o mundo pareceria se você tratasse cada pedrinha, planta e pessoa com o mesmo respeito profundo.

Perguntas sobre Religião

Os Jainas acreditam em Deus?
Os Jainas não acreditam em um único deus criador que fez o mundo. Em vez disso, eles acreditam que cada alma tem o potencial de se tornar 'semelhante a Deus' ao alcançar um estado de conhecimento e paz perfeitos por meio de seus próprios esforços.
Por que os Jainas são tão focados em insetos?
Os Jainas acreditam que até as menores criaturas têm uma alma (Jiva) e sentem dor. Ao proteger os insetos, eles praticam a disciplina da consciência constante e da bondade, o que os ajuda a se tornarem pessoas melhores no geral.
Qual é o símbolo principal do Jainismo?
O símbolo mais comum é uma palma aberta com uma roda no centro. A mão representa uma bênção e o sinal de 'pare' para se manter atento, enquanto a roda representa o ciclo de nascimento e o caminho para acabar com o sofrimento através da não-violência.

Um Mundo de Maravilhas Silenciosas

O Jainismo nos pede para desacelerar e notar a vida que está acontecendo ao nosso redor. Ensina que ser poderoso não significa ter mais brinquedos ou vencer todas as brigas, significa ter a força para ser gentil. Enquanto você passa o seu dia, lembre-se da história do elefante: sempre há mais na história do que o que você pode ver agora.