E se o mundo não fosse um planeta flutuando no espaço, mas sim uma série de reinos secretos escondidos entre as raízes de uma árvore gigante?
Para os Vikings, pessoas que viveram na Escandinávia há mais de mil anos, o universo era um lugar de magia selvagem e sombras misteriosas. Eles contavam histórias em nórdico antigo sobre deuses que eram corajosos, mas imperfeitos, gigantes que eram tão antigos quanto o tempo, e um futuro que já estava escrito nas estrelas.
Imagine uma noite gelada em uma casa longa de madeira na Noruega, no ano 900. Do lado de fora, o vento uiva por entre os pinheiros e a Aurora Boreal dança no céu como um fogo fantasmagórico.
Lá dentro, um contador de histórias começa um conto sobre o início de tudo: um gigante feito de gelo e uma vaca que deu origem ao mundo ao lamber o gelo. Essas histórias eram a forma como as pessoas do Norte entendiam a beleza e os perigos de seu mundo.
Imagine a Bifröst: uma ponte cintilante feita de um arco-íris flamejante que conecta o mundo dos humanos à morada dos deuses. Ela é guardada por Heimdall, um deus que consegue ouvir a grama crescendo e enxergar a cem milhas de distância no escuro.
No centro deste universo ficava Yggdrasil, a Árvore do Mundo. Esta não era uma árvore comum que você encontraria em um parque, mas um freixo colossal que segurava os Nove Mundos em seus galhos e raízes.
Tudo estava conectado por esta árvore: desde as folhas mais altas, onde os deuses viviam, até as raízes mais profundas, onde dragões roíam a madeira.
Finn says:
"Se Yggdrasil é uma árvore que sustenta todo o universo, em que tipo de solo suas raízes estão plantadas? Existe algo ainda maior lá embaixo?"
Os Nove Mundos eram muito diferentes entre si. No meio ficava Midgard, o mundo dos humanos, que era cercado por um oceano gigante e uma serpente imensa que mordia a própria cauda.
Acima de Midgard ficava Asgard, uma fortaleza brilhante onde os deuses principais, conhecidos como os Aesir, passavam seus dias treinando para batalhas e banqueteando em grandes salões.
Em muitas línguas, como o inglês, os dias da semana têm nomes de deuses nórdicos! Tuesday (terça) é o dia de Tiw (deus da guerra), Wednesday (quarta) é o dia de Woden (Odin), Thursday (quinta) é o dia de Thor, e Friday (sexta) é o dia de Frigg (a rainha dos deuses).
Os deuses nórdicos não eram como os seres perfeitos e onipotentes que você encontra em outras religiões. Eles eram mais como personagens de um drama familiar complicado: eles ficavam bravos, cometiam erros e até envelheciam.
Para continuarem jovens, eles precisavam comer maçãs douradas especiais cuidadas pela deusa Idunn. Sem essas maçãs, até os deuses mais fortes ficariam enrugados e fracos, exatamente como os humanos.
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Os Aesir foram para seus assentos de julgamento e realizaram um conselho, e lembraram como os anões haviam ganhado vida no mofo da terra.
Liderando os deuses estava Odin, o Pai de Todos, que era obcecado por sabedoria. Ele desejava tanto entender os segredos do universo que trocou um de seus olhos para poder beber de um poço mágico de conhecimento.
Odin era frequentemente visto vagando por Midgard vestindo uma longa capa azul e um chapéu de abas largas, acompanhado por dois corvos chamados Pensamento e Memória, que voavam pelo mundo todos os dias para lhe trazer notícias.
Os vikings acreditavam que estamos todos conectados à 'Wyrd', a teia do destino. Pegue vários fios ou lãs de cores diferentes e trance-os. Enquanto trabalha, pense em como diferentes eventos da sua vida — como conhecer um novo amigo ou mudar de casa — são como fios diferentes sendo tecidos no padrão de quem você é.
Havia também os Vanir, um segundo grupo de deuses que se preocupava mais com a natureza, a fertilidade e a visão do futuro. Após uma longa guerra contra os Aesir, os dois grupos decidiram viver em paz e até trocaram alguns de seus membros para garantir que continuariam amigos.
Isso nos mostra que, até para os deuses, a vida era sobre equilíbrio. Você precisava da força e das leis dos Aesir, mas também precisava da magia selvagem e vibrante dos Vanir.
Mira says:
"Eu gosto de como os deuses não são perfeitos. Isso faz com que pareçam pessoas reais tentando dar o seu melhor, mesmo que tenham martelos mágicos."
Uma das ideias mais importantes na mitologia nórdica é o Destino. Os vikings acreditavam que, ao pé da Árvore do Mundo, viviam três mulheres poderosas chamadas Nornas, que fiavam os fios da vida de cada pessoa.
Eles acreditavam que até os deuses tinham um fio que eventualmente seria cortado. Isso deu ao povo nórdico uma maneira muito específica de ver o mundo: se o seu fim já está decidido, a única coisa que importa é quão corajosamente você vive a sua vida agora.
Alguns veem Loki como puramente mau porque suas travessuras acabam causando a morte do amado deus Balder e levam à destruição do mundo.
Outros argumentam que Loki é necessário. Sem o seu caos, os deuses nunca teriam seus maiores tesouros, como o martelo de Thor. Ele força o mundo a mudar e crescer.
Essa crença em um final definido levou à história do Ragnarök, a batalha final onde o mundo como o conhecemos seria destruído. Era uma visão aterrorizante de fogo, inundações e a morte de grandes deuses como Odin e Thor.
No entanto, para os nórdicos, isso não era apenas um fim triste. Eles acreditavam que, após a destruição, um novo mundo verde surgiria do mar, e uma nova geração de deuses e humanos começaria a história tudo de novo.
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O homem que para em uma soleira estranha deve ser cauteloso antes de cruzá-la.
A escrita também era vista como uma forma de magia. Os nórdicos usavam um alfabeto chamado Runas, que eram letras angulares e afiadas esculpidas em pedra, madeira ou osso.
Diziam que Odin ficou pendurado na Árvore do Mundo por nove noites para aprender os segredos dessas runas. Para os vikings, as palavras não eram apenas formas de comunicação: eram ferramentas que podiam proteger um escudo ou curar uma ferida se usadas corretamente.
Os vikings não tinham livros. Eles tinham uma cultura oral, o que significa que memorizavam milhares de versos de poesia. Um poeta, chamado de 'skald', era tão importante quanto um guerreiro, pois era ele quem mantinha viva a história da comunidade.
As histórias desses deuses e gigantes foram passadas oralmente por centenas de anos. Elas eram chamadas de Sagas, que eram longos contos de heróis e famílias que muitas vezes misturavam história com mito.
Eventualmente, essas histórias foram escritas na Islândia, e é por isso que ainda sabemos tanto sobre elas hoje. Sem esses escritores, as vozes dos vikings poderiam ter se perdido totalmente no tempo.
Através das Eras
Hoje, ainda vemos ecos da mitologia nórdica em todos os lugares, mesmo sem perceber. Em inglês, por exemplo, o nome da quinta-feira, "Thursday", significa na verdade "Thor’s Day" (Dia de Thor).
Das histórias de J.R.R. Tolkien aos filmes modernos de super-heróis, continuamos fascinados pela ideia de heróis que lutam contra chances impossíveis. Os mitos nórdicos nos lembram que, mesmo quando as coisas parecem sombrias, existe beleza na luta.
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A sombra dos mitos nórdicos caiu sobre nossa linguagem e nossa imaginação.
Finn says:
"E se nós formos o 'novo mundo' que veio depois do último Ragnarök? Talvez façamos parte da próxima grande história sem nem saber."
Ao olhar para as estrelas ou caminhar por uma floresta, você pode se perguntar se ainda existem mundos escondidos que não encontramos. Os nórdicos não precisavam ver Asgard para acreditar que ela estava lá: eles sentiam sua presença no trovão e na mudança das estações.
Algo para Pensar
Se você soubesse exatamente como sua história terminaria, isso faria suas escolhas de hoje parecerem mais importantes ou menos importantes?
Não existe uma resposta certa para isso. Algumas pessoas sentem que saber o fim torna cada momento precioso, enquanto outras sentem que o mistério é o que torna a vida emocionante. O que você acha?
Perguntas sobre Religião
Os vikings realmente acreditavam que esses deuses caminhavam entre eles?
O Loki é parente do Thor como nos filmes?
O que são as Valkírias?
O Freixo Infinito
As histórias do Norte viajaram um longo caminho desde as casas longas e geladas da Escandinávia. Elas sobreviveram por mais de mil anos porque falam com algo profundo dentro de nós: o sentimento de que o mundo é um quebra-cabeça gigante e misterioso. Quer estejamos olhando para um arco-íris e pensando na Bifröst, ou enfrentando um desafio com a coragem de um viking, ainda estamos caminhando entre os galhos de Yggdrasil. A árvore continua crescendo, e a sua história é uma de suas folhas mais novas.