Você já se perguntou o que o sol faz quando se esconde atrás do horizonte à noite?

Durante milhares de anos, o povo do Antigo Egito não via o sol como uma bola de gás em chamas. Eles o viam como , o mais poderoso de todos os seus deuses, que navegava em um barco dourado pelo céu para manter o mundo a salvo do Caos.

Imagine acordar em um lugar onde o sol é tão brilhante que parece um peso físico em seus ombros. Nas terras desérticas do Norte da África, às margens do Rio Nilo, o sol era o chefe de tudo. Ele decidia quando as plantas cresciam, quando as pessoas trabalhavam e quando era hora de dormir.

Como o sol era tão importante, os egípcios acreditavam que ele deveria estar vivo. Eles nomearam este sol vivo de Rá. Ele não era apenas um deus: era o primeiro rei, o criador da vida e o guardião do próprio tempo.

Imagine isso
O sol nascendo sobre um rio no Antigo Egito.

Imagine que você está na beira do Rio Nilo ao amanhecer. O ar está frio e o mundo está quieto. De repente, uma pequena lasca de ouro aparece no horizonte. A água muda de preta para azul cintilante, e os pássaros começam a chilrear. Você não está apenas assistindo ao nascer do sol: você está assistindo a um deus nascer para o dia.

A Terra do Sol Vivo

Para entender Rá, você precisa imaginar o mundo como ele era há quatro mil anos. Não havia luz elétrica, nem relógios e nem aplicativos de clima. As pessoas olhavam para o céu para entender suas vidas.

No Antigo Egito, o mundo era dividido em duas partes principais. Havia a "Terra Negra", que era o solo rico perto do rio onde a comida crescia. Depois, havia a "Terra Vermelha", o deserto escaldante que se estendia para sempre.

Finn

Finn says:

"Se o sol era um rei, isso significa que a lua era como uma espiã sorrateira que só saía quando o rei estava dormindo?"

Rá era a força que equilibrava esses dois mundos. Toda manhã, seu retorno significava que a vida poderia continuar por mais um dia. Ele era a fonte de calor e luz, mas também era um símbolo de Ma'at, que é a palavra egípcia para equilíbrio, verdade e ordem.

Hino do Antigo Egito

Tu surges, tu surges, tu brilhas, tu brilhas, tu que és o rei dos deuses. Tu és o senhor do céu, tu és o senhor da terra.

Hino do Antigo Egito

Esta é uma tradução dos Textos das Pirâmides. Mostra como os egípcios falavam diretamente com o sol, tratando-o como um governante amado e poderoso que merecia elogios constantes.

As Três Faces do Sol

Uma das coisas mais interessantes sobre Rá é que ele nem sempre parecia o mesmo. Os egípcios notaram que o sol mudava à medida que se movia pelo céu. Para explicar isso, eles acreditavam que Rá assumia formas diferentes ao longo do dia.

De manhã, o sol é suave e fresco. Os egípcios chamavam o sol da manhã de Khepri. Eles o representavam como um besouro Escaravelho, um inseto que rola bolas de terra pelo chão, assim como o deus rola o sol para o céu.

Você sabia?
Um besouro escaravelho decorativo rolando o sol.

Os egípcios adoravam o besouro escaravelho porque achavam incrível que um inseto tão minúsculo pudesse rolar uma bola de terra tão perfeitamente. Eles acreditavam que Khepri (o Rá da manhã) era como um besouro gigante invisível rolando o sol pelo céu todas as manhãs!

Na hora do almoço, o sol está em seu ponto mais alto e forte. Foi quando ele era conhecido simplesmente como Rá. Ele era frequentemente desenhado como um homem com cabeça de falcão, usando um disco solar vermelho brilhante na cabeça, envolto em uma cobra dourada.

Finalmente, quando o sol se punha, ele se tornava Atum, o deus criador velho e sábio. Atum era o sol terminando seu trabalho, preparando-se para deixar o mundo dos vivos e entrar no mundo misterioso da noite.

A Grande Barca Solar

Rá não apenas andava pelo céu. Ele viajava com estilo. Os egípcios eram famosos por seus barcos, então fazia sentido que seu maior deus usasse um também.

Eles acreditavam que o céu era um enorme oceano azul. Rá navegava por ele em um navio chamado Mandjet, ou a Barca de Milhões de Anos. Ele não estava sozinho naquele barco: estava cercado por outros deuses que o ajudavam a guiar e proteger o sol.

Dois lados
A Visão do Guardião

Rá é como um guarda-costas que protege o mundo das trevas e do caos todas as noites para que possamos dormir em segurança.

A Visão do Governante

Rá é um rei rigoroso que estabelece as regras do universo e espera que todos sigam as leis de Ma'at.

Essa jornada era um símbolo de como a vida está sempre em movimento. Assim como o rio Nilo flui de sul para norte, o sol flui de leste para oeste. Para os egípcios, esse movimento era o batimento cardíaco de todo o universo.

Mira

Mira says:

"É interessante que eles usassem um barco. Um barco não apenas se move: ele carrega coisas. Talvez eles sentissem que Rá estava carregando todos eles durante o dia."

A Batalha Secreta no Escuro

O que acontecia quando o sol desaparecia? Essa era a parte mais assustadora da história. Os egípcios acreditavam que, à noite, Rá entrava no Duat, um submundo mágico e perigoso cheio de monstros e fantasmas.

Durante essas doze horas de escuridão, Rá trocava de barco. Ele se mudava para um navio noturno chamado Mesektet. Seu maior desafio era uma serpente gigante chamada Apep, que representava o Caos total e a escuridão.

Salima Ikram

O sol é o relógio do mundo antigo: seu nascer e pôr do sol determinavam o ritmo de toda a vida humana.

Salima Ikram

Salima Ikram é uma famosa egiptóloga moderna. Ela explica que, para as pessoas no passado, o sol não era apenas uma decoração no céu: era a única maneira que tinham de saber que horas eram e o que deveriam estar fazendo.

Toda e qualquer noite, Apep tentava engolir o sol e impedir que a manhã chegasse. Se Apep vencesse, o mundo acabaria em trevas. Isso significava que cada nascer do sol não era apenas um evento natural: era uma vitória em uma grande guerra.

Quando você vê o céu ficar vermelho e laranja no pôr do sol ou no nascer do sol, um egípcio poderia dizer que você está vendo o sangue da batalha entre Rá e a serpente. Faz com que a manhã pareça muito mais especial, não é?

Vivendo Sob o Olho de Rá

Como Rá era o rei dos deuses, os reis humanos do Egito, chamados Faraós, queriam ser como ele. Eles se autodenominavam o "Filho de Rá". Eles acreditavam que seu trabalho na terra era fazer exatamente o que Rá fazia no céu: manter tudo em equilíbrio.

Para honrar Rá, os egípcios construíram enormes pilares de pedra chamados Obeliscos. Eram torres altas, de quatro lados, que apontavam diretamente para o sol. O topo de um obelisco era frequentemente coberto de ouro ou uma mistura de metais para que capturasse os primeiros raios do sol da manhã.

Tente isso
Um relógio de sol simples feito com uma vara.

Você pode rastrear a jornada de Rá como um antigo egípcio. Em um dia ensolarado, coloque uma vara no chão ou em um pedaço de papel. A cada hora, marque onde a sombra cai. Você verá que, à medida que o 'barco solar' se move pelo céu, a sombra se move em um círculo. Você acabou de fazer um relógio de sol básico!

Eles também falavam sobre o "Olho de Rá". Isso não era apenas uma parte do corpo: era um poder separado que Rá podia enviar ao mundo. Às vezes, o Olho era um protetor, e às vezes era um guerreiro feroz que punia as pessoas que quebravam as regras de Ma'at.

Rá Através das Eras

2600 AEC
O Reino Antigo: Rá se torna o deus principal do Egito, e os Faraós começam a construir pirâmides como 'escadas' para alcançá-lo.
1400 AEC
O Novo Reino: Rá se funde com outro deus, Amon, tornando-se Amon-Rá, a força mais poderosa do Império Egípcio.
332 AEC
O Período Grego: Alexandre, o Grande, visita o Egito e respeita Rá, conectando-o ao deus sol grego, Hélio.
1922 EC
Descoberta Moderna: O mundo se apaixona novamente pelo Egito após a descoberta da tumba de Tutancâmon, trazendo os símbolos de Rá de volta para a arte e os filmes.

A Ideia que Nunca se Põe

Mesmo depois que a civilização do Antigo Egito desapareceu, a ideia de Rá permaneceu conosco. Muitas outras culturas viam o sol como um deus que dirigia uma carruagem, como Hélio na Grécia ou Sol em Roma. Todos eles compartilhavam o mesmo sentimento de admiração ao olhar para o céu.

Hoje, usamos a ciência para explicar o sol. Sabemos que é uma estrela feita de hidrogênio e hélio. Sabemos que a Terra gira em torno dele. Mas mesmo com toda a nossa ciência, ainda sentimos a mesma coisa que os egípcios sentiam: o sol é o centro do nosso mundo.

E.A. Wallis Budge

Os mitos do sol são as histórias mais antigas que temos, porque o sol é a única coisa que nunca muda em um mundo em mudança.

E.A. Wallis Budge

Budge foi um famoso historiador que dedicou sua vida a estudar os segredos egípcios. Ele percebeu que, enquanto reinos caem e línguas mudam, o sol permanece o mesmo, razão pela qual a história de Rá parece tão poderosa até hoje.

Você sabia?

A pedra do topo de uma pirâmide é chamada de piramídio, ou uma 'pedra Benben'. Ela tinha o formato de uma pequena pirâmide e era frequentemente dedicada a Rá. Ela foi projetada para ser a primeira coisa que o sol tocasse quando nascesse de manhã.

Quando olhamos para Rá, não estamos apenas olhando para um mito antigo. Estamos olhando para como os humanos sempre tentaram dar sentido ao mundo grande, bonito e, às vezes, assustador em que vivemos. Queremos saber que a luz sempre voltará.

Finn

Finn says:

"Então, se usamos painéis solares hoje para obter energia do sol, estamos tecnicamente capturando a magia de Rá para jogar videogame?"

Algo para Pensar

Se o sol fizesse uma jornada toda noite, onde você acha que ele iria descansar?

Não há respostas certas ou erradas aqui. Mitos são maneiras de usar nossa imaginação para explicar as coisas que vemos todos os dias. Que história você contaria sobre o sol?

Perguntas sobre Religião

Rá era o único deus do sol?
Não, os egípcios tinham vários deuses para diferentes partes do sol, como Khepri para a manhã e Atum para a noite. Mais tarde, eles também adoravam o Áton, que era o disco físico do próprio sol.
Por que Rá tem cabeça de pássaro?
Rá é frequentemente mostrado com a cabeça de um falcão porque os falcões voam muito alto no céu, perto do sol. Isso ajudava as pessoas a imaginá-lo como uma criatura poderosa que podia ver tudo de cima.
Rá ainda é adorado hoje?
Embora a religião antiga tenha quase desaparecido, muitas pessoas ainda acham as histórias de Rá fascinantes. Seus símbolos, como o olho e o obelisco, ainda são usados na arte e na arquitetura em todo o mundo.

O Sol Sempre Retorna

A história de Rá nos lembra que, mesmo quando as coisas parecem escuras, a luz está sempre trabalhando para voltar para nós. Quer você veja o sol como uma estrela científica ou um deus em um barco dourado, ele continua sendo o convidado mais importante à nossa mesa todas as manhãs. Continue olhando para cima e continue fazendo perguntas sobre a luz.