Seu filho de 6 anos chega em casa e anuncia que o amigo dele ganha R$ 20 por semana. De repente, os R$ 5 que você planejava dar parecem um insulto pessoal.
Aos seis anos, as crianças entram em um novo mundo social no 1º ano, onde as comparações no recreio começam. Elas estão desenvolvendo as habilidades matemáticas para contar moedas e a capacidade cognitiva de entender que o dinheiro é um recurso limitado usado para fazer escolhas.
A transição para os seis anos é um marco significativo para a alfabetização financeira. No 1º ano, as crianças estão saindo do faz de conta e começando a notar como o mundo real funciona. Elas veem os colegas com figurinhas novas ou brinquedos diferentes e começam a fazer a grande pergunta: "Como eu consigo isso?"
Um estudo de pesquisadores da Universidade de Cambridge descobriu que muitos hábitos financeiros básicos são formados até os sete anos de idade. Isso faz dos seis anos a 'janela de ouro' para introduzir comportamentos financeiros positivos.
Quanto de Mesada uma Criança de 6 Anos Deve Ganhar?
A pergunta mais comum que os pais fazem é sobre o "valor de mercado". No Brasil, uma faixa comum para a mesada (ou semanada) de uma criança de 6 anos é entre R$ 5 e R$ 15 por semana. Embora algumas famílias escolham dar mais, as pesquisas sugerem que o valor exato importa muito menos do que a consistência e as lições aprendidas.
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Não economize o que sobra depois de gastar, mas gaste o que sobra depois de economizar.
Nesta idade, o objetivo não é bancar todo o estilo de vida deles. Em vez disso, o dinheiro serve como uma ferramenta de treinamento. Deve ser o suficiente para comprar um pequeno agrado ou um pacote de figurinhas, mas não tanto que eles nunca precisem esperar ou economizar para algo que realmente querem. Valores pequenos ajudam a ensinar o conceito de escassez: se gastarem tudo na segunda-feira, o dinheiro acaba pelo resto da semana.
Mira says:
"Eu lembro quando meu amigo ganhou um conjunto enorme de LEGO sem motivo nenhum. Achei injusto, mas aí minha mãe explicou que estávamos guardando nosso dinheiro para tomar sorvete nas férias de verão!"
Lidando com a Conversa do "Meu Amigo Ganha Mais"
A comparação é a ladra da alegria, especialmente no pátio da escola. Quando seu filho mencionar que um amigo recebe um valor muito maior, é a oportunidade perfeita para falar sobre os valores da família sem dar sermão. Você pode explicar que cada família tem um orçamento diferente e regras próprias sobre como o dinheiro é usado.
Traga a conversa de volta para o que seu filho pode fazer com o dinheiro dele. Se ele sentir que seus R$ 5 são "pouco", ajude-o a visualizar o que esse valor pode realmente comprar. Isso muda o foco do status social para o poder de compra pessoal. Você pode dizer: "Na nossa família, achamos que R$ 5 é o valor certo para te ajudar a aprender a escolher entre um lanche ou guardar para aquele livro que você gostou".
Ensina que o dinheiro é uma ferramenta que todos na família podem usar para praticar, independentemente da habilidade de fazer tarefas.
Ensina a realidade econômica de que o dinheiro é ganho através do trabalho e ajuda a evitar uma sensação de direito sem esforço.
O Salto de Desenvolvimento: Matemática Básica e Poupança
Aos seis anos, a maioria das crianças já se sente confortável com adição e subtração básicas. Elas geralmente conseguem contar até 20 e estão começando a reconhecer as diferentes notas e moedas. Isso torna o momento perfeito para introduzir metas de economia de curtíssimo prazo.
Vamos olhar para uma meta de economia de 2 semanas: Semana 1: R$ 5,00 (Total Atual: R$ 5,00) Semana 2: R$ 5,00 (Total Atual: R$ 10,00) Preço do Alvo: R$ 8,50 Resultado: Você pode comprar o brinquedo e ainda sobram R$ 1,50!
Aos cinco anos, "guardar dinheiro" pode parecer como perdê-lo para sempre. Aos seis, as crianças já têm uma noção melhor do tempo. No entanto, o horizonte delas ainda é curto. Uma criança de 6 anos consegue economizar de forma realista por uma ou duas semanas. Se uma meta exigir seis semanas de economia, ela provavelmente perderá o interesse. Procure objetivos que custem entre R$ 10 e R$ 15, exigindo que ela deixe de gastar por apenas quinze dias para ver a recompensa.
Finn says:
"Se eu guardar meus R$ 5 desta semana e os R$ 5 da semana que vem, quer dizer que eu finalmente vou poder comprar aquele dinossauro brilhante que custa R$ 10?"
Eles Devem Ganhar ou Merecer o Dinheiro?
O debate entre "mesada fixa" versus "comissão por tarefas" é algo que todo pai enfrenta. Alguns acreditam que a mesada deve ser um direito por fazer parte da família, enquanto outros sentem que deve ser conquistada através de tarefas domésticas. Aos seis anos, uma abordagem híbrida costuma funcionar melhor.
Você pode dar um valor base pequeno para praticar a gestão, enquanto oferece formas "extras" de ganhar dinheiro por tarefas que vão além das expectativas diárias, como ajudar a lavar o carro ou organizar a reciclagem. Isso ensina a ligação entre esforço e recompensa sem transformar as contribuições básicas da casa em uma transação comercial.
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Eu não dou 'mesadas'. Eu dou 'comissões'. Você trabalha, você recebe. Você não trabalha, você não recebe.
Ensinando Escolhas de Consumo: A Regra do "Isto ou Aquilo"
Gastar sem limites pode ser opressor para uma criança de 6 anos. Na loja, ela pode querer tudo o que vê. Você pode ajudá-la a desenvolver habilidades de tomada de decisão usando a regra do "Isto ou Aquilo". Em vez de perguntar "O que você quer comprar?", dê duas opções específicas que caibam no orçamento dela.
O Sistema dos 'Três Potes': Rotule três potes como GASTAR, GUARDAR e DOAR. Quando seu filho receber os R$ 3 da semana, ele coloca R$ 1 em cada um. Isso demonstra visualmente que o dinheiro tem funções diferentes.
Essa estrutura evita a "crise" que acontece quando a criança percebe que não pode comprar um brinquedo caro. Também lhe dá autonomia. Ao escolher "isto" em vez de "aquilo", ela está dando os primeiros passos para entender o custo de oportunidade — a ideia de que escolher uma coisa significa abrir mão de outra.
Finn says:
"Espera, se eu comprar o chocolate agora, fico com zero reais para as figurinhas? Isso parece uma troca ruim."
Rumo à Independência
À medida que seu filho avança pelo 1º ano, você notará a confiança dele crescendo. Ele pode começar a calcular se tem dinheiro suficiente antes mesmo de chegarem à loja. Esse é o objetivo final da mesada aos seis anos: passar de observadores passivos a participantes ativos na economia do lar.
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Investir em conhecimento rende os melhores juros.
Imagine seu filho na feira de livros da escola. Ele tem seus próprios R$ 5 no bolso. Em vez de pedir para você comprar algo, ele está olhando os preços e checando a própria 'carteira'. Esse orgulho de ser dono das próprias escolhas é o verdadeiro objetivo da mesada.
Algo para pensar
Qual é a pequena coisa que seu filho de 6 anos tem pedido ultimamente?
Pense se este item poderia ser a primeira 'meta de economia' dele. Não existe valor certo ou errado, apenas a experiência de esperar e finalmente alcançar o objetivo.
Perguntas sobre Ganhando Dinheiro e Mesada
Devo pagar meu filho de 6 anos por arrumar a cama?
E se eles perderem o dinheiro da mesada?
6 anos é muito cedo para um cartão de mesada digital?
O Primeiro Passo em uma Longa Jornada
Começar a mesada aos seis anos não é sobre as moedas em si; é sobre as conversas que elas geram. Ao dar ao seu filho um pequeno controle agora, você permite que ele cometa erros 'pequenos' hoje para evitar erros 'grandes' no futuro. Pronto para ver como a jornada muda no ano que vem? Confira nosso guia de mesada para crianças de 7 anos.