Você já parou no meio do pátio da escola e, de repente, se perguntou por que estava ali ou o que deveria estar fazendo?

Esse sentimento de curiosidade sobre o seu próprio lugar no mundo é o ponto de partida do Existencialismo. É uma forma de pensar que diz que você não nasce com uma história já escrita, mas que, em vez disso, você cria o seu próprio sentido através das escolhas que faz todos os dias.

Imagine que você está segurando um caderno novinho, perfeitamente branco. Não há linhas, nem desenhos e nenhuma instrução na capa.

A maioria das coisas no mundo já vem com um propósito definido. Um martelo foi feito para bater em pregos e um lápis foi feito para escrever palavras.

Imagine isso
Uma criança exploradora olhando para uma vasta e colorida paisagem alienígena.

Imagine que você é um explorador que acaba de pousar em um planeta novinho em folha. Não há estradas, nem placas e ninguém para lhe dizer para onde ir. Você tem uma mochila cheia de ferramentas, mas precisa decidir qual montanha escalar ou qual rio seguir. É assim que os existencialistas acham que é o nascimento.

Mas as pessoas são diferentes. Os existencialistas acreditam que os seres humanos são as únicas coisas no universo que aparecem primeiro e descobrem seu propósito depois.

Essa escola de pensamento é chamada de Existencialismo. Ela sugere que sua vida é um projeto que só você pode terminar.

Finn

Finn says:

"Se não existe um manual de instruções para ser criança, isso significa que eu posso... descobrir as coisas conforme eu avanço? Isso parece muita pressão, mas também parece um jogo de mundo aberto onde você pode construir qualquer coisa."

Os Filósofos dos Cafés

Para entender de onde vieram essas ideias, temos que viajar de volta para Paris, na França, na década de 1940. A cidade estava se recuperando de uma guerra longa e difícil.

As pessoas estavam cansadas de ouvir o que fazer de líderes e de tradições antigas. Elas queriam saber se a vida ainda tinha sentido depois de tanta tristeza.

Você sabia?
Um café francês aconchegante e ensolarado com livros e café sobre uma mesa.

Sartre e de Beauvoir eram famosos por trabalhar em cafés como o 'Les Deux Magots' em Paris. Eles não tinham escritórios silenciosos, então escreviam seus livros que mudariam o mundo enquanto as pessoas conversavam e bebiam chocolate quente ao redor deles. Às vezes, ficavam tanto tempo que quase se sentiam como parte da mobília!

Em pequenos cafés esfumaçados ao longo do Rio Sena, pensadores como Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir sentavam-se por horas. Eles bebiam café, escreviam em guardanapos e discutiam sobre o que significava ser verdadeiramente livre.

Eles acreditavam que, como o mundo não nos deu um conjunto claro de regras, éramos responsáveis por criar as nossas próprias. Essa era uma maneira radical e empolgante de olhar para o mundo.

Jean-Paul Sartre

O homem está condenado a ser livre; porque, uma vez lançado ao mundo, ele é responsável por tudo o que faz.

Jean-Paul Sartre

Sartre escreveu isso durante uma época de grandes mudanças na Europa. Ele queria que as pessoas percebessem que, mesmo quando as coisas são difíceis, ainda temos o poder de escolher como reagimos e quem nos tornamos.

Existência vs. Essência

Sartre tinha uma frase famosa para isso: "a existência precede a essência". Parece complicado, mas na verdade é uma ideia bem simples sobre como as coisas são feitas.

Pense em uma faca de papel. Antes de alguém fabricá-la, essa pessoa tem uma ideia de para que ela serve: cortar papel.

Você sabia?
Adolescentes com moda dos anos 1950 lendo livros e conversando.

O existencialismo tornou-se super popular entre os adolescentes na década de 1950. Eles usavam blusas de gola alta pretas, ouviam jazz e liam livros de filosofia para mostrar que pensavam por si mesmos e não queriam ser apenas como seus pais.

Essa ideia é a sua essência. Seu propósito é decidido antes mesmo de ela existir no mundo real.

Mas Sartre argumentou que, para um ser humano, não existe um plano pré-fabricado. Nós existimos primeiro e depois definimos quem somos através do que fazemos.

Mira

Mira says:

"Gosto da ideia de que não sou uma 'coisa' como uma cadeira. Uma cadeira não pode decidir virar uma estante de livros um dia, mas eu posso decidir ser cientista de manhã e poeta na hora do jantar. Minha 'essência' está sempre mudando."

A Vertigem da Liberdade

Ser o autor da sua própria história parece maravilhoso, mas também pode ser um pouco assustador. Os filósofos chamam esse sentimento de angústia ou "pavor".

Não é um tipo ruim de ansiedade, como ter medo de uma aranha. É mais como a sensação de tontura que você sente quando está no topo de um trampolim bem alto.

Tente isso

O Desafio da Página em Branco: Pegue um pedaço de papel e uma caneta. Sente-se por dois minutos sem ninguém lhe dizer o que desenhar ou escrever. Note como é a sensação. É empolgante ter liberdade total ou é um pouco assustador começar do nada? Esse sentimento é exatamente do que se trata o existencialismo.

Søren Kierkegaard, um pensador da Dinamarca, chamou isso de "vertigem da liberdade". Ele percebeu que, quando você tem escolhas infinitas, pode ser difícil escolher apenas uma.

Se você pode ser qualquer coisa, como saber se está fazendo a escolha certa? Os existencialistas dizem que não há uma escolha "certa" escondida nas estrelas: há apenas a escolha que você faz e a responsabilidade que você assume por ela.

Søren Kierkegaard

A vida só pode ser compreendida olhando-se para trás; mas deve ser vivida olhando-se para frente.

Søren Kierkegaard

Kierkegaard foi o avô do existencialismo. Ele sabia que muitas vezes só vemos o sentido de nossas escolhas depois de fazê-las, e é por isso que viver exige tanta coragem.

O Absurdo e a Xícara de Café

Outro existencialista famoso foi Albert Camus. Ele estava interessado em algo que chamou de o absurdo.

O absurdo é o que acontece quando os seres humanos tentam encontrar um sentido claro em um universo que não parece ter nenhum. É como fazer uma pergunta em uma sala que permanece em completo silêncio.

Imagine isso
Uma criança observando as estrelas através de um telescópio.

Pense em uma vez que você tentou encontrar seu brinquedo favorito em um quarto bagunçado, mas não o achou em lugar nenhum. Você continuou procurando e procurando, mesmo que parecesse impossível. Camus diz que a vida é como essa busca. Mesmo que o 'sentido' seja difícil de encontrar, o ato de procurar é o que nos torna verdadeiramente vivos.

Camus usou um antigo mito grego sobre um homem chamado Sísifo para explicar isso. Sísifo foi punido pelos deuses e teve que rolar uma pedra gigante até o topo de uma colina, apenas para vê-la rolar de volta toda vez que ele chegava ao topo.

Em vez de ficar triste com isso, Camus disse que deveríamos imaginar que Sísifo estava feliz. Ele estava feliz porque era o dono de sua tarefa e continuava seguindo em frente de qualquer maneira.

Albert Camus

A própria luta em direção ao topo é suficiente para preencher o coração de um homem. É preciso imaginar Sísifo feliz.

Albert Camus

Camus estava analisando o mito grego de um homem que tinha que repetir uma tarefa chata para sempre. Ele acreditava que encontrar alegria na própria luta é como vencemos um mundo que às vezes parece sem sentido.

Sendo o seu Eu Verdadeiro

Um dos maiores objetivos do existencialismo é a autenticidade. Isso significa ser o seu verdadeiro eu, em vez de apenas seguir a multidão ou fazer o que os outros esperam.

É muito fácil agir como um personagem na peça de outra pessoa. Você pode se vestir de uma certa maneira porque seus amigos se vestem assim, ou dizer que gosta de um filme só porque ele é popular.

Finn

Finn says:

"Então, ser 'autêntico' é como quando eu toco a música que eu realmente gosto, mesmo que meus amigos achem estranha? É como escolher ser o personagem principal da minha própria vida em vez de um figurante na deles."

Os existencialistas chamam isso de "má-fé". Isso acontece quando fingimos que não temos escolha, ou quando escondemos nossa verdadeira subjetividade (nossa maneira pessoal de ver o mundo).

Para ser autêntico, você tem que olhar para sua própria vida e perguntar: "Isso é o que eu realmente quero fazer, ou estou apenas seguindo um roteiro?"

Dois lados
A Visão do Roteiro

Tudo acontece por uma razão. Sua vida tem um destino ou um 'plano' que você deve seguir, como um personagem em um roteiro de cinema.

A Visão Existencialista

Não existe um plano pré-escrito. Você é o roteirista do filme e decide o que acontece na próxima cena com base em seus próprios valores.

Através dos Tempos

O existencialismo não apareceu do nada. Ele cresceu ao longo de muito tempo, à medida que as pessoas começaram a olhar para o mundo de forma diferente.

Existencialismo Através dos Tempos

Década de 1840: A Semente é Plantada
Søren Kierkegaard escreve na Dinamarca sobre a importância da escolha individual e o 'salto de fé' necessário para viver uma vida com sentido.
Década de 1880: O Debate sobre Deus
Friedrich Nietzsche sugere que as velhas regras estão desaparecendo e os humanos devem agora criar seus próprios valores para se tornarem versões 'super' de si mesmos.
Década de 1940: A Explosão em Paris
Após a Segunda Guerra Mundial, Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir tornam o existencialismo famoso nos cafés franceses, focando na liberdade absoluta.
Década de 1950: O Herói Absurdo
Albert Camus ganha o Prêmio Nobel por seus escritos sobre encontrar felicidade e rebeldia em um mundo que nem sempre faz sentido.
Hoje: Identidade Digital
Usamos ideias existencialistas para pensar sobre quem somos online e como permanecer autênticos em um mundo cheio de algoritmos e redes sociais.

Por que isso Importa Hoje

Embora essas ideias tenham décadas de idade, elas importam mais do que nunca. Vivemos em um mundo onde telas e anúncios tentam constantemente nos dizer quem ser e o que comprar.

O existencialismo nos lembra que temos um poder secreto. Somos nós que decidimos o que é valioso.

Se você decidir que colecionar pedras de formatos estranhos é a coisa mais importante do mundo, então, para você, ela é. Você cria o valor ao dar a isso sua atenção e seu tempo.

Pode ser um pouco assustador perceber que o universo não tem um mapa para você. Mas também é a aventura suprema, porque significa que é você quem faz o desenho.

Algo para Pensar

Se você fosse a única pessoa no mundo que pudesse decidir o que é 'bom' ou 'importante', o que você escolheria valorizar mais hoje?

Não existem respostas certas ou erradas aqui. No existencialismo, sua resposta é verdadeira porque é você quem a escolhe.

Perguntas sobre Filosofia

O existencialismo é só sobre ser triste?
De jeito nenhum. Embora lide com tópicos difíceis como 'o absurdo', sua mensagem principal é sobre empoderamento. Ele diz que você é livre para criar uma vida que o faça feliz, independentemente do que o resto do mundo pense.
Os existencialistas acreditam em regras?
Eles acreditam em regras que você escolhe para si mesmo. Em vez de seguir uma regra só porque alguém mandou, um existencialista segue uma regra porque acredita que é a coisa certa e autêntica a se fazer.
Como posso praticar o existencialismo sendo criança?
Você pode começar percebendo suas escolhas. Quando escolher um livro para ler ou um jogo para jogar, pergunte a si mesmo se está escolhendo porque realmente gosta ou porque acha que 'deveria'. Essa consciência é o primeiro passo.

A Caneta está em Sua Mão

O existencialismo pode parecer uma mochila pesada no início, porque coloca muita responsabilidade sobre nós. Mas, assim que você se acostuma com o peso, percebe que, na verdade, é o peso das suas próprias asas. Você não é apenas um passageiro em sua vida: você é o piloto, o navegador e aquele que decide onde a jornada termina. O que você escolherá fazer a seguir?