Você já ficou no topo de um escorrega alto e sentiu uma mistura estranha de empolgação e medo no estômago?
Essa sensação 'borbulhante' é algo que um filósofo dinamarquês chamado Søren Kierkegaard passou a vida inteira estudando. Ele é frequentemente chamado de pai do existencialismo, uma forma de pensar que se concentra em como é realmente ser um ser humano fazendo escolhas em um mundo grande e misterioso.
Imagine caminhar pelas ruas de Copenhague no ano de 1840. A cidade está cheia do som de carruagens puxadas por cavalos sobre paralelepípedos e do cheiro de café torrado.
No meio da multidão, há um homem magro com cabelos selvagens e arenosos e calças que estão sempre um pouco curtas demais. Este é Søren Kierkegaard. Ele não fica sentado em uma biblioteca silenciosa o dia todo: ele caminha pelas ruas, conversando com todos, do Rei ao varredor de ruas.
Kierkegaard tinha uma 'escrivaninha em pé' especial em cada cômodo de sua casa para que pudesse anotar ideias no momento em que entrava de seus passeios diários de 'observação de pessoas'.
Kierkegaard era obcecado por uma única pergunta: O que significa ser um indivíduo? Ele notou que a maioria das pessoas ao seu redor estava apenas seguindo a multidão. Faziam o que seus pais faziam, acreditavam no que os jornais diziam e iam à igreja porque todos os outros iam.
Ele sentia que as pessoas estavam vivendo suas vidas em modo de 'copiar e colar'. Elas estavam esquecendo a coisa mais importante sobre estar vivo: o poder de escolher por si mesmas.
O Problema da Multidão
Kierkegaard usava a palavra a multidão para descrever a maneira como nos perdemos quando tentamos nos encaixar. Ele pensava que, quando fazemos parte de uma multidão, paramos de pensar por nós mesmos.
Mira says:
"Eu percebo que, quando toda a minha turma começa a gostar da mesma música, eu começo a gostar também. Isso sou eu sendo 'a multidão', ou todos nós temos o mesmo gosto?"
Em uma multidão, ninguém é responsável por nada. Se todos estão sendo rudes com alguém no recreio, parece mais fácil participar porque 'todo mundo está fazendo isso'.
Kierkegaard acreditava que isso era uma armadilha. Ele argumentava que a verdade não é algo que você encontra contando quantas pessoas concordam com você. Em vez disso, ele acreditava na subjetividade, que é a ideia de que as verdades mais importantes são aquelas que você sente e vive pessoalmente.
Foca em fatos que são os mesmos para todos, como '2 + 2 = 4' ou a altura de uma montanha.
Foca no que as coisas significam para você pessoalmente, como 'Quem eu amo?' ou 'Pelo que vale a pena ser corajoso?'
A Vertigem da Liberdade
Se ser um indivíduo é tão ótimo, por que é tão difícil? Kierkegaard tinha uma resposta para isso também. Ele chamava isso de ansiedade (ou 'angústia' em sua língua).
Para ele, ansiedade não era apenas um sentimento ruim que você tem antes de uma prova. Era, na verdade, um sinal do seu próprio poder. Ele famosamente disse que a ansiedade é a 'vertigem da liberdade'.
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A ansiedade é a vertigem da liberdade.
Pense em estar no topo de um penhasco alto. Você sente vertigem, certo? Essa vertigem não é apenas medo de cair: é a percepção repentina de que você poderia se jogar, ou poderia ficar seguro.
Imagine que você está na beira de um trampolim de mergulho. Você sente aquele 'whoosh' no estômago. Isso não é apenas uma sensação física: é o seu cérebro percebendo que em um segundo, tudo vai mudar por causa de uma escolha que você faz.
Essa sensação de 'eu posso fazer qualquer coisa' é avassaladora. É como estar em uma loja de brinquedos gigante e ser informado de que você só pode escolher uma coisa. A pressão de ter que escolher é o que nos faz sentir ansiosos.
Viver para Frente, Entender para Trás
Kierkegaard percebeu que a vida tem uma regra muito irritante. Você tem que tomar suas grandes decisões agora, mas você só saberá se foram as 'certas' muito mais tarde.
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A vida só pode ser compreendida olhando para trás; mas deve ser vivida para a frente.
Pense em começar um novo hobby, como tocar violino. No primeiro dia, você não sabe se será bom nisso ou se vai gostar. Você só tem que começar.
Finn says:
"Se eu só posso entender minha vida olhando para trás, isso significa que estou basicamente adivinhando toda vez que faço uma escolha? Isso parece um pouco uma pegadinha!"
Você só entende a 'história' da sua vida quando olha para trás, para seus antigos diários ou fotos. Mas enquanto você está vivendo, você está sempre de frente para um futuro que ainda não aconteceu. É por isso que Kierkegaard achava que ser uma pessoa exige muita coragem.
As Três Maneiras de Viver
Kierkegaard sugeriu que as pessoas geralmente passam por diferentes 'estágios' ou maneiras de viver. Ele não achava que fossem como níveis em um videogame que você termina, mas mais como mentalidades diferentes.
- O Estágio Estético: É quando você vive pela diversão, beleza e emoção. Você quer evitar o tédio. Parece ótimo por um tempo, mas no final, você pode se sentir vazio, como se tivesse comido doces demais.
- O Estágio Ético: É quando você começa a viver por regras e deveres. Você quer ser uma 'boa pessoa' e fazer o que é certo. Isso é mais sólido, mas pode parecer rígido ou como se você estivesse apenas seguindo um roteiro.
- O Estágio Religioso: Para Kierkegaard, este era o nível mais alto. Não era apenas ir à igreja. Era fazer um compromisso pessoal e total com algo maior do que você, mesmo que pareça 'absurdo' ou impossível para os outros.
O jogo da 'Escolha Sem Razão': Da próxima vez que você tiver que escolher entre duas coisas que não importam muito (como duas canetas de cores diferentes), tente escolher uma imediatamente sem dar uma razão a si mesmo. Observe como é 'saltar' em uma escolha sem pensar demais.
O Salto de Fé
Isso nos leva à sua ideia mais famosa: o salto de fé. Kierkegaard acreditava que, para as coisas mais importantes da vida: amor, crença ou seguir um sonho: pensar não é suficiente.
You pode fazer uma lista de prós e contras até ter cem anos, mas, finalmente, você tem que parar de pensar e começar a pular.
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Arriscar é perder o equilíbrio momentaneamente. Não arriscar é perder a si mesmo.
Um salto de fé acontece quando você se compromete com algo, mesmo que não possa provar que é a escolha certa. É como pular em uma piscina sem conseguir ver o fundo. Você confia que ficará bem, ou que o salto em si vale a pena.
Mira says:
"O 'salto' faz sentido para mim. Você não pode pensar seu caminho para uma amizade: você só tem que decidir confiar em alguém e ver o que acontece."
Através das Eras
Kierkegaard foi amplamente ignorado enquanto estava vivo. As pessoas em Copenhague o achavam um pouco estranho. Mas décadas depois de sua morte, suas ideias explodiram pelo mundo.
Através das Eras
No século XX, depois que grandes guerras fizeram o mundo parecer confuso, pensadores como Jean-Paul Sartre olharam para Kierkegaard. Eles perceberam que ele estava certo: estamos 'condenados' a ser livres. Temos que criar nosso próprio significado em um mundo que não fornece um manual de instruções.
Kierkegaard escreveu muitos de seus livros usando nomes falsos (pseudônimos) como 'Johannes de Silentio' (João do Silêncio). Ele queria que os leitores julgassem as ideias, não o homem que as escreveu!
Por Que Kierkegaard Importa Agora
Hoje, estamos mais conectados à 'multidão' do que nunca. Com as redes sociais, podemos ver o que milhares de pessoas estão fazendo, vestindo e pensando a cada segundo.
Kierkegaard provavelmente nos diria para largar o telefone e sair para caminhar. Ele nos diria que tudo bem se sentir 'tonto' sobre quem queremos ser. Essa vertigem é apenas a sua liberdade despertando.
Ele não queria nos dar um conjunto de respostas. Ele queria nos dar a coragem de ser a única pessoa que pode viver a nossa vida: nós mesmos.
Algo para Pensar
Se você só pudesse fazer coisas porque VOCÊ queria, e não porque lhe foi dito ou porque seus amigos estavam fazendo, qual é uma coisa que você faria de diferente hoje?
Não há resposta certa ou errada aqui. Kierkegaard diria que só por pensar nisso, você já está começando sua jornada como um indivíduo.
Perguntas sobre Filosofia
Kierkegaard era uma pessoa religiosa?
Angústia é o mesmo que estar estressado?
Por que ele usava nomes falsos para seus livros?
A Coragem de Ser Você
A vida de Kierkegaard nos lembra que ser uma pessoa é uma pequena aventura. Tudo bem se sentir tonto, tudo bem se sentir diferente da multidão, e tudo bem não ter todas as respostas. A coisa mais importante é que você continue caminhando, continue pensando e — quando for a hora certa — continue saltando.