Você já sentiu como se estivesse segurando duas ideias completamente diferentes na sua cabeça ao mesmo tempo?
Talvez você ame a lógica da matemática e da ciência, mas também sinta um grande encantamento (ou wonder) ao olhar para as estrelas ou ouvir uma história antiga. No século XII, um pensador chamado Maimônides dedicou sua vida a mostrar que esses dois mundos não precisam ser inimigos.
A Cidade das Três Culturas
Imagine caminhar pelas ruas de Córdoba, na Espanha, há novecentos anos. O ar cheira a flores de laranjeira e especiarias assadas. Você ouve pessoas falando em árabe, hebraico e latim ao mesmo tempo.
Esta era a Idade de Ouro da Espanha, um tempo em que estudiosos judeus, muçulmanos e cristãos viviam lado a lado. Eles não apenas compartilhavam as mesmas ruas: eles compartilhavam livros, problemas de matemática e grandes perguntas sobre o universo.
Imagine uma biblioteca com prateleiras cheias de rolos e livros de todos os cantos da Terra. Em Córdoba, a biblioteca real tinha centenas de milhares de livros. Numa época em que muitas pessoas não tinham um único livro, os estudiosos dali liam de tudo, desde mapas estelares até poemas.
Em 1138, nasceu neste mundo de ideias agitadas um menino chamado Moisés ben Maimon. Hoje, geralmente o chamamos de Maimônides, que é o jeito grego de dizer "Filho de Maimon".
Seu pai era um juiz e professor que o ensinou que pensar era uma maneira de se aproximar da verdade. Maimônides cresceu lendo filosofia grega antiga e os novos livros de ciência árabes ao mesmo tempo.
Finn says:
"Se todo mundo estava compartilhando ideias em Córdoba, isso significa que eles estavam todos trabalhando juntos como um cérebro gigante? Eu me pergunto o que eles teriam descoberto se tivessem a internet naquela época!"
Vida em Movimento
Quando Maimônides era adolescente, seu mundo mudou de repente. Um novo grupo de governantes chegou a Córdoba e disse aos judeus que eles tinham que partir ou mudar suas crenças.
Sua família se tornou refugiada, viajando pelo Mar Mediterrâneo em busca de um lugar seguro para viver. Eles passaram anos se mudando pelo Norte da África, acabando por se estabelecer na agitada cidade do Cairo, no Egito.
Maimônides e sua família podem ter vivido em cavernas enquanto viajavam pelo Norte da África para se esconderem. Ele usou esse tempo silencioso para memorizar livros, pois não sabia quando teria acesso a uma biblioteca novamente!
Mesmo viajando e se escondendo, Maimônides nunca parou de estudar. Ele percebeu que, quando a vida parece caótica, sua mente pode ser um lugar silencioso onde você organiza o que sabe.
Ele não queria apenas seguir tradições porque alguém lhe disse. Ele queria entender o "porquê" por trás de tudo, desde como as estrelas se movem até por que devemos ser gentis com nossos vizinhos.
O Guia dos Perplexos
Maimônides notou que muitas pessoas se sentiam presas entre dois mundos. De um lado estava sua tradição religiosa, e do outro, a lógica da ciência e da filosofia.
Elas se sentiam perplexas, que é uma palavra chique para estarem muito, muito confusas. É aquela sensação que você tem quando duas coisas que você acredita serem verdadeiras parecem colidir uma com a outra.
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A verdade é a verdade, não importa quem a diga.
Para ajudar essas pessoas, ele escreveu seu livro mais famoso, O Guia dos Perplexos. Ele não o escreveu para todo mundo: ele o escreveu para pessoas inteligentes o suficiente para ficarem confusas.
Ele argumentava que a mente é um presente, e usar a mente para pensar com clareza é uma das coisas mais importantes que um ser humano pode fazer. Se a ciência nos diz que algo é verdade, e um livro religioso parece dizer outra coisa, Maimônides achava que provavelmente nós é que não havíamos entendido o livro corretamente.
Mira says:
"Eu gosto que ele diga que tudo bem ficar confuso. Às vezes, sinto que se eu não entendo algo de imediato, estou fazendo errado. Mas Maimônides diz que estar confuso significa que você está realmente prestando atenção."
O Mistério do Inacessível
Uma de suas ideias mais famosas é chamada de Teologia Negativa. Isso parece complicado, mas na verdade é uma maneira muito humilde de olhar para o mundo.
Maimônides acreditava que algumas coisas são tão grandes e misteriosas que nossas palavras são pequenas demais para descrevê-las. Ele achava que, se você tentar dizer como o Criador é, você sempre errará um pouco.
Pense em um mistério, como o que existe no fundo da parte mais profunda do oceano. Em vez de adivinhar o que há lá, tente listar cinco coisas que você sabe que NÃO estão lá. (Por exemplo: 'Não é uma pizza gigante' ou 'Não é um parque ensolarado'). Veja como o mistério fica mais claro ao riscar as coisas?
Em vez de dizer o que algo é, Maimônides sugeriu que descrevêssemos o que não é. Ao riscar as coisas que não são verdadeiras, chegamos cada vez mais perto do mistério no centro.
É como um jogo de '20 Perguntas' onde cada "não" ajuda você a encontrar a resposta. Quanto mais aprendemos sobre o que não é verdade, mais respeitamos o quão grande a verdade realmente é.
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O silêncio é o maior louvor.
O Caminho Dourado
Maimônides não estava interessado apenas nas estrelas e grandes mistérios: ele também era médico. Ele se tornou o médico pessoal do famoso Sultão Saladino no Egito.
Ele passava os dias tratando centenas de pacientes e as noites escrevendo sobre como viver uma vida boa. Ele acreditava que um corpo saudável e uma mente saudável andavam juntos, e ambos exigiam equilíbrio.
Viver com excesso de algo: como comer apenas doces, ou trabalhar o dia todo sem nenhuma brincadeira. Parece empolgante por um momento, mas acaba fazendo você se sentir cansado ou doente.
Encontrar o equilíbrio no meio: comer comida saudável o suficiente para ter energia para os doces, e terminar o trabalho para que seu tempo de brincadeira seja muito bom. É sobre manter a estabilidade.
Ele chamou esse equilíbrio de Caminho Dourado ou Caminho do Meio. Ele acreditava que a maioria dos nossos problemas vêm de ir a extremos, como ser muito zangado ou muito tímido.
- Se você for corajoso demais, pode ser imprudente e correr riscos bobos.
- Se você tiver medo demais, pode ser um covarde e nunca tentar nada novo.
- O Caminho Dourado fica bem no meio: ter coragem suficiente para fazer o que é certo.
Mira says:
"O Caminho Dourado me lembra de como toco violino. Se eu pressionar muito forte, o som fica arranhado. Se eu não pressionar o suficiente, não há som algum. A música está bem no meio."
Um Médico para a Pessoa Completa
Como médico, Maimônides estava à frente de seu tempo. Ele dizia aos seus pacientes que comer bem, se exercitar e dormir o suficiente eram tão importantes quanto qualquer medicamento.
Ele também notou que quando as pessoas estão tristes ou preocupadas, seus corpos também começam a adoecer. Ele foi uma das primeiras pessoas a escrever sobre como nossas emoções afetam nossa saúde física.
Maimônides era tão famoso que as pessoas costumavam dizer: 'De Moisés a Moisés, não houve ninguém como Moisés.' Elas queriam dizer que, desde a época da Bíblia até a vida de Maimônides, ele era o maior mestre que já haviam conhecido.
Ele tratava todos que batiam à sua porta, fossem reis ou plebeus. Para Maimônides, cada ser humano era um mundo em si, e ajudar alguém a se sentir melhor era uma forma de honrar a lógica do universo.
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O médico não deve tratar a doença, mas sim o paciente que está sofrendo com ela.
Através das Eras
Pensando Sem Fronteiras
Maimônides provou que as ideias não têm fronteiras. Ele era judeu, escrevia em árabe, usava a lógica grega e viveu no Norte da África e no Oriente Médio.
Seus livros viajaram nas costas de camelos e nos porões dos navios. Logo, os estudiosos da Europa estavam lendo seu trabalho para ajudá-los a entender suas próprias perguntas sobre o mundo.
Ele não deu respostas fáceis às pessoas. Em vez disso, ele lhes deu uma maneira de pensar. Ele nos mostrou que ficar "perplexo" não é algo ruim: é o começo de uma grande aventura.
Algo para Pensar
Existe algo em que você acredita que não consegue encontrar palavras para descrever?
Maimônides diria que tudo bem se suas palavras parecem muito pequenas. Às vezes, as maiores ideias são aquelas que não cabem em uma frase. Como é pensar em algo que é um mistério?
Perguntas sobre Filosofia
Maimônides era um cientista ou um líder religioso?
Por que ele escreveu seu livro para pessoas 'perplexas'?
Qual é a ideia do 'Caminho Dourado' dele?
A Aventura de Pensar
Maimônides nos deixou um presente poderoso: a permissão para ser curioso. Ele nos mostrou que não precisamos escolher entre nossa cabeça e nosso coração. Quer você esteja olhando para uma minúscula célula através de um microscópio ou se perguntando sobre o sentido da vida, você está trilhando o caminho que ele começou há muito tempo. Continue fazendo suas grandes perguntas: elas são a ponte para o seu próprio caminho dourado.