Você já notou que no momento em que você consegue o brinquedo que tanto queria, você quase imediatamente começa a pensar no próximo?
Esse 'querer' estranho e interminável é exatamente o que Arthur Schopenhauer passou a vida estudando. Ele foi um pensador do século XIX que acreditava que, por trás do mundo físico que vemos, existe uma energia oculta e inquieta chamada Vontade que mantém tudo em movimento.
Imagine andar pelas ruas enevoadas de Frankfurt, na Alemanha, em meados de 1800. Você poderia ver um homem baixo com cabelos brancos espetados e um rosto muito sério passeando com um poodle branco.
Este homem era Arthur Schopenhauer. Ele não era como outros professores: ele não se importava se as pessoas gostavam dele e muitas vezes preferia a companhia de seus cães aos humanos.
Schopenhauer era tão consistente que comia no mesmo hotel, na mesma mesa, todos os dias durante anos. Ele colocava uma moeda de ouro sobre a mesa antes de sua refeição e a guardava no bolso depois. Ele dizia que doaria a moeda para a caridade se um dia ouvisse os oficiais ingleses por perto falando sobre qualquer coisa que não fossem cavalos ou cachorros!
Schopenhauer viveu em uma época em que os cientistas estavam descobrindo coisas novas sobre eletricidade e máquinas a vapor. Mas ele queria saber sobre o motor dentro de nós.
Ele olhou para o mundo e viu algo que a maioria das pessoas não percebia. Ele viu que tudo, desde uma folha de grama crescendo até uma pessoa escrevendo um livro, estava sendo impulsionado pela mesma força invisível.
Finn says:
"Espere, então se a Vontade é como um motor, isso significa que o universo é apenas uma máquina gigante que nunca dorme?"
O Mundo Como Uma Tela de Cinema
Schopenhauer tinha uma grande ideia chamada Representação. Ele acreditava que tudo o que vemos, ouvimos e tocamos não é o mundo "real", mas sim uma versão dele criada por nossos próprios cérebros.
Pense nisso como usar um par de óculos de Realidade Virtual (RV). Você vê as árvores, o céu e seus amigos, mas os vê através das lentes da sua própria mente.
Imagine que você está olhando para uma linda maçã vermelha. Você vê a cor, a forma redonda e a casca brilhante. Schopenhauer diz que isso é apenas a 'Representação.' A maçã 'Real' é outra coisa inteira: uma coleção de energia e 'Vontade' que existe mesmo que você não estivesse lá para vê-la. É como ver o reflexo de uma montanha em um lago em vez da montanha em si.
Como só vemos o mundo através dessas 'lentes', nunca podemos saber como as coisas são quando não estamos olhando. Ele chamou o mundo que vemos de Fenômeno.
Mas ele não parou por aí. Ele achava que havia encontrado uma alçapão secreto que o deixava ver o que estava por trás dos óculos.
O Motor Secreto: A Vontade
A porta secreta era o seu próprio corpo. Quando você sente fome, seu cérebro não apenas 'representa' a fome: você sente o desejo de comer por dentro.
Schopenhauer chamou esse impulso interno de Vontade. Para ele, a Vontade não era apenas uma coisa humana: era a energia que faz os planetas girarem e os ímãs atraírem.
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A Vontade é um homem cego forte que carrega sobre os ombros um homem coxo que pode ver.
Ele descreveu a Vontade como um poder cego e inquieto que nunca para de desejar. É como um rio gigante e invisível que carrega tudo junto, quer gostemos ou não.
É por isso que às vezes sentimos que não conseguimos parar de querer coisas. A Vontade dentro de nós está sempre procurando a próxima coisa para fazer, a próxima coisa para comer, ou a próxima coisa para vencer.
A 'Vontade' é o que nos dá energia para construir cidades, criar arte e sobreviver. Sem ela, ficaríamos parados e não faríamos nada.
A 'Vontade' é um valentão que nos mantém famintos e insatisfeitos. É melhor tentar acalmar a Vontade para podermos encontrar a paz verdadeira.
O Pêndulo da Vida
Como a Vontade está sempre querendo, Schopenhauer notou algo um pouco difícil. Ele viu que a maioria das pessoas passa a vida balançando para frente e para trás como um pêndulo.
Em um lado do balanço está o Sofrimento, que acontece quando queremos algo, mas não o temos. Parece uma dor literal no peito ou uma fome na mente.
Mira says:
"Essa ideia do pêndulo faz muito sentido. Lembro de querer muito aquele jogo novo, mas depois que terminei, me senti meio vazio. Isso é o lado do 'Tédio'?"
No outro lado do balanço está o Tédio. Isso acontece quando finalmente conseguimos o que queríamos e percebemos que isso não nos deixou tão felizes quanto pensávamos.
Schopenhauer era famoso por ser um Pessimista, o que significa que ele olhava para as partes difíceis da vida com muita honestidade. Ele não achava que a vida era um conto de fadas, mas achava que havia maneiras de encontrar a paz.
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A vida balança como um pêndulo, para trás e para frente, entre a dor e o tédio.
A Magia da Arte e da Música
Se a Vontade é uma estação de rádio alta e caótica que nunca desliga, Schopenhauer acreditava que a Arte era o botão de volume. Quando olhamos para uma pintura linda ou um pôr do sol, esquecemos o nosso próprio 'querer' por um momento.
Mas ele guardava seu maior elogio para a Música. Ele acreditava que a música era diferente de todas as outras formas de arte porque não apenas 'mostrava' a Vontade: ela era a Vontade transformada em som.
Da próxima vez que ouvir uma música sem letra, feche os olhos. Não tente pensar em uma história ou imagem. Apenas sinta a forma como as notas sobem e descem. Você consegue sentir uma sensação de 'empurrão' ou 'puxão' na música? Schopenhauer diz que é você sentindo diretamente a Vontade do universo!
Quando você ouve uma peça musical que o faz sentir tristeza, excitação ou poder, Schopenhauer diria que você está sentindo o pulso do próprio universo.
Nesses momentos, o pêndulo para de balançar. Você não está sofrendo porque quer algo, e não está entediado: você está apenas existindo.
Finn says:
"Gosto da ideia de que a música é o universo falando. Isso explica por que uma canção pode nos fazer sentir algo, mesmo que não haja letras."
Bondade e o Poodle
A ideia mais bonita de Schopenhauer era sobre a Compaixão. Ele acreditava que, como a mesma Vontade vive em todos, estamos todos realmente conectados.
Ele pensava que quando você vê outra pessoa sofrendo, você sente isso porque, em um sentido profundo, você é essa pessoa. A barreira entre 'você' e 'eu' é apenas mais um truque dos nossos óculos de RV.
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A compaixão pelos animais está intimamente associada à bondade de caráter.
É por isso que ele era tão gentil com os animais. Ele deu a todos os seus poodles o nome de Atman, uma palavra da filosofia indiana que significa o 'eu interior' ou alma.
Ele acreditava que um cão sente a mesma 'Vontade de viver' que um humano. Portanto, machucar um animal era tão ruim quanto machucar uma pessoa, porque você está machucando a mesma força vital universal.
O cachorro favorito de Schopenhauer, Atman, era um poodle branco. Em algumas partes da Índia, 'Atman' é uma palavra para a alma ou o eu verdadeiro. Quando Atman faleceu, Schopenhauer simplesmente pegou outro poodle branco e o chamou de Atman novamente. Ele acreditava que o 'espírito' do poodle era o mesmo em todos os cães.
Uma Ponte para o Oriente
Schopenhauer foi um dos primeiros pensadores europeus a ler livros antigos da Índia, como os Upanishads. Ele ficou maravilhado ao descobrir que pessoas a milhares de quilômetros de distância haviam chegado às mesmas conclusões que ele.
Ele adorava a ideia de Atenção Plena (Mindfulness) antes que se tornasse uma palavra comum no Ocidente. Ele percebeu que, ficando parado e em silêncio, poderíamos acalmar a Vontade inquieta dentro de nós.
Através das Eras
O Legado do Gênio Rabugento
Mesmo que ele pudesse ser um pouco ranzinza, Schopenhauer mudou a maneira como pensamos sobre a mente. Ele abriu caminho para a Psicologia moderna, ajudando-nos a entender que nossos cérebros têm partes 'escondidas' das quais nem sempre estamos cientes.
Ele nos ensinou que tudo bem reconhecer que a vida pode ser difícil. Ao enfrentar a 'vontade' de frente, podemos aprender a apreciar ainda mais os momentos de quietude.
Algo para Pensar
Se você pudesse desligar o seu 'querer' por apenas uma hora, o que você acha que notaria sobre o mundo que geralmente perde?
Não há resposta certa ou errada aqui. Algumas pessoas acham que veriam mais beleza, enquanto outras acham que talvez se sentissem muito sonolentas!
Perguntas sobre Filosofia
Schopenhauer era sempre triste?
Por que ele gostava tanto de poodles?
O que é 'A Vontade' em termos simples?
O Mundo Atrás da Cortina
Arthur Schopenhauer nos lembra que o mundo é um lugar muito mais profundo e estranho do que parece na superfície. Seja ouvindo uma música favorita ou acariciando um cachorro, você está se conectando com a mesma energia que move as estrelas. Da próxima vez que sentir aquele 'querer' inquieto, lembre-se do filósofo rabugento e seu poodle, e talvez tente encontrar um momento de quietude em vez disso.