Você já sentiu como se estivesse fazendo um papel em uma peça de teatro que não escreveu?

Simone de Beauvoir foi uma pensadora francesa que passou a vida perguntando por que algumas pessoas recebem mais liberdade do que outras. Ela se tornou uma líder do Existencialismo, uma forma de pensar que diz que não nascemos com um propósito pré-definido, mas que, em vez disso, criamos a nós mesmos por meio de nossas escolhas.

Imagine entrar em uma sala onde todos estão fantasiados. Uma pessoa está vestida de médico, outra de soldado e outra de 'menina bem-comportada'.

Agora, imagine que essas pessoas não estão apenas usando fantasias para uma festa. Elas acreditam que as fantasias são quem elas realmente são. Simone de Beauvoir olhou para o mundo e viu exatamente isso: um mundo de pessoas seguindo roteiros que não escreveram.

Imagine isso
Uma cena aconchegante em aquarela de um café parisiense dos anos 1940.

Imagine um café lotado em Paris na década de 1940. O ar está cheio do cheiro de café torrado e do som do jazz saindo de um rádio próximo. Dois amigos sentam-se em uma pequena mesa de mármore coberta de cadernos e canetas de tinta, conversando tão intensamente que esquecem de beber o café. Este era o 'escritório' de Simone.

Ela cresceu em Paris durante uma época de grandes mudanças. Quando nasceu, em 1908, o mundo tinha ideias muito específicas sobre o que uma jovem mulher poderia fazer.

Sua família esperava que ela fosse uma 'filha dedicada', o que significava ser quieta, casar-se e não fazer muitas perguntas difíceis. Mas Simone tinha outros planos: ela queria entender tudo.

A Garota que Queria Saber

Simone era uma estudante brilhante que amava livros mais do que quase qualquer outra coisa. Ela passava horas em bibliotecas, lendo sobre história e ciência, sentindo muitas vezes que vivia em dois mundos diferentes.

Havia o mundo que seus pais queriam para ela: um mundo de chás da tarde e boas maneiras. E havia o mundo das ideias: um mundo onde ela poderia ser qualquer pessoa e pensar qualquer coisa.

Simone de Beauvoir

Sou inteligente demais, exigente demais e engenhosa demais para que qualquer pessoa possa se encarregar de mim inteiramente.

Simone de Beauvoir

Simone escreveu isso em suas memórias. Ela explicava que não queria ser 'propriedade' de ninguém ou seguir um caminho apenas porque era o que esperavam dela.

Quando chegou à universidade, ela foi uma das pessoas mais jovens a passar nos difíceis exames de filosofia na França. Foi lá que conheceu outros pensadores, incluindo um homem chamado Jean-Paul Sartre.

Juntos, eles passariam o resto de suas vidas sentados em cafés parisienses, bebendo café e conversando sobre o que significa ser verdadeiramente livre. Eles acreditavam que os seres humanos são únicos porque, ao contrário de uma pedra ou de uma árvore, nós podemos decidir para que servimos.

Finn

Finn says:

"Se eu não tenho um propósito pré-definido, isso significa que posso escolher ser qualquer coisa? Tipo, posso escolher ser uma pessoa que nunca fica entediada, ou isso é apenas o jeito que meu cérebro funciona?"

O que é o Existencialismo?

Para entender Simone, você precisa entender uma palavra grande: Existencialismo. Antigamente, a maioria das pessoas achava que os seres humanos eram como ferramentas.

Se você faz uma tesoura, sabe exatamente para que ela serve antes mesmo de terminar de fabricá-la. Ela tem uma 'essência' ou um propósito: cortar. Mas Simone e seus amigos argumentavam que os humanos são diferentes.

Dois lados
O Essencialismo acredita

Tudo tem uma 'natureza' específica dada por um criador ou pela biologia. Você nasce com uma personalidade e um destino que não pode mudar.

O Existencialismo acredita

Você é uma tela em branco. Não existe um 'plano' para sua vida até que você comece a pintá-lo com suas próprias escolhas e ações.

Eles diziam que, para os humanos, 'a existência precede a essência'. Esta é uma maneira chique de dizer: primeiro você existe, depois você decide quem você é.

Você não nasce um 'herói', um 'covarde' ou um 'pintor'. Você simplesmente é. Todos os dias, você acorda e faz escolhas, e essas escolhas constroem lentamente a pessoa que você se torna.

O Roteiro e a Fantasia

Simone percebeu algo injusto, no entanto. Enquanto os meninos que ela conhecia ouviam que poderiam ser exploradores ou inventores, as meninas eram frequentemente informadas de que tinham apenas uma escolha: ser 'feminina'.

Ela percebeu que a sociedade trata os homens como o ser humano 'padrão', enquanto as mulheres são tratadas como 'o outro'. Era como se os homens fossem os atores principais da peça, e as mulheres fossem apenas as personagens coadjuvantes projetadas para ajudá-los.

Você sabia?
Um castor erudito sentado sobre livros.

Simone recebeu o apelido de 'Castor' de seus amigos. Eles a chamavam assim porque ela trabalhava muito e porque seu sobrenome 'Beauvoir' soava um pouco como a palavra inglesa para castor, 'Beaver'!

Ela escreveu um livro muito famoso chamado O Segundo Sexo para explicar isso. Nele, escreveu uma das frases mais famosas da história: 'Não se nasce mulher, torna-se mulher'.

Isso não significava que as pessoas não nascessem com corpos diferentes. Significava que todas as 'regras' sobre como uma menina deve agir — ser delicada, ser quieta ou gostar de certas cores — são coisas que aprendemos com o mundo ao nosso redor, não coisas com as quais nascemos.

Mira

Mira says:

"Eu percebi que quando pratico esportes, as pessoas às vezes dizem que sou 'boa para uma menina'. Simone provavelmente diria que elas estão olhando para a minha 'fantasia' em vez de olhar apenas para como eu jogo."

A Ética da Ambiguidade

Se somos todos livres para escolher quem somos, isso significa que podemos simplesmente fazer o que quisermos? Simone não pensava assim. Ela acreditava que ser livre é, na verdade, uma responsabilidade muito grande.

Ela chamou isso de Ética da Ambiguidade. A vida é 'ambígua' porque não vem com um manual. Não existe uma resposta 'certa' escondida no final do livro.

Simone de Beauvoir

Querer-se livre é também querer os outros livres.

Simone de Beauvoir

Do seu livro 'A Ética da Ambiguidade'. Ela acreditava que nossa própria liberdade está conectada à de todos os outros. Se você é um valentão, você não está praticando a liberdade, está apenas praticando o poder.

Como não há manual, temos que criar nossos próprios valores. Mas Simone argumentava que você não pode ser verdadeiramente livre se estiver ocupado tirando a liberdade dos outros.

Imagine um parquinho onde uma criança decide que é o Rei e todos os outros devem ser seus servos. O 'Rei' pode se sentir livre, mas na verdade está preso em uma mentira. Ele está tratando outras pessoas como objetos em vez de seres humanos vivos, que respiram e têm suas próprias escolhas.

Vivendo com Autenticidade

Simone queria que as pessoas vivessem com Autenticidade. Isso significa ser honesto sobre sua própria liberdade.

Uma pessoa que é 'inautêntica' (ou o que ela chamava de má-fé) finge que não tem escolha. Ela pode dizer: 'Eu tenho que ser chato com aquele garoto porque todos os meus amigos estão fazendo isso'.

Tente isso

Faça uma lista dos 'papéis' que você desempenha: aluno, irmão/irmã, amigo, jogador. Agora, pense em uma coisa que você faz nesses papéis apenas porque é o esperado. O que aconteceria se você escolhesse fazer diferente hoje? Como isso mudaria o 'personagem' que você está interpretando?

Mas Simone diria: 'Não, você está escolhendo seguir seus amigos'. Pode ser uma escolha difícil dizer não, mas a escolha ainda pertence a você.

Reconhecer que estamos sempre escolhendo pode ser assustador. Significa que não podemos culpar nossa 'natureza' ou nosso 'destino' pelos nossos erros. Mas também é emocionante, porque significa que nunca estamos verdadeiramente presos.

A Vida nos Cafés

Durante grande parte de sua vida, Simone não morou em uma casa tradicional. Ela morava em hotéis e trabalhava em cafés como o Café de Flore, em Paris.

Você sabia?
Duas casas conectadas por um caminho de luz.

Simone e seu parceiro de vida, Sartre, nunca se casaram nem moraram na mesma casa. Eles queriam garantir que ficariam juntos porque escolhiam isso todos os dias, não porque um contrato os obrigava.

Ela não queria a vida de 'filha dedicada', limpando uma casa ou cuidando de uma família. Ela queria uma vida da mente.

Ela e seus amigos passavam horas sentados, escrevendo livros e discutindo política. Eles viveram a Segunda Guerra Mundial, uma época em que a liberdade estava sendo tirada de milhões de pessoas. Isso fez com que suas ideias sobre escolha e responsabilidade parecessem mais importantes do que nunca.

Finn

Finn says:

"É meio pesado pensar que cada escolha é minha responsabilidade. Mas acho que também significa que sou o dono da minha própria história, o que é bem legal."

Através dos Tempos

As ideias de Simone de Beauvoir não ficaram apenas nos cafés de Paris. Elas viajaram pelo mundo e mudaram a forma como olhamos uns para os outros.

A Jornada do Tornar-se

1908
Simone nasce em Paris. Ela cresce em um mundo onde se espera que as mulheres sigam roteiros sociais rígidos.
1929
Ela passa nos exames de filosofia e conhece Sartre, iniciando uma vida dedicada ao 'projeto' da liberdade.
1949
Ela publica 'O Segundo Sexo'. O livro é tão polêmico que a Igreja Católica chegou a proibir as pessoas de lê-lo!
1970s
Suas ideias tornam-se a base para os movimentos de direitos das mulheres em todo o mundo, ajudando as pessoas a quebrarem velhos papéis.
Hoje
Pessoas em todos os lugares usam suas ideias para falar sobre gênero, identidade e o poder da escolha.

O trabalho dela ajudou a iniciar o movimento feminista moderno. Por causa dela, as pessoas começaram a perguntar: 'Por que esperamos que as meninas ajam de um jeito e os meninos de outro?'

Ela também influenciou o modo como pensamos sobre o envelhecimento. Mais tarde, ela escreveu sobre como a sociedade trata as pessoas mais velhas como se elas não fossem mais importantes. Ela argumentou que cada fase da vida é uma chance de continuar escolhendo e crescendo.

A Porta Aberta

Hoje, ainda usamos as ideias de Simone quando falamos sobre identidade. Seja pelas roupas que vestimos, pelos empregos que desejamos ou pela maneira como tratamos nossos amigos, estamos sempre 'nos tornando'.

Simone de Beauvoir

A vida de alguém tem valor enquanto se atribui valor à vida dos outros.

Simone de Beauvoir

Simone acreditava que não somos apenas ilhas isoladas. Criamos uma vida significativa pela forma como nos conectamos e cuidamos das pessoas ao nosso redor.

Simone não queria nos dar um conjunto de regras para seguir. Ela queria nos dar as ferramentas para construirmos nossas próprias vidas.

Ela nos lembra que as 'fantasias' que usamos são apenas isso: fantasias. Por baixo, há uma pessoa que está constantemente decidindo quem ser a seguir.

Algo para Pensar

Se você acordasse amanhã e não tivesse que seguir nenhum dos 'roteiros' que a sociedade lhe deu, qual seria a primeira coisa que você escolheria fazer?

Não existem respostas certas ou erradas aqui. Simone diria que apenas pensar na pergunta já é o primeiro passo para ser livre.

Perguntas sobre Filosofia

Simone de Beauvoir odiava os homens?
De jeito nenhum. Na verdade, ela tinha muitos amigos e colaboradores homens próximos. O que ela odiava era o sistema que tornava os homens os 'mestres' e as mulheres 'os outros'. Ela queria um mundo onde todos pudessem ser amigos e iguais.
O Existencialismo é apenas sobre fazer o que você quer?
Não, na verdade é sobre responsabilidade. Como não existem 'regras' escritas nas estrelas, somos responsáveis pelos valores que criamos. Se escolhermos ser maldosos, não podemos culpar ninguém mais por essa escolha.
Por que ela é tão famosa por uma frase sobre 'tornar-se mulher'?
Porque antes dela, a maioria das pessoas achava que ser 'feminina' era apenas um fato biológico natural, como ter olhos azuis. Ela foi a primeira a explicar claramente que muito do que chamamos de 'feminino' é, na verdade, uma fantasia criada pela sociedade.

Seu Projeto Começa Agora

Simone de Beauvoir não queria que você concordasse com tudo o que ela disse. Ela queria que você olhasse para sua vida e percebesse que ela pertence a você. Você não é um livro acabado; você é o autor e está escrevendo a próxima página agora mesmo. O que você escolherá escrever?