Se você encontrasse uma pedra bonita e lisa na praia e a colocasse num pedestal num museu, ela de repente se tornaria arte?

A arte é uma das coisas mais antigas que os humanos fazem, mas ainda não conseguimos concordar exatamente no que ela é. Nesta exploração, vamos observar a estética, a história e a intencionalidade por trás do motivo pelo qual criamos coisas que nem sempre têm um 'trabalho' a cumprir.

Imagine que você está numa caverna escura e úmida na França, há uns 30.000 anos. A única luz vem de uma tocha tremeluzente feita de gordura animal. Nas paredes de calcário, leões gigantes e cavalos galopantes parecem se mover nas sombras dançantes. Estas são as pinturas da Caverna de Chauvet, uma das artes mais antigas já descobertas.

Imagine isso
Uma ilustração em aquarela de uma impressão de mão pré-histórica na parede de uma caverna.

Imagine a caverna silenciosa, exceto pelo gotejar da água. Você está usando um osso oco para soprar pó vermelho sobre sua mão pressionada contra a parede. Quando você afasta a mão, um contorno perfeito permanece: uma impressão de mão 'negativa' que diz 'Eu estive aqui' através de trinta mil anos.

Esses humanos primitivos não tinham museus ou etiquetas de preço. Não tinham Instagram nem professores de arte. Mesmo assim, passavam horas moendo carvão e ocre para deixar essas marcas. Eles sentiam a necessidade de pegar algo de suas mentes e colocá-lo numa parede.

O Espelho: Arte como Cópia

Durante muito tempo, as pessoas pensaram que a resposta para "O que é arte?" era simples. Arte era um espelho. O objetivo era copiar o mundo da maneira mais perfeita possível. Os Antigos Gregos chamavam isso de mimese (em português, mimesis), que é de onde tiramos a palavra 'imitar'.

Mira

Mira says:

"Se a arte é só cópia, então uma fotocopiadora é a maior artista do mundo! Mas eu acho que há mais do que apenas ser um espelho."

Filósofos como Platão, na verdade, desconfiavam um pouco disso. Ele achava que, se uma árvore é uma coisa real, então uma pintura de uma árvore é apenas uma 'cópia de uma cópia'. Ele temia que a arte pudesse nos enganar, fazendo-nos dar mais importância às sombras do que à realidade.

Aristóteles

O objetivo da arte não é representar a aparência externa das coisas, mas seu significado interno.

Aristóteles

Aristóteles foi um filósofo grego antigo que viveu há mais de 2.300 anos. Ele acreditava que a arte não deveria ser apenas como uma foto, mas deveria nos dizer algo profundo sobre o que significa estar vivo.

Aristóteles, que foi aluno de Platão, via isso de outra forma. Ele pensava que os humanos são imitadores natos. Para ele, ver uma cópia bem feita de um leão nos ajudava a entender o que era um leão de verdade, sem o perigo de sermos comidos por um. A arte era uma forma de estudar o mundo em segurança.

Dois lados
Visão de Platão

A arte é uma distração. É uma versão falsa da realidade que nos afasta da verdade e da lógica.

Visão de Aristóteles

A arte é um professor. Ela nos ajuda a processar grandes emoções e a aprender sobre a vida observando as histórias se desenrolarem.

A Ponte: Arte como Sentimento

Eventualmente, os artistas perceberam que podiam fazer mais do que apenas copiar o que viam. Eles podiam mostrar o que sentiam. Pense na última vez que você ficou com muita raiva: o mundo parecia claro e ensolarado, ou parecia pontiagudo e irregular? A arte começou a mudar de ser um espelho para ser uma expressão.

Finn

Finn says:

"E se eu desenhar um cachorro, mas ele parecer uma nuvem? Ainda é um cachorro porque eu pensei que era, ou uma nuvem porque você vê assim?"

No século XIX, um escritor chamado Leon Tolstói argumentou que a arte não tinha nada a ver com beleza. Ele acreditava que a arte era uma maneira de 'infetar' outras pessoas com seus sentimentos. Se você se sente triste e pinta um quadrado azul, e outra pessoa olha para ele e sente essa mesma tristeza, Tolstói diria que isso é arte.

Leon Tolstói

A arte é uma atividade humana que consiste nisto: uma pessoa conscientemente... transmite aos outros os sentimentos que viveu.

Leon Tolstói

Tolstói foi um famoso escritor russo que achava que a arte era como uma 'ponte' de emoção. Ele acreditava que, se você não sente nada ao olhar para ela, ela não está funcionando como arte.

Essa ideia mudou tudo. Significava que a arte não precisava parecer uma fotografia para ser 'boa'. Só precisava ser honesta. Isso abriu espaço para linhas bagunçadas, cores estranhas e formas que não existem na natureza. Isso é frequentemente chamado de arte abstrata.

Você sabia?
Ilustração em aquarela de pós de pigmentos coloridos e um moedor de pedra.

Antes dos tubos de tinta, os artistas tinham que fazer as suas próprias! Alguns dos vermelhos mais bonitos vinham de esmagar pequenos insetos chamados cochonilhas. Um azul muito caro, chamado ultramarino, era feito moendo uma pedra azul semipreciosa chamada Lápis-Lazúli, vinda do Afeganistão.

A Escolha: Arte como Ideia

Em 1917, um homem chamado Marcel Duchamp fez algo que deixou as pessoas muito zangadas. Ele comprou um mictório de porcelana comum numa loja de encanamento, assinou um nome falso nele e o enviou para uma exposição de arte. Ele não o construiu, pintou ou alterou. Ele apenas o escolheu.

Mira

Mira says:

"É como um código secreto. O artista envia uma mensagem, e nós temos que usar nossos próprios cérebros para terminar a história."

Isso apresentou ao mundo a arte conceitual. Duchamp estava dizendo que a 'arte' não era o objeto em si, mas a ideia por trás dele. Ele argumentou que a ferramenta mais importante do artista não é um pincel ou um cinzel, mas sua perspectiva. Se um artista diz que algo é arte, isso é suficiente?

Tente isso

O Desafio 'Não-é-uma-Caixa': Encontre um objeto comum, como uma colher, um sapato ou uma caixa de papelão. Tente olhá-lo como se nunca o tivesse visto antes. Se você o colocar num prato de jantar e o chamar de 'A Montanha Solitária', ele parece diferente de olhar? Você acabou de realizar um ato de arte conceitual!

Isso levanta uma palavra complicada: curadoria. Curadoria é o ato de escolher o que é importante. Quando você pega suas três pedras favoritas e as alinha no parapeito da janela, você está agindo como um curador. Você está dizendo ao mundo: "Olhem para estas, elas são importantes."

A Arte Através das Eras

30.000 A.C.
Moradores de cavernas usam carvão e terra para pintar animais nas paredes, talvez para contar histórias ou fazer mágica.
400 A.C.
Os Gregos Antigos focam no 'Idealismo', fazendo estátuas que parecem versões heroicas e perfeitas de humanos.
1500 D.C.
Começa o Renascimento. Artistas como Leonardo da Vinci se tornam 'gênios' famosos que estudam ciência para tornar a arte mais realista.
1917 D.C.
Marcel Duchamp envia um mictório para uma exposição de arte, provando que uma 'ideia' pode ser arte, mesmo que o artista não tenha feito o objeto.
Hoje
A arte digital e as imagens geradas por IA nos desafiam a perguntar: A arte precisa de uma mão humana, ou apenas de uma mente humana?

Por Que Fazemos Isso?

Então, se a arte pode ser uma cópia, um sentimento ou apenas uma ideia, por que continuamos a fazê-la? Alguns psicólogos, como D.W. Winnicott, acreditam que a arte é uma forma de 'brincadeira séria'. É um meio-termo entre nossos sonhos internos e o mundo exterior. Ajuda-nos a sentir-nos menos sozinhos em nossas próprias cabeças.

Georgia O'Keeffe

Descobri que podia dizer coisas com cores e formas que não conseguia dizer de outra maneira: coisas para as quais eu não tinha palavras.

Georgia O'Keeffe

O'Keeffe foi uma artista americana conhecida por suas pinturas gigantes de flores. Ela sentia que as cores podiam falar mais claramente do que qualquer frase.

Quando você cria algo, está praticando agência (ou poder de ação). Você está fazendo uma escolha que transforma uma página em branco em algo novo. Mesmo que ninguém a veja, o ato de criá-la muda a forma como você se vê. Você se torna um criador em vez de apenas um consumidor.

Você sabia?

Em 1961, um quadro de Henri Matisse ficou pendurado no Museu de Arte Moderna de Nova York por 47 dias antes que alguém percebesse que estava de cabeça para baixo! Isso mostra o quanto nossa própria interpretação importa quando olhamos para a arte.

Hoje, temos novas perguntas. Um robô pode fazer arte? Se um programa de computador gera uma imagem bonita, existe um 'sentimento' dentro dele? De certa forma, ainda estamos naquela caverna escura, segurando nossas tochas contra a parede e nos perguntando o que as sombras significam. Não temos todas as respostas, e é exatamente por isso que a arte continua interessante.

Algo para Pensar

Se você fizesse uma pintura linda, mas a escondesse imediatamente onde ninguém jamais a encontrasse, ainda seria arte?

Não há uma resposta certa para isso. Algumas pessoas pensam que a arte precisa de um público para 'completá-la', enquanto outras acham que o ato de criar é tudo o que importa. O que você acha?

Perguntas sobre Filosofia

Qualquer coisa pode ser arte?
Muitos filósofos modernos dizem que sim, desde que seja apresentada com a intenção de ser arte. No entanto, outros argumentam que a arte requer um certo nível de habilidade ou um tipo específico de poder emocional para merecer o título.
Por que tem arte 'ruim' em museus?
A arte nem sempre é feita para ser bonita; às vezes, é feita para ser importante, histórica ou desafiadora. Uma pintura pode estar num museu porque foi a primeira a tentar uma nova técnica ou porque mudou a forma como as pessoas pensavam na época.
Quem decide o que é arte?
É uma mistura de artistas, curadores, historiadores e você! Embora os especialistas ajudem a decidir o que vai para os museus, cada pessoa que olha para uma obra de arte decide se ela significa algo para ela.

A Arte de Viver

Na próxima vez que você vir algo estranho numa galeria ou até mesmo um belo padrão de gotas de chuva em uma janela, lembre-se que a arte é uma conversa. É uma forma dos humanos dizerem 'Olhe para isto!' através do tempo e do espaço. Você faz parte dessa conversa toda vez que cria, rabisca ou simplesmente para para admirar o mundo.