Você já se sentiu como se simplesmente 'não fosse bom em matemática' ou 'ruim em desenhar'?

Carol Dweck, uma psicóloga famosa, dedicou sua vida a estudar por que algumas pessoas adoram desafios, enquanto outras desistem. Ela descobriu que nossa mentalidade (mindset), ou o que acreditamos sobre nossa própria inteligência, muda a forma como nosso cérebro realmente funciona.

Imagine uma sala de aula no Brooklyn, Nova York, nos anos 1950. O ar cheira a giz e papel velho. Uma jovem chamada Carol senta-se em sua carteira, observando atentamente sua professora.

Nesta sala de aula, a professora tem um jeito muito específico de sentar os alunos. Ela coloca as crianças com as pontuações de QI mais altas na primeira fila. As crianças com as pontuações mais baixas têm que sentar lá no fundo.

Imagine isso
Uma sala de aula nostálgica dos anos 1950 com luz do sol batendo em carteiras de madeira.

Imagine uma sala onde seu valor é decidido por um único número em um teste. Nos anos 1950, muitas pessoas acreditavam que a inteligência era algo com que se nascia e que nunca mudaria. Se você estivesse na última fila, as pessoas presumiam que você ficaria lá para sempre.

Carol notou algo estranho nessa distribuição de carteiras. As crianças da frente morriam de medo de cometer um único erro. Elas não queriam perder seu status de 'inteligentes'.

Essa experiência ficou com Carol por muito tempo. Ela começou a se perguntar: dizer a alguém que é inteligente realmente ajuda, ou faz com que essa pessoa tenha medo de tentar coisas novas?

Mira

Mira says:

"Se aquelas crianças na primeira fila eram tão inteligentes, por que estavam tão preocupadas? É como ser o rei de uma colina, mas ter medo de cada brisazinha."

Anos mais tarde, Carol se tornou uma cientista que estudava a mente humana. Ela queria saber por que algumas pessoas veem um quebra-cabeça difícil e ficam empolgadas, enquanto outras o veem e sentem vontade de desistir.

Ela decidiu montar um experimento famoso com centenas de crianças em idade escolar. Os resultados mudariam para sempre a maneira como pensamos sobre o cérebro.

Carol Dweck

Tornar-se é melhor do que ser.

Carol Dweck

Carol escreveu isso em seu livro 'Mindset'. Ela queria explicar que o processo de crescimento é mais importante do que apenas atingir um objetivo.

Em seu estudo, Carol deu às crianças uma série de quebra-cabeças. Alguns eram fáceis e outros eram muito, muito difíceis. Ela observou como as crianças reagiam quando ficavam presas.

Algumas crianças adoraram os quebra-cabeças difíceis. Um menino até esfregou as mãos e disse: 'Eu estava esperando que isso fosse informativo!' Essas crianças tinham o que Carol chamou de mentalidade de crescimento (growth mindset).

Dois lados
A Mentalidade Fixa

Eu não sou bom nisso. Isso é muito difícil. Devo parar antes de parecer bobo.

A Mentalidade de Crescimento

Eu não sou bom nisso ainda. Este é um desafio! O que posso tentar de diferente da próxima vez?

Outras crianças ficaram miseráveis quando não conseguiram resolver o quebra-cabeça imediatamente. Elas sentiram que estavam falhando e queriam desistir. Carol percebeu que essas crianças tinham uma mentalidade fixa (fixed mindset).

Para uma criança com mentalidade fixa, a inteligência é como a cor dos seus olhos. Você nasce com uma certa quantidade e não pode obter mais. Se você falha em uma tarefa, isso deve significar que você não é inteligente o suficiente.

Finn

Finn says:

"Então, se eu sou ruim em futebol agora, isso não significa que eu tenho um 'cérebro de futebol ruim'? Significa apenas que meu cérebro ainda não aprendeu os padrões do futebol?"

Mas para uma criança com mentalidade de crescimento, a inteligência é mais como um músculo. Você pode construí-lo exercitando-o. Quando uma tarefa é difícil, isso apenas significa que você está 'malhando' seu cérebro.

Carol percebeu que a maneira como falamos sobre o sucesso importa. Se elogiamos as crianças por serem 'inteligentes', podemos estar, na verdade, ensinando-as a ter uma mentalidade fixa.

Você sabia?
Ilustração de uma criança escolhendo entre um caminho seguro e um caminho desafiador.

Os cientistas descobriram que, quando elogiamos a inteligência de uma criança (como dizer 'Você é tão inteligente!'), elas geralmente escolhem tarefas mais fáceis depois. Elas têm tanto medo de falhar e perder o rótulo de 'inteligentes' que param de correr riscos!

Quando somos elogiados pelo nosso talento, começamos a pensar que o talento é a única coisa que importa. Passamos a temer os desafios porque, se falharmos, pensamos que isso prova que não somos talentosos, afinal.

Carol sugere que devemos elogiar o processo em vez disso. Isso significa notar o trabalho duro, as estratégias e o foco que alguém usa, em vez de apenas a nota final.

Carol Dweck

Não podemos simplesmente dizer a nós mesmos 'Eu consigo' se não tivermos as estratégias.

Carol Dweck

Carol frequentemente adverte que uma mentalidade de crescimento não é apenas 'tentar com força'. É tentar novas maneiras de resolver problemas quando as antigas não funcionam.

Uma das ferramentas mais poderosas que Carol descobriu é uma palavra minúscula: 'Ainda'. Esta palavra funciona como uma ponte entre onde você está agora e onde você quer chegar.

Imagine que você está tentando aprender uma música nova no piano e continua errando as notas. Em vez de dizer 'Eu não consigo fazer isso', Carol sugere dizer 'Eu não consigo fazer isso ainda.'

Tente isso

O Desafio do 'Ainda Não': Dobre uma folha de papel ao meio. No lado esquerdo, escreva 3 coisas que você não consegue fazer. (Exemplo: Eu não consigo andar de monociclo). No lado direito, escreva essas mesmas 3 coisas, mas adicione a palavra 'AINDA' no final. Perceba como seus sentimentos mudam ao ler o lado direito!

Esta palavra simples muda toda a história. 'Eu não consigo' é um beco sem saída, mas 'ainda não' significa que você está em um caminho. Reconhece que aprender leva tempo e esforço.

Os cientistas descobriram até que nossos cérebros mudam fisicamente quando praticamos dessa maneira. Isso é chamado de neuroplasticidade. Quando você se esforça com um problema difícil, os neurônios do seu cérebro estão criando conexões novas e mais fortes.

Mira

Mira says:

"É como um videogame. Você não fica bravo quando perde uma vida na Fase 10. Você apenas percebe que ainda não descobriu o movimento secreto do chefe!"

O trabalho de Carol viajou por todo o mundo, de escolas em Chicago a empresas em Londres. Mas a ideia de que podemos desenvolver nossas habilidades nem sempre foi aceita ao longo da história.

Por muito tempo, muitas pessoas acreditaram que seu futuro era decidido no momento em que nasciam. Elas pensavam que seu potencial era uma caixa fixa da qual você nunca poderia sair.

Através das Eras: As Mentes Podem Mudar?

Antiga Esparta (c. 400 a.C.)
Os espartanos acreditavam que você nascia guerreiro ou não. A força era vista como um presente fixo dos deuses.
O Iluminismo (década de 1690)
O filósofo John Locke argumentava que a mente era uma 'tábula rasa'. Isso significava que todos poderiam aprender, mas ainda não explicava como o cérebro muda.
Início de 1900
Os primeiros testes de QI foram inventados. Muitas pessoas os usavam para dizer que a inteligência era um número fixo que permaneceria o mesmo durante toda a vida.
Década de 1990 - Presente
Carol Dweck e outros cientistas provam que nossas crenças e esforços podem remodelar fisicamente nossos cérebros ao longo de nossas vidas.

Hoje, as ideias de Carol nos ajudam a entender que erros não são 'ruins'. Na verdade, um erro é apenas informação. Ele lhe diz exatamente onde você precisa se esforçar mais.

Ela acredita que nosso potencial é desconhecido e incognoscível. Não podemos saber o que alguém é capaz de alcançar até que tenha passado anos de sua vida trabalhando duro e aprendendo.

Carol Dweck

A paixão por se desafiar e persistir, mesmo (ou especialmente) quando as coisas não estão dando certo, é a marca registrada da mentalidade de crescimento.

Carol Dweck

Esta citação explica que o melhor momento para ter uma mentalidade de crescimento é exatamente quando as coisas parecem mais difíceis.

Da próxima vez que você se sentir frustrado, tente imaginar seu cérebro criando novos galhos. Cada vez que você supera um momento de 'travamento', você está literalmente se tornando mais inteligente para o futuro.

Aprender não é sobre provar o quão inteligente você é. É sobre a maravilha de descobrir o que seu cérebro é capaz de fazer em seguida.

Você sabia?
Ilustração de um cérebro criando novas conexões, brilhando com luz.

A pesquisa de Dweck descobriu que os alunos que aprenderam sobre como o cérebro cresce como um músculo realmente tiraram notas melhores em matemática! Só de saber que seus cérebros podiam mudar, eles se esforçaram mais quando as coisas ficaram difíceis.

Algo para Pensar

Se você soubesse com certeza que poderia aprender qualquer coisa com o tempo, qual é a primeira coisa que você tentaria dominar?

Não há respostas erradas aqui. Seja ciência espacial ou fazer o biscoito perfeito, seu cérebro está pronto para começar a crescer.

Perguntas sobre Psicologia

É ruim ter uma mentalidade fixa?
De jeito nenhum! Todo mundo tem uma mentalidade fixa às vezes, especialmente quando está cansado ou com medo. O objetivo não é ser perfeito, mas notar quando sua voz 'fixa' está falando e tentar respondê-la com uma voz de 'crescimento'.
Os adultos também podem mudar sua mentalidade?
Sim! O cérebro permanece 'plástico' (mutável) durante toda a sua vida. Até mesmo seus avós podem desenvolver novas vias neurais aprendendo novas habilidades ou mudando a forma como pensam sobre desafios.
E se eu me esforçar muito e ainda não conseguir?
Carol Dweck diz que o esforço é apenas parte da história. Se o esforço não está funcionando, é hora de procurar uma nova estratégia, pedir ajuda ou encontrar uma maneira diferente de abordar o problema. Uma mentalidade de crescimento inclui saber quando mudar seu plano.

O Jardim Infinito

Carol Dweck nos mostrou que nossas mentes não são estátuas de pedra: elas são mais como jardins. Eles precisam de tempo, das ferramentas certas e de muita paciência. Da próxima vez que você sentir que atingiu seu limite, lembre-se da garotinha na sala de aula do Brooklyn e do poder do 'ainda não'. Sua história ainda está sendo escrita, e seu cérebro ainda está crescendo.