Você já sentiu como se seus sentimentos fossem uma onda gigante que pudesse te derrubar?

Entender nossas emoções é como aprender uma linguagem secreta que nossos corpos usam para falar conosco. Neste guia, exploramos a experiência subjetiva de ser humano e como pensadores ao longo da história tentaram construir um ambiente de acolhimento para nossos maiores humores.

Imagine que você está parado em uma praia. Às vezes, a água está tão parada que parece um espelho, e outras vezes as ondas são tão altas que rugem como leões.

Seus sentimentos são exatamente como essa água. Eles estão em constante movimento, mudando de forma e respondendo ao mundo ao seu redor.

Imagine isso
Uma criança olhando para nuvens em forma de várias emoções.

Imagine que sua mente é um céu vasto e aberto. Os sentimentos são como nuvens. Algumas são fofas e brancas, outras são escuras e pesadas de chuva. Elas podem ficar por uma hora ou por um dia inteiro, mas, eventualmente, elas sempre passam, deixando o céu exatamente como era antes.

Por muito tempo, as pessoas não sabiam direito o que fazer com essas "ondas internas". Alguns achavam que eram distrações, e outros achavam que eram pistas enviadas pelos deuses.

Mas, há cerca de 150 anos, um cientista chamado Charles Darwin começou a olhar para os sentimentos de uma forma diferente. Ele percebeu que as emoções não são apenas coisas que acontecem conosco: elas são sinais biológicos que nos ajudam a sobreviver.

Charles Darwin

Os jovens e os velhos de raças muito diferentes, tanto no homem quanto nos animais, expressam o mesmo estado de espírito através dos mesmos movimentos.

Charles Darwin

Darwin escreveu isso em 1872 em seu livro sobre emoções. Ele queria que as pessoas entendessem que nossos sentimentos são uma parte profunda e antiga da nossa natureza que nos conecta a todos os outros seres vivos.

O Cientista dos Sorrisos

Darwin notou que, quando as pessoas estão com medo, seus olhos se arregalam. Isso não é apenas uma careta aleatória: olhos arregalados nos ajudam a enxergar melhor o que está acontecendo ao nosso redor.

Quando sentimos nojo, enrugamos o nariz. Isso ajuda a manter cheiros ruins ou coisas prejudiciais fora do nosso corpo.

Finn

Finn says:

"Então, quando meu coração bate rápido porque estou com medo, meu corpo está tentando me dar energia extra para correr ou me proteger? Isso faz com que pareça muito menos um sentimento 'ruim' e mais um superpoder."

O trabalho de Darwin nos mostrou que os sentimentos são como uma caixa de ferramentas. Cada emoção tem um trabalho a fazer, até mesmo aquelas que parecem desconfortáveis, como a raiva ou o medo.

Mais tarde, na década de 1960, um pesquisador chamado Paul Ekman viajou pelo mundo para ver se todos sentiam as mesmas coisas. Ele visitou pessoas em grandes cidades e pessoas em selvas remotas que nunca tinham visto uma televisão.

Você sabia?
Uma ilustração em close-up de um olho humano com uma lupa.

Existem cientistas que estudam as 'microexpressões'. São pequenos lampejos de emoção que passam pelo seu rosto por apenas uma fração de segundo: mais rápido do que você consegue notar! Seu corpo geralmente sabe como você se sente antes mesmo do seu cérebro.

Ele descobriu que, quer você viva em Nova York ou em uma pequena aldeia na Papua-Nova Guiné, um sorriso significa alegria e uma expressão fechada significa tristeza. Essas são chamadas de emoções primárias, e são as cores básicas do nosso pincel interno.

A Importância de Dar Nome

Se as emoções são como cores, às vezes elas se misturam. Você já se sentiu "triste-feliz" no último dia de aula, ou "animado-nervoso" antes de um grande jogo?

Os psicólogos descobriram que, quando damos um nome a um sentimento, isso realmente muda o nosso cérebro. Isso é chamado de nomeação de afetos (ou affect labeling), e funciona como um interruptor que diminui a intensidade de uma luz muito forte.

Donald Winnicott

O lugar onde temos mais probabilidade de encontrar as coisas mais importantes sobre nós mesmos é em nossos próprios sentimentos.

Donald Winnicott

Winnicott passou a vida ajudando as crianças a entenderem que seu mundo interior era um lugar de brincadeira e descoberta. Ele acreditava que ser 'real' era mais importante do que ser 'bonzinho'.

Quando você diz: "Eu me sinto frustrado", seu cérebro move a energia do "centro de alarme" para o "centro de pensamento". Isso faz com que o sentimento pareça um pouco mais controlável e um pouco menos como uma tempestade.

É como acender uma lanterna em um quarto escuro. O quarto não mudou, mas agora você pode ver onde estão os móveis para não tropeçar neles.

Tente isso

Da próxima vez que sentir uma emoção 'grande', tente dar a ela uma descrição física. É pesada ou leve? É quente como fogo ou fria como um cubo de gelo? Tem uma cor? Às vezes, descrever o sentimento faz com que ele pareça um objeto separado que você pode observar, em vez de ser algo que é 'você'.

Criando um Espaço Seguro

Às vezes, porém, apenas dar nome ao sentimento não é suficiente. Às vezes, o sentimento é tão grande que parece que vai explodir dentro de nós.

É aqui que entra um pensador chamado Donald Winnicott. Ele era um médico que passava muito tempo observando como pais e filhos conversam entre si sem usar palavras.

Winnicott criou uma ideia linda chamada ambiente de acolhimento (ou holding environment). Ele não se referia a uma caixa literal ou a um abraço físico, embora abraços certamente ajudem.

Ele quis dizer um sentimento de segurança onde a criança pode ser exatamente quem ela é: mesmo que esteja gritando, chorando ou se sentindo muito bagunçada por dentro. Ele acreditava que, para crescer, precisamos saber que nossos grandes sentimentos não vão "quebrar" as pessoas que cuidam de nós.

Mira

Mira says:

"A ideia de Winnicott me faz sentir melhor. Significa que, quando estou tendo uma explosão emocional, os adultos na minha vida são como as paredes de uma casa resistente. Eu posso bater nelas, e elas ainda estarão de pé quando eu me acalmar."

Lidando com as Coisas Difíceis

Winnicott também falou sobre o pai ou a mãe "suficientemente bons". Esta é uma ideia muito confortante porque significa que ninguém precisa ser perfeito.

Na verdade, ele achava que era melhor que os pais não fossem perfeitos. Quando um pai não entende um sentimento imediatamente, isso dá à criança a chance de tentar entender por si mesma.

Uma História dos Sentimentos

400 a.C.: Grécia Antiga
Hipócrates achava que as emoções eram causadas por quatro líquidos diferentes no corpo chamados 'humores'. Se você estivesse muito triste, ele achava que você tinha muita 'bile negra'!
1649: As Paixões
René Descartes argumentou que a mente e o corpo eram separados, mas que se encontravam em uma parte minúscula do cérebro para criar os sentimentos.
1872: A Expressão das Emoções
Charles Darwin provou que as emoções são universais e ajudaram os humanos a sobreviver, comunicando-se sem palavras.
Anos 1950: O Ambiente de Acolhimento
Donald Winnicott focou em como o senso de segurança e o 'brincar' permitem que as crianças explorem seus sentimentos mais difíceis.
Hoje: O Mapa do Cérebro
Cientistas modernos usam máquinas de ressonância magnética para ver exatamente quais partes do cérebro se acendem quando sentimos amor, raiva ou medo.

Esse processo de lidar com grandes sentimentos é chamado de regulação emocional. É como aprender a andar de bicicleta: no começo, você precisa de alguém segurando o banco, mas, com o tempo, você encontra seu próprio equilíbrio.

A Lógica dos Sentimentos

Por muito tempo, as pessoas pensaram que "ser emocional" era o oposto de "ser lógico". Elas achavam que você tinha que escolher um ou outro.

Mas a ciência moderna nos mostra que precisamos dos dois. Sem sentimentos, não saberíamos o que é importante para nós ou em quem podemos confiar.

Você sabia?

A palavra 'emoção' vem do latim 'emovere', que significa 'mover para fora'. Os sentimentos são literalmente energia em movimento, feitos para passar por nós, não para ficarem presos dentro de nós.

Pense em suas emoções como uma bússola. Elas não dizem exatamente por onde caminhar, mas indicam onde fica o Norte.

Se você sente uma pontada de ciúme, isso pode estar te dizendo que você realmente se importa com algo que um amigo tem. Se você sente uma onda de culpa, isso pode estar te dizendo que você valoriza ser uma pessoa gentil.

Convivendo com a Incerteza

Uma das coisas mais difíceis sobre as emoções é que elas nem sempre têm uma solução rápida. Às vezes nos sentimos tristes por um longo tempo e não sabemos o porquê.

Um pensador moderno chamado Adam Phillips sugere que não deveríamos ter tanta pressa em "consertar" nossos sentimentos. Ele acha que não saber exatamente como nos sentimos é, na verdade, um lugar muito criativo para se estar.

Adam Phillips

Frequentemente somos mais nós mesmos quando estamos mais incertos.

Adam Phillips

Phillips é um psicólogo moderno que acha que deveríamos ser mais curiosos sobre as coisas que não entendemos. Ele acredita que 'não saber' é um sinal de uma mente muito saudável.

Ele chama isso de ambivalência, que é quando temos dois sentimentos diferentes sobre a mesma coisa ao mesmo tempo. Não é um erro: é apenas parte de ser um ser humano complicado e interessante.

Finn

Finn says:

"Eu achava que era estranho ficar triste porque o verão acabou, mas também animado com a escola. Agora sei que 'ambivalência' é apenas uma palavra chique para ter um coração realmente grande que pode guardar muitas coisas ao mesmo tempo."

Estamos todos aprendendo a viver com nossos sentimentos todos os dias. Alguns dias o tempo está limpo, e outros dias está nublado, e é exatamente assim que deve ser.

Algo para Pensar

Se seus sentimentos pudessem falar em uma língua que só você entendesse, o que você acha que a sua 'tristeza' estaria tentando te dizer agora?

Não existem respostas erradas para isso. Seus sentimentos são sua própria linguagem particular, e você é o único especialista no que eles significam.

Perguntas sobre Psicologia

Por que alguns sentimentos fazem minha barriga doer?
Seu cérebro e seu intestino estão conectados por uma enorme rede de nervos. Quando você sente emoções fortes como ansiedade ou empolgação, seu cérebro envia sinais para o estômago que podem fazê-lo sentir apertado, agitado ou até dolorido.
Tudo bem sentir raiva de alguém que eu amo?
Sim, é completamente normal. Isso é o que os psicólogos chamam de ambivalência: a habilidade de ter dois sentimentos diferentes ao mesmo tempo. Amar alguém não significa que você nunca se sentirá frustrado ou chateado com essa pessoa.
Quanto tempo as emoções costumam durar?
Cientistas descobriram que o surto químico real de uma emoção no cérebro geralmente dura apenas cerca de 90 segundos. Se um sentimento dura mais tempo, geralmente é porque estamos repetindo os pensamentos associados a esse sentimento em nossas cabeças.

Sendo Seu Próprio Melhor Amigo

Aprender sobre as emoções não é sobre se tornar perfeito em ser feliz. É sobre se tornar um bom amigo de si mesmo, mesmo quando estiver passando por um momento difícil. Assim como um bom amigo fica ao seu lado durante uma tempestade, você pode aprender a ficar ao seu lado em qualquer tipo de clima interno. Seus sentimentos são um sinal de que você está vivo, curioso e profundamente conectado com o mundo ao seu redor.