Você já se perguntou por que sente um súbito 'choque' de preocupação quando perde de vista seu adulto responsável em uma loja lotada?
Esse sentimento não é um erro: é, na verdade, um superpoder biológico. Um médico britânico chamado John Bowlby descobriu que nossa necessidade de uma base segura é tão importante quanto nossa necessidade de comida e água. O trabalho dele sobre a teoria do apego mudou a forma como o mundo pensa sobre famílias, hospitais e o crescimento das crianças.
Imagine uma tarde fria e cinzenta em Londres, há mais de cem anos. Um menino chamado John está sentado em um berçário com seus cinco irmãos e irmãs.
Naqueles dias, famílias britânicas ricas pensavam que era ruim 'mimá-las'. Isso significava que John só via a mãe por exatamente uma hora todos os dias, na hora do chá.
Imagine uma casa vitoriana grande e fria com tetos altos. Enquanto os adultos estão no andar de baixo jantando de forma elegante, as crianças vivem quase inteiramente no 'berçário' do andar de cima. Era um mundo onde se esperava que as crianças fossem 'vistas e não ouvidas.'
O resto do dia, ele ficava com uma babá. Quando sua babá favorita deixou a família quando ele tinha quatro anos, John sentiu uma tristeza profunda e silenciosa.
Ele não tinha uma palavra para aquilo na época, mas nunca esqueceu o quanto doía perder alguém que parecia um lar. Essa experiência inicial permaneceu com ele enquanto crescia e se tornava médico.
O Mistério da Ligação Perdida
Quando John Bowlby começou a trabalhar como psiquiatra, a maioria dos especialistas acreditava em algo muito diferente do que sabemos hoje. Eles achavam que os bebês só amavam suas mães porque elas forneciam leite.
Finn says:
"Então, as pessoas que acreditavam no 'amor de armário' achavam que as crianças eram como máquinas de venda automática? Você coloca um lanche e ganha um humano feliz? Isso não parece certo de jeito nenhum."
Eles chamavam isso de 'amor de armário' (ou seja, amor pela comida). A ideia era que, se você alimentasse um bebê, ele ficaria feliz, não importava quem estivesse segurando a mamadeira.
John não acreditava nisso. Ele observava crianças que tinham muita comida, mas nenhum adulto estável para amar, e via que elas ficavam muitas vezes tristes ou doentes.
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A propensão a formar laços emocionais fortes com indivíduos específicos [é] um componente básico da natureza humana.
Ele notou que, quando as crianças eram separadas de seus pais, elas passavam por três estágios claros. Primeiro, protestavam e choravam alto.
Em seguida, passavam por um estágio de desespero, onde ficavam muito quietas e paradas. Finalmente, pareciam 'desapegar' e agiam como se não se importassem mais.
Durante a Segunda Guerra Mundial, muitas crianças em Londres foram enviadas para o campo para ficarem seguras contra as bombas. Embora estivessem fisicamente seguras, John Bowlby notou que estar longe de seus pais causava um tipo diferente de dor, que ele chamou de 'ansiedade de separação.'
Aprendendo com os Pássaros
Para provar suas ideias, John olhou para o reino animal. Ele ficou fascinado por um cientista chamado Konrad Lorenz, que estudava gansos.
Quando os filhotes de ganso nascem, eles seguem a primeira coisa em movimento que veem. Geralmente, é a mãe, e eles ficam grudados ao lado dela para se proteger.
Mira says:
"É interessante que compartilhamos isso com os animais. Isso me faz pensar que estar perto das pessoas que amamos não é apenas um desejo: é uma necessidade biológica profunda."
John percebeu que os humanos fazem algo semelhante, mesmo que não sigamos nossos pais em linha reta como gansinhos. Temos um sistema comportamental de apego interno que nos mantém perto de nossos protetores.
Este não é apenas um 'sentimento bom'. É uma ferramenta evolutiva projetada para nos manter vivos.
Pense na sua própria 'Base Segura'. Quem são as pessoas que fazem você sentir que pode lidar com qualquer coisa? Desenhe uma imagem de você mesmo como um explorador e desenhe suas pessoas seguras como o farol ou a base que mantém sua luz carregada.
A Base Segura
A ideia mais famosa de John é chamada de base segura. Pense nisso como um acampamento base para um alpinista.
Se um alpinista sabe que seu acampamento base é seguro, com comida quente e uma barraca firme, ele se sente corajoso o suficiente para escalar os picos mais altos. Ele pode correr riscos porque sabe que tem um lugar seguro para onde retornar.
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A vida é melhor organizada como uma série de aventuras ousadas a partir de uma base segura.
Quando uma criança tem um apego seguro, ela se sente livre para explorar, aprender e tentar coisas novas. Ela sabe que, se se machucar ou se assustar, sua 'base' estará lá para pegá-la.
Isso constrói o que John chamou de modelo operacional interno. Este é como um mapa mental de como os relacionamentos funcionam que carregamos dentro de nós para sempre.
As crianças só precisam de comida, calor e disciplina. Não as abrace muito, ou elas ficarão fracas e mimadas.
As crianças precisam de 'proximidade' e amor para sobreviver. Uma criança que se sente segura é, na verdade, aquela que cresce para ser mais independente.
Mudando o Mundo
Antes de John Bowlby, os hospitais eram muito rigorosos. Os pais muitas vezes só podiam visitar seus filhos doentes por uma hora por semana!
John lutou para mudar isso. Ele mostrou ao mundo que as necessidades emocionais de uma criança são tão vitais quanto seus medicamentos.
Mira says:
"Imagine estar no hospital e não poder ver seus pais. Estou tão feliz que John se manifestou para tornar as coisas mais gentis para as crianças."
Ele argumentou que separar as crianças de suas famílias causava uma espécie de 'ferida invisível' que demorava muito para cicatrizar. Lentamente, hospitais e escolas começaram a mudar a forma como tratavam as famílias por causa do trabalho dele.
A História do Apego
Por Que Isso Importa Hoje
John Bowlby não achava que os pais precisavam ser perfeitos. Na verdade, ele sabia que os relacionamentos são cheios de 'rupturas' e 'reparos'.
Uma ruptura é quando algo dá errado: como um pai ficando mal-humorado ou uma criança se sentindo incompreendida. Um reparo é quando eles se reaproximam e consertam as coisas.
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O que não pode ser falado à mãe não pode ser dito a si mesmo.
John nos ensinou que é o padrão de estar lá um para o outro que conta. Mesmo quando estamos separados, aquele fio invisível de apego nos mantém conectados.
É isso que nos permite crescer, ir embora e, eventualmente, nos tornar uma base segura para outra pessoa.
John Bowlby adorava a natureza! Ele passava os verões em uma casinha na Escócia chamada 'The Summerhouse' (A Casa de Verão), onde fazia a maior parte de seus melhores pensamentos enquanto olhava para o oceano. Ele acreditava que a natureza era um ótimo lugar para se sentir conectado ao mundo.
Algo para Pensar
Como é a sua 'base segura'?
Talvez seja uma pessoa, um cômodo específico da sua casa ou até mesmo um animal de estimação favorito. Não há respostas certas ou erradas: o mapa de segurança de cada um é único.
Perguntas sobre Psicologia
O que é a teoria do apego em palavras simples?
Ter um apego significa que sou carente?
Podemos ter mais de uma base segura?
O Fio que Conecta
John Bowlby passou a vida inteira tentando provar que o amor não é apenas um luxo: é uma necessidade. Graças a ele, sabemos que nossos sentimentos são importantes e que ficar perto das nossas pessoas favoritas é o que nos ajuda a crescer fortes. Da próxima vez que sentir aquele 'choque' de precisar de um abraço, lembre-se: é apenas sua bússola biológica funcionando exatamente como deveria.