Você já se perguntou por que um abraço de um dos seus pais pode melhorar um dia ruim, ou por que você se sente tão feliz quando seu melhor amigo entra na sala?

Amor é uma das palavras mais usadas na linguagem humana, mas também uma das mais difíceis de definir. Na psicologia, é frequentemente visto como uma forma de apego que nos ajuda a sobreviver, crescer e nos sentir seguros em um mundo muito grande.

Imagine que você está em um mercado movimentado na Grécia Antiga, há mais de 2.000 anos. Você vê pessoas rindo, amigos discutindo política e pais segurando as mãos de seus filhos.

A Grécia Antiga era obcecada em entender como as pessoas se sentem. Eles perceberam que a palavra 'amor' era muito pequena para descrever tudo o que estavam vendo.

Imagine isso
Uma ilustração de uma cena de mercado grego antigo mostrando amizade e família.

Imagine que você está andando pela Ágora, o mercado central de Atenas. Você vê dois filósofos sentados em um banco de pedra, dividindo um pão e rindo de uma piada. Perto dali, um pai está ensinando sua filha a contar usando pequenas contas de argila. Os gregos olharam para essas cenas e viram dois 'tipos' de amor completamente diferentes acontecendo ao mesmo tempo.

Eles não tinham apenas uma palavra para amor: tinham muitas. Eles entenderam que o amor que você sente pelo seu peixinho dourado é diferente do amor que você sente pela sua avó ou pela sua pizza favorita.

Uma das palavras mais importantes deles era Philia. Este era o amor entre amigos que compartilhavam os mesmos interesses ou valores.

Mira

Mira says:

"Se os gregos tinham quatro palavras para amor, eu me pergunto se precisamos de mais hoje? Talvez exista uma palavra especial para o amor que você sente por um livro que leu dez vezes."

Depois havia Storge, que descrevia o amor natural e protetor entre membros da família. É o tipo de amor que não exige que você seja 'legal' ou 'inteligente' para merecê-lo.

Mas os gregos também falavam sobre Agape. Este é um tipo de amor muito especial e grande que significa cuidar de todas as pessoas, mesmo aquelas que você nunca conheceu.

Erich Fromm

Amar alguém não é apenas um sentimento forte: é uma decisão, é um julgamento, é uma promessa.

Erich Fromm

Fromm foi um psicólogo que acreditava que o amor não era algo em que você 'caía' por acidente. Ele pensava que era uma arte que exigia prática, esforço e a escolha de se importar todos os dias.

Se você já se sentiu triste ao ver um estranho se machucando ou se sentiu feliz quando uma comunidade inteira se une para ajudar alguém, isso é Agape. É o amor como um modo de viver, em vez de apenas um sentimento que você tem por uma pessoa.

Mas por que sentimos essas coisas? Por muito tempo, os cientistas pensaram que os bebês amavam seus pais apenas porque os pais forneciam comida e calor.

Você sabia?

Por muito tempo, os médicos pensaram que pegar um bebê chorando demais o iria 'estragar'. Só quando psicólogos como Bowlby e Winnicott apareceram é que percebemos que os bebês realmente precisam dessa proximidade para ajudar seus cérebros a se desenvolverem corretamente!

Na década de 1950, um psicólogo chamado John Bowlby começou a olhar as coisas de forma diferente. Ele notou que o amor não era apenas sobre conseguir o que precisamos para sobreviver.

Ele desenvolveu a ideia da teoria do apego, que sugere que os humanos nascem com uma necessidade biológica de estar perto de outros. Não estamos apenas procurando uma refeição: estamos procurando uma 'base segura.'

Finn

Finn says:

"Então, se o amor é como um farol, isso significa que, mesmo que eu navegue muito longe, a luz ainda está lá? Quão longe a luz realmente pode alcançar?"

Pense em uma base segura como um farol. Quando você se sente seguro e amado, você tem a coragem de sair e explorar o oceano selvagem e tempestuoso do mundo.

Você sabe que, se ficar cansado ou assustado, sempre poderá voltar para o seu farol. Essa segurança é o que permite que as crianças aprendam, brinquem e, finalmente, se tornem independentes.

Donald Winnicott

As bases da saúde são lançadas pelo pai e pela mãe comuns em seu cuidado amoroso comum de seu próprio bebê.

Donald Winnicott

Winnicott era um pediatra que percebeu que os pais não precisam ser perfeitos. Ele dizia aos pais que serem 'bons o suficiente' e fornecer um espaço seguro era exatamente o que as crianças precisavam para prosperar.

Esse 'acolhimento' nem sempre significa um abraço físico. Pode ser um olhar, uma palavra, ou apenas saber que alguém está pensando em você quando você não está por perto.

O amor também muda a forma como nossos corpos funcionam. Quando estamos perto das pessoas que amamos, nossos cérebros liberam um produto químico chamado Oxitocina.

Você sabia?
Uma ilustração de dois elefantes se conectando.

Os humanos não são os únicos que sentem amor! Cientistas descobriram que quando os elefantes se reúnem com sua família depois de estarem separados, seus cérebros liberam produtos químicos muito semelhantes aos que os humanos sentem quando estão felizes e amados.

Este produto químico é, às vezes, chamado de 'hormônio do abraço' porque nos faz sentir calmos e conectados. Na verdade, ele diminui nossos níveis de estresse e nos faz sentir mais corajosos.

Mas o amor não é apenas uma reação química que acontece conosco. Muitos pensadores acreditam que o amor é algo que temos que praticar, quase como tocar piano ou aprender um esporte.

Dois lados
O Lado do Sentimento

O amor é um sentimento que nos atinge como um raio. Não podemos controlar por quem nos apaixonamos ou quando isso começa. É um instinto que vive no fundo do nosso coração.

O Lado da Ação

O amor é uma decisão que tomamos todos os dias. É sobre como tratamos as pessoas, mesmo quando estamos cansados ou irritados. Nós escolhemos ser amorosos através das nossas ações.

Se o amor é uma habilidade, isso significa que podemos melhorar nisso. Podemos praticar ser mais pacientes, sermos melhores ouvintes ou tentar entender como outra pessoa se sente, o que é chamado de Empatia.

Através das Eras: Como Pensamos Sobre o Amor

400 a.C.
Os gregos antigos definem 'Os Quatro Amores', separando a amizade da família e do romance.
1100s
A era do 'Amor Cortês' na Europa, onde poetas escreviam canções sobre o amor ser uma aventura grandiosa e distante.
1950s
Psicólogos descobrem a Teoria do Apego, provando que as crianças precisam de calor emocional tanto quanto de comida.
Hoje
Neurocientistas usam exames cerebrais para ver exatamente como o amor ajuda nossos cérebros a crescer e se manterem saudáveis.

Uma das histórias mais famosas sobre o 'trabalho' do amor vem de um livro chamado O Pequeno Príncipe. Na história, uma raposa explica a um jovem príncipe o que significa 'cativar' alguém.

A Raposa (de O Pequeno Príncipe)

É o tempo que você perdeu com a sua rosa que torna a sua rosa tão importante.

A Raposa (de O Pequeno Príncipe)

Neste livro famoso de Antoine de Saint-Exupéry, a raposa ensina ao Príncipe que o amor é sobre o tempo e a atenção que dedicamos aos outros, o que os torna únicos para nós.

Para a raposa, cativar alguém significa dedicar tempo para construir um laço único. De todas as milhões de raposas no mundo, aquela raposa se torna especial por causa do tempo que passaram juntos.

Mira

Mira says:

"A raposa está certa. Meu ursinho de pelúcia favorito não é especial pela sua aparência, mas por todos os segredos que eu contei a ele. Isso também é uma forma de amor."

Isso nos diz que o amor é frequentemente encontrado nos momentos pequenos e repetidos. É a maneira como você sempre divide seu lanche, ou as piadas secretas que você tem com seus irmãos.

Às vezes, o amor pode parecer um pouco assustador porque significa que nos importamos tanto com algo que podemos perdê-lo. Filósofos costumam dizer que amor e vulnerabilidade andam de mãos dadas.

Tente isso

Faça uma 'Auditoria do Amor' por um dia. Toda vez que você vir alguém fazendo algo legal por outra pessoa: como um professor segurando a porta ou um amigo dividindo um lápis: conte. No final do dia, você pode se surpreender com quanto 'amor invisível' está circulando em sua escola ou casa!

Você não pode ter um sem o outro. Mas, embora o amor possa ser confuso e bagunçado, é aquilo que nos torna mais humanos.

Seja o Eros de um grande romance em um filme ou a simples gentileza de um vizinho, o amor é a maneira como dizemos ao mundo que não estamos sozinhos.

Perguntas sobre Psicologia

Você pode amar alguém mesmo estando zangado com essa pessoa?
Sim! Psicólogos chamam isso de 'ambivalência'. É muito comum sentir duas emoções grandes ao mesmo tempo. O amor é a conexão profunda que permanece, mesmo quando um sentimento temporário como a raiva aparece de visita.
O amor é só para pessoas?
De jeito nenhum. As pessoas sentem um amor profundo por animais de estimação, pelo meio ambiente e até por ideias ou arte. O amor é sobre uma conexão que faz algo parecer importante e significativo para você.
E se eu não me sentir 'apaixonado' o tempo todo?
Isso é perfeitamente normal. O amor na vida real geralmente não é como um filme com corações flutuando no ar. Muitas vezes, é apenas um sentimento calmo e constante de saber que você pertence a algum lugar e que alguém te apoia.

Um Mundo Unido

O amor é um mistério grande, bagunçado e lindo que tem intrigado as pessoas mais inteligentes da história por milhares de anos. Podemos não ter todas as respostas ainda, mas sabemos de uma coisa com certeza: é melhor fazer parte do fio do que ser um ponto solitário. Continue explorando, continue se importando e continue fazendo perguntas sobre as coisas invisíveis que nos unem.