E se aquela sensação de borboletas nervosas no estômago não fosse um erro?
Rollo May foi um famoso psicólogo que acreditava que ser humano é como ser um explorador em uma terra sem mapa. Ele ensinava que a ansiedade e o medo não são coisas para esconder, mas sim pistas de quanto nos importamos com a nossa liberdade.
Imagine-se parado na beirada de um trampolim de mergulho muito alto pela primeira vez. A água parece longe, seus joelhos parecem gelatina, e há um zumbido estranho nos seus ouvidos.
A maioria das pessoas diria para você apenas "ser corajoso" ou "parar de se preocupar". Mas Rollo May olharia para você e sorriria. Ele diria que os joelhos de gelatina e o zumbido são a prova de que você está prestes a fazer algo grande.
Imagine que você é um explorador nos anos 1950. Enquanto a maioria das pessoas tenta tornar a vida o mais segura e previsível possível, você está sentado em um escritório tranquilo em Nova York, dizendo às pessoas que tudo bem se sentir 'abalado' pela vida. Você vê o mundo não como uma máquina para consertar, mas como uma história sendo escrita.
Rollo May nasceu em 1909 em uma cidade pequena em Ohio. Quando menino, ele amava a natureza e passava muito tempo explorando os bosques e rios.
Sua vida familiar era frequentemente barulhenta e difícil, o que o fazia se perguntar por que as pessoas agem como agem. Ele queria entender por que algumas pessoas parecem desistir quando as coisas ficam difíceis, enquanto outras encontram uma maneira de crescerem ainda mais fortes.
Finn says:
"Se Rollo era solitário naqueles bosques quando criança, talvez seja por isso que ele cresceu querendo tanto entender as pessoas. Às vezes, estar sozinho é onde as melhores perguntas começam."
A Longa Espera
Quando Rollo era jovem, ele se mudou para a Grécia para dar aulas de inglês. Ele se apaixonou pelas montanhas e pelas histórias antigas de heróis e deuses.
Mas então, algo assustador aconteceu. Ele ficou muito doente com uma doença chamada tuberculose. Naquela época, não havia uma pílula rápida para curar.
Antes de se tornar psicólogo, Rollo May era um artista muito talentoso! Ele adorava pintar aquarelas dos lugares que visitava. Ele acreditava que olhar para a arte era uma forma de ajudar a curar a mente.
Ele teve que ficar em um hospital chamado sanatório por três anos. Durante a maior parte desse tempo, ele não sabia se iria viver ou morrer. Passava os dias deitado na cama, observando o sol se mover pela parede.
Foi durante essa longa e silenciosa espera que ele percebeu algo importante. As pessoas que melhoravam não eram necessariamente as que tinham a melhor medicina. Eram aquelas que decidiam que suas vidas ainda tinham significado, mesmo presas em um leito de hospital.
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A ansiedade é a tontura da liberdade.
O Mistério da Ansiedade
A maioria das pessoas pensa que a ansiedade é um monstro que mora debaixo da cama. Dizem para nós expulsá-lo ou ignorá-lo. Rollo May tinha uma ideia diferente.
Ele acreditava que existem dois tipos de ansiedade. O primeiro é o que ele chamava de ansiedade neurótica. Este é o tipo que nos faz sentir paralisados ou presos porque estamos preocupados com coisas que não estão realmente acontecendo.
A ansiedade é uma luz de aviso que nos diz que algo está errado e precisamos parar ou nos esconder até nos sentirmos seguros novamente.
A ansiedade é como um ponto 'Você Está Aqui' em um mapa. Mostra onde o crescimento mais importante está acontecendo em nossas vidas.
Mas o segundo tipo é a ansiedade normal. É o sentimento que você tem quando percebe que precisa fazer uma escolha. É a "tontura" que você sente ao encarar uma folha de papel em branco ou ao decidir se deve contar a verdade.
Rollo acreditava que se você nunca sentisse esse tipo de ansiedade, você não estaria crescendo. É o sinal de que você está usando a sua vontade para mudar o seu mundo.
Mira says:
"Eu gosto da ideia de 'liberdade tonta' (dizzy freedom). É como quando eu tenho cinco cores de tinta diferentes e não consigo decidir qual usar primeiro. É um sentimento feliz-assustador."
Coragem Não é Ausência de Medo
Muitas vezes vemos filmes onde o herói nunca tem medo. Eles entram em cavernas de dragões com o rosto sério e mãos firmes.
Rollo May achava isso chato e pouco verdadeiro. Ele definiu coragem como a capacidade de seguir em frente mesmo quando você está tremendo de medo.
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Coragem não é a ausência de desespero: é, antes, a capacidade de seguir em frente apesar do desespero.
Para Rollo, o tipo de coragem mais importante era a coragem de criar. Isso não é apenas pintar quadros ou escrever músicas. É a coragem de construir sua própria vida e ser sua própria pessoa.
Significa escolher seu próprio caminho mesmo quando todo mundo está indo na direção contrária. É o ato de trazer algo novo ao mundo que não existia antes.
Na próxima vez que você ficar nervoso com alguma coisa, tente dar a esse sentimento uma forma e uma cor. É uma bola vermelha pontuda? Uma nuvem azul rodopiante? Agora, imagine que essa forma é na verdade uma bateria. O que você poderia alimentar com essa energia nervosa se a conectasse?
Liberdade e Destino
Rollo May falava muito sobre duas palavras grandes: liberdade e destino. Elas podem parecer opostas, mas ele acreditava que eram parceiras.
Seu destino são as coisas que você não pode mudar: onde você nasceu, sua altura ou o fato de estar chovendo hoje. É a mão de cartas que você recebe em um jogo.
Finn says:
"Então, meu 'destino' é ter que ir à escola, mas minha 'liberdade' é escolher sobre o que conversar no recreio? Isso faz o dia parecer um pouco mais meu."
A liberdade, no entanto, é como você escolhe jogar essas cartas. Você não pode parar a chuva, mas pode escolher dançar nela, construir um forte dentro de casa ou reclamar da lama.
Ele acreditava que quanto mais entendemos as coisas que não podemos mudar, mais poder temos para mudar as coisas que podemos.
A Jornada da Coragem e da Ansiedade
O Fogo Criativo
Rollo tinha um nome especial para a energia intensa dentro de nós que pode ser boa ou má. Ele a chamou de daimônico (ou dionisíaco, em algumas traduções).
Pense nisso como um grande fogo crepitante. Se o fogo é controlado, ele mantém a casa aquecida e cozinha sua comida. Esta é a energia que usamos para criar arte ou resolver problemas.
A palavra 'daimônico' (ou 'daimon') vem de uma palavra grega antiga, 'daimon'. Para os gregos, isso não era um monstro, mas um espírito ou uma fonte de inspiração que vivia dentro de uma pessoa e a empurrava em direção ao seu destino.
Mas se o fogo sai do controle, ele pode queimar as coisas. Esta é a mesma energia que se transforma em raiva ou em ser malvado. Rollo acreditava que nosso trabalho não é apagar o fogo, mas aprender a guiá-lo.
Ao reconhecer nossos grandes sentimentos em vez de escondê-los, podemos usar essa energia para fazer coisas incríveis. Transformamos nossos sentimentos "assustadores" em combustível criativo.
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O artista criativo é aquele que consegue viver com a ansiedade, mesmo que ela seja assustadora.
Por Que Rollo May Ainda Importa
Hoje em dia, muitas vezes nos dizem que devemos ser felizes o tempo todo. Se nos sentimos tristes ou nervosos, achamos que algo está errado conosco.
Rollo May nos lembra que ser humano é complicado. Envolve sentir-se pequeno, sentir-se assustado e cometer erros. Mas ele também nos mostra que essa confusão é exatamente onde está a beleza.
Quando você sentir aquele frio na barriga amanhã, você não precisa desejar que ele vá embora. Você pode notá-lo, dar um nome a ele e se perguntar: "Que coisa emocionante eu estou prestes a fazer?"
Algo para Pensar
Se você estivesse completamente sem medo por apenas uma hora, o que você faria?
Não há resposta certa aqui. Algumas pessoas podem querer escalar uma montanha, enquanto outras finalmente diriam algo gentil para uma pessoa que consideram intimidante. Apenas perceba o quão diferente seu 'eu destemido' se sente do seu 'eu normal.'
Perguntas sobre Psicologia
Rollo May era médico?
Por que ele se importava tanto com arte?
É normal querer ficar menos ansioso?
A Aventura de Ser Você
Rollo May não ofereceu atalhos fáceis para a felicidade. Em vez disso, ele ofereceu algo melhor: uma maneira de se sentir poderoso mesmo quando as coisas estão difíceis. Ele nos lembra que sua vida é sua própria obra-prima, e até as sombras em uma pintura existem para ajudar a luz a brilhar mais forte.