Você já se perguntou por que alguns dias você se sente como se pudesse conquistar o mundo, enquanto em outros você se sente como um pequeno ponto invisível?

Esse sentimento instável é frequentemente chamado de autoestima, um conceito que os psicólogos tentam mapear há mais de cem anos. É a história que contamos a nós mesmos sobre o nosso valor, e ela muda dependendo de com quem estamos, o que fazemos e como lidamos com nossos erros.

Imagine que você está em uma biblioteca empoeirada em Cambridge, Massachusetts, no ano de 1890. O ar cheira a papel velho e fumaça de madeira. Um homem com uma barba espessa chamado William James está sentado a uma pesada escrivaninha de carvalho, rabiscando com uma caneta-tinteiro.

Ele está escrevendo o primeiro livro sobre a mente humana. Ele está tentando descobrir por que algumas pessoas se sentem felizes consigo mesmas, enquanto outras não. Este é o momento em que a ideia de autoestima nasceu no mundo da ciência.

Você sabia?
Um coração dourado sendo pesado em uma balança antiga.

A palavra 'estima' vem do latim 'aestimare', que significa valorizar ou estimar. Então, autoestima é literalmente como você 'estima' o seu próprio valor!

Antes de William James, as pessoas não falavam muito sobre "autoestima". Elas falavam em ter orgulho ou ser humildes, mas não pensavam nisso como uma pontuação psicológica que se podia medir. James percebeu que a forma como nos sentimos sobre nós mesmos não tem a ver apenas com o quão bons somos nas coisas.

Na verdade, é uma equação matemática em nossas cabeças. Ele acreditava que nossa autoestima vinha da lacuna entre o que queremos alcançar e o que realmente fazemos. Se você quer ser um padeiro mestre, mas mal consegue torrar pão, sua autoestima pode cair um pouco.

William James

A autoestima é determinada pela proporção entre nossas realidades e nossas supostas potencialidades.

William James

Escrevendo em 1890, James explicava que nossa felicidade depende do equilíbrio entre o que realmente alcançamos e o que pensamos que deveríamos alcançar.

James chamou nossos objetivos e expectativas de pretensões (ou ambições). Ele sugeriu que, se quisermos nos sentir melhor, temos duas escolhas: ou trabalhamos mais para ter sucesso, ou diminuímos nossas pretensões. Era uma forma muito prática de olhar para o coração.

Finn

Finn says:

"Então, William James achava que eu poderia simplesmente decidir querer menos? Parece mais fácil falar do que fazer. Às vezes, eu realmente quero ser bom em algo, e dói quando não sou."

Mas com o passar do tempo, outros pensadores perceberam que a autoestima era muito mais complicada do que um problema de matemática. Em meados do século XX, um psicólogo chamado Carl Rogers começou a vê-la de forma diferente. Ele não achava que a autoestima era apenas sobre ganhar ou perder.

Rogers passava seus dias ouvindo as pessoas falarem sobre seus medos e esperanças mais profundos. Ele notou que muitas pessoas sentiam que só mereciam amor se fossem perfeitas, ou se fizessem exatamente o que os outros queriam. Ele chamou isso de "condições de valor".

Imagine isso
Um jovem explorador parecendo calmo enquanto navega por uma selva exuberante.

Imagine que você é um explorador em uma selva densa. Se você sente que precisa ser o 'melhor' explorador, você pode ter muito medo de fazer um caminho errado. Mas se você sabe que está tudo bem mesmo que se perca, você pode aproveitar a jornada.

Rogers acreditava que, para uma pessoa crescer, ela precisava de algo chamado aceitação positiva incondicional. Isso significa ser cuidado e aceito pelo que você é, sem quaisquer amarras. Ele pensava que a autoestima crescia melhor quando nos sentíamos seguros o suficiente para sermos nós mesmos, bagunçados e imperfeitos.

Mira

Mira says:

"Gostei do que Carl Rogers disse sobre ser uma planta. Uma planta não se sente mal se cria uma folha torta. Ela apenas continua buscando a luz. Talvez nós possamos fazer isso também."

Ele usava frequentemente a metáfora de uma planta. Uma planta não tenta ser uma planta "boa": ela apenas tenta crescer. Se ela tem luz solar e água suficientes, ela se torna exatamente o que deveria ser. Rogers pensava que os humanos eram iguais.

Carl Rogers

O paradoxo curioso é que quando eu me aceito exatamente como eu sou, então eu posso mudar.

Carl Rogers

Rogers percebeu que não podemos melhorar a nós mesmos se estivermos constantemente presos em um ciclo de odiar nossos erros. O crescimento começa com a aceitação.

Enquanto Rogers pensava sobre aceitação, outro psicólogo chamado Abraham Maslow estava olhando para o que os humanos precisam para sobreviver e prosperar. Ele criou uma famosa pirâmide chamada Hierarquia das Necessidades. Ele colocou a autoestima perto do topo.

Maslow argumentou que não podemos realmente focar em nossa autoestima se estivermos com fome, inseguros ou sozinhos. Uma vez que nossas necessidades básicas são atendidas, naturalmente começamos a procurar dois tipos de respeito: respeito dos outros e respeito por nós mesmos.

Tente isso

Faça uma lista de 'Ainda Não'. Escreva três coisas que você ainda não é bom, mas quer ser. Ao lado delas, escreva um pequeno passo que você pode dar em direção a cada uma. Isso ajuda a construir a 'competência' que Maslow mencionou.

Maslow notou que o tipo de autoestima mais estável não vem da fama ou de ser o melhor da turma. Vem de um senso real de competência. Isso significa saber, bem no fundo, que você consegue lidar com as coisas e que você tem habilidades que trabalhou duro para construir.

A Autoestima Através das Eras

Grécia Antiga
Filósofos como Sócrates focam em 'Conhece-te a Ti Mesmo'. O valor vem de ser virtuoso e sábio, em vez de apenas se sentir bem.
1890
William James publica 'Os Princípios da Psicologia', definindo a autoestima como uma razão entre sucesso e expectativas pela primeira vez.
Décadas de 1950 - 1960
Carl Rogers e Abraham Maslow focam no crescimento humano, aceitação e na hierarquia das necessidades.
Décadas de 1970 - 1980
O 'Movimento da Autoestima' toma conta das escolas, focando em elogios constantes e em fazer cada criança se sentir especial.
2010 - Presente
Psicólogos migram para a 'Autocompaixão' e 'Atenção Plena' (Mindfulness), enfatizando a gentileza consigo mesmo na era das redes sociais.

Com o passar dos anos, a ideia de autoestima saiu do consultório médico para as escolas e lares. Nos anos 60 e 70, houve um grande "Movimento da Autoestima". As pessoas começaram a pensar que se toda criança se sentisse bem consigo mesma, todos os problemas do mundo desapareceriam.

Mas isso levou a um pequeno erro. Os adultos começaram a dar troféus só por participar, pensando que isso construiria a autoestima. Eles pensavam que, se dissessem às crianças que elas eram "especiais" o tempo todo, essas crianças seriam felizes e bem-sucedidas.

Dois lados
Visão dos Anos 70

A alta autoestima é a coisa mais importante para o sucesso e a felicidade de uma criança. Devemos sempre focar em sentir-nos bem conosco mesmos.

Visão Moderna

A alta autoestima às vezes pode levar ao narcisismo ou ao medo de falhar. É melhor focar na autocompaixão e em aceitar os erros.

No entanto, os pesquisadores descobriram eventualmente que o "elogio vazio" não funciona de verdade. Se alguém lhe diz que você é um gênio por amarrar seus sapatos, você sabe que não está sendo honesto. A verdadeira autoestima é construída sobre a autenticidade, que significa ser verdadeiro com o eu real, mesmo as partes que não são perfeitas.

Finn

Finn says:

"A coisa do 'Falso Eu' faz muito sentido. Às vezes, na escola, sinto que estou interpretando um personagem muito mais confiante do que realmente me sinto. É bem cansativo."

Isso nos traz a um pensador muito importante chamado Donald Winnicott. Ele era um pediatra que trabalhou com milhares de bebês e pais. Ele criou a ideia de ser "bom o suficiente". Ele não queria que os pais fossem perfeitos, e também não queria que as crianças fossem perfeitas.

Winnicott falava sobre o Eu Verdadeiro e o Falso Eu. O Falso Eu é a máscara que usamos para agradar os outros e fazê-los pensar que estamos ótimos. O Eu Verdadeiro é a parte de nós que se sente espontânea, criativa e, às vezes, um pouco mal-humorada ou assustada.

Você sabia?

Psicólogos descobriram que nossa autoestima geralmente segue uma curva ao longo de nossas vidas. Muitas vezes é muito alta quando somos pequenos, cai um pouco durante a adolescência e depois sobe lentamente à medida que envelhecemos e ficamos mais confortáveis em nossa pele.

A autoestima, na visão de Winnicott, é sobre ter um lar para o seu Eu Verdadeiro. É sobre sentir que você é real. Quando gastamos toda a nossa energia tentando parecer perfeitos ou ter uma autoestima "alta", podemos acidentalmente perder o contato com a pessoa que realmente somos.

D.W. Winnicott

É uma alegria estar escondido, e um desastre não ser encontrado.

D.W. Winnicott

Winnicott estava falando sobre como todos nós temos um mundo interior privado que é especial, mas também precisamos de pessoas que vejam o nosso eu real e nos amem mesmo assim.

Hoje em dia, os psicólogos costumam falar sobre algo ainda mais útil do que a autoestima: a autocompaixão. Enquanto a autoestima é sobre se julgar (mesmo que você se julgue como "bom"), a autocompaixão é sobre ser um amigo gentil consigo mesmo quando as coisas dão errado.

Pense assim: a autoestima pergunta: "Eu sou bom nisso?", mas a autocompaixão pergunta: "O que eu preciso agora?". Os cientistas estão descobrindo que ser gentil consigo mesmo ajuda você a se reerguer após uma falha muito mais rápido do que apenas tentar sentir uma autoestima "alta".

Algo para Pensar

Se você nunca pudesse ser 'o melhor' em nada, o que você ainda gostaria de fazer só porque faz seu Eu Verdadeiro se sentir vivo?

Não há resposta certa ou errada. Seu Eu Verdadeiro pode amar coisas que não têm a ver com ser 'bom' em nada, como a sensação da lama entre os dedos dos pés ou o som de uma música específica.

Nossa compreensão do eu está sempre mudando. Passamos das equações matemáticas de William James às plantas em crescimento de Carl Rogers, até a vida "boa o suficiente" de Donald Winnicott. Nenhum desses pensadores tinha a resposta completa, mas cada um adicionou uma peça ao quebra-cabeça de quem somos.

Perguntas sobre Psicologia

Podemos ter autoestima demais?
Se 'alta autoestima' significa pensar que você é melhor que todo mundo, isso pode dificultar o aprendizado ou fazer amizades. Uma autoestima saudável é sobre valorizar-se enquanto também valoriza os outros.
Por que minha autoestima muda tanto?
A autoestima é frequentemente 'baseada no estado', o que significa que reage ao que está acontecendo ao seu redor. É normal que ela suba quando você tem sucesso e desça quando você se sente excluído, assim como o clima muda.
Como posso ajudar um amigo com baixa autoestima?
A melhor coisa que você pode fazer é oferecer a ele a 'aceitação positiva incondicional', como sugeriu Carl Rogers. Ouça-o e mostre que você gosta dele por quem ele é, e não apenas pelo que ele pode fazer.

O Jardim Infinito

Sua autoestima não é um troféu que você ganha uma vez e guarda na prateleira. É mais como um jardim em que você vive todos os dias. Algumas estações as flores florescerão, e algumas estações o chão estará nu e frio. Ambas as coisas fazem parte do processo. O objetivo não é ter o jardim mais bonito do mundo, mas ser um jardineiro gentil que sabe como permanecer durante a chuva.