Você já teve a sensação de que há algo mais no mundo do que aquilo que você consegue ver bem na sua frente?

Milhares de anos atrás, um homem chamado Abraão vivia em uma cidade movimentada, cheia de estátuas de muitos deuses diferentes. Ele se tornou o primeiro Patriarca, uma palavra que significa pai fundador, ao decidir seguir uma única voz invisível rumo ao desconhecido. Essa jornada criou a base para o Monoteísmo, a crença em um único Deus, que acabou ligando três das maiores religiões do mundo.

O Mundo do Zigurato

Para entender Abraão, precisamos viajar cerca de 4.000 anos no passado, para um lugar chamado Mesopotâmia. Essa região era conhecida como o Crescente Fértil porque era um arco de terra verde e exuberante entre dois grandes rios. Abraão cresceu em uma cidade chamada Ur, que era uma maravilha do mundo antigo.

Imagine isso
Uma cidade antiga e colorida com uma pirâmide maciça em degraus sob um sol brilhante.

Imagine estar no meio de Ur. Você vê casas de tijolos com telhados planos, mercadores gritando sobre o preço das tâmaras e o cheiro de cordeiro assado no ar. No alto, o Zigurato de Nanna, com seus azulejos azuis, brilha ao sol, parecendo uma escadaria gigante que leva direto às nuvens.

Em Ur, a vida era agitada e colorida. As pessoas negociavam grãos, tapetes tecidos e cobre brilhante. Dominando a cidade estava uma enorme pirâmide em degraus chamada zigurate. O povo de Ur acreditava que muitos deuses diferentes viviam no céu, nos rios e no vento.

A família de Abraão, seu pai Terá, era conhecida por fazer ídolos. Essas eram pequenas estátuas que representavam esses muitos deuses. As pessoas as compravam para guardar em suas casas, acreditando que as estátuas traziam boa sorte ou protegiam suas famílias das tempestades.

Finn

Finn says:

"Se todo mundo ao redor de Abraão acreditava nos ídolos, ele tinha medo de ser o único a não acreditar? É difícil ser a primeira pessoa a mudar de ideia!"

Enquanto Abraão crescia, ele começou a se perguntar se um pedaço de madeira ou pedra poderia realmente ser um deus. Ele olhava para o sol, mas via que ele se punha à noite. Ele olhava para a lua, mas via que ela desaparecia quando o sol nascia. Ele começou a pensar que deveria haver algo ainda maior por trás de tudo isso.

O Alcorão

Quando o sol se pôs, ele viu as estrelas e disse: 'Este é o meu Senhor!' Mas quando elas se puseram, ele disse: 'Não amo aqueles que se põem.'

O Alcorão

Este versículo descreve a busca lógica do jovem Abraão por algo eterno. Ele percebe que tudo o que desaparece ou muda não pode ser o poder supremo por trás do universo.

A Grande Ruptura

Há uma história famosa sobre Abraão no Midrash, que é uma coleção de antigas histórias judaicas que ajudam a explicar o significado mais profundo da história. Nesta história, Abraão é deixado sozinho na loja de ídolos de seu pai. Em vez de vender as estátuas, ele pega um martelo e quebra todas, exceto a maior delas.

Quando seu pai volta e pergunta o que aconteceu, Abraão aponta para a estátua grande. Ele diz que as estátuas brigaram por uma tigela de farinha, e a maior venceu. Seu pai fica zangado e diz: "Isso é impossível! São apenas estátuas!"

Você sabia?
Uma antiga tabuleta de argila com símbolos misteriosos.

Na antiguidade, os nomes geralmente significavam algo especial. O nome original de Abraão era 'Abram', que significava 'Pai Exaltado'. Mais tarde, seu nome foi mudado para 'Abraão', que soa como as palavras hebraicas para 'Pai de uma Multidão'.

O ponto de Abraão era simples, mas mudou o mundo. Se as estátuas não podiam se mover nem falar, por que as pessoas estavam rezando para elas? Esta era uma maneira radical de pensar. Foi o nascimento de um novo tipo de relacionamento entre os humanos e o divino.

Abraão começou a ouvir uma voz que não vinha de uma estátua. Era um chamado interno. Essa voz lhe disse para deixar sua casa, sua família e tudo o que conhecia, para ir a uma terra nova.

Mira

Mira says:

"Acho que Abraão percebeu que os ídolos eram pequenos demais. Ele queria um Deus que fosse tão grande quanto o universo inteiro, e não algo que coubesse numa prateleira."

Caminhando para o Azul Sem Mapa

Sair de casa hoje é um grande problema, mas no mundo antigo, era quase impensável. Sua cidade era sua segurança. Fora dos muros havia desertos, animais selvagens e estranhos. No entanto, Abraão arrumou suas tendas, reuniu sua família e começou a caminhar em direção a um lugar chamado Canaã.

Tente isso
Uma pegada na areia.

A jornada de Abraão foi de centenas de quilômetros a pé. Tente caminhar ao redor do seu parque local ou até mesmo da sua casa. Para cada 10 passos que você der, imagine que isso representa um dia da jornada de Abraão pelo deserto empoeirado e rochoso. Quantos 'dias' levaria para você chegar ao mercado?

Abraão não tinha um mapa ou um GPS. Ele estava praticando uma forma muito elevada de confiança. Em muitas tradições, Abraão é chamado de Profeta, alguém que se comunica com Deus. Mas ele também era um pioneiro, alguém disposto a ser um estranho em um lugar novo pela causa de uma ideia.

Esta jornada não era apenas sobre se mover de uma cidade para outra. Era uma jornada da mente. Abraão estava se afastando da ideia de que os deuses eram coisas que você podia segurar, e caminhando em direção à ideia de que Deus era uma presença que viajava com você.

Rumi

Abraão tornou o jardim de sua alma tão belo que o fogo do mundo não podia queimá-lo.

Rumi

Rumi foi um famoso poeta do século XIII que usou Abraão como um símbolo de paz interior. Ele acreditava que quando seu coração está cheio de fé, até os desafios mais difíceis parecem como caminhar por um jardim.

A Promessa das Estrelas

Certa noite, enquanto acampavam sob o céu do deserto, Abraão se sentiu desanimado. Ele era velho, e ele e sua esposa, Sara, não tinham filhos. Ele se perguntou como suas ideias sobreviveriam se ele não tivesse família para ensiná-las.

A história diz que Deus o levou para fora e disse: "Olhe para cima, para o céu, e conte as estrelas, se você conseguir contá-las. Assim será a sua descendência." Este foi o Pacto, um acordo sagrado e sério entre Abraão e Deus.

Dois lados
Fé como Sentimento

Algumas pessoas pensam que Abraão tinha fé porque sentia uma forte e silenciosa sensação de paz em seu coração que lhe dizia que estava fazendo a coisa certa.

Fé como Ação

Outros acreditam que a fé de Abraão era mostrada por seus pés: ele não apenas sentia algo, mas realmente mudava toda a sua vida com base no que acreditava.

Abraão acreditou na promessa, mesmo que parecesse impossível. Eventualmente, ele teve filhos. Através de seu filho Isaque e seu filho Ismael, sua família cresceu exatamente como a promessa dizia. Hoje, bilhões de pessoas no Judaísmo, Cristianismo e Islamismo se veem como parte dessa árvore genealógica estrelada.

Por causa disso, Abraão é frequentemente chamado de 'Pai de Muitas Nações'. Sua vida mostra que a coragem de uma única pessoa de pensar diferente pode mudar o curso da história por milhares de anos.

Finn

Finn says:

"Eu me pergunto se Abraão alguma vez olhou para as estrelas e se sentiu sobrecarregado. Ter uma 'família tão grande quanto as estrelas' parece muita gente para acompanhar!"

A Tenda Aberta

Abraão não era conhecido apenas por suas grandes ideias: ele também era conhecido pela forma como tratava as pessoas. Há uma bela tradição de que a tenda de Abraão era aberta nos quatro lados. Assim, se um viajante estivesse vindo do norte, sul, leste ou oeste, ele não precisaria procurar a porta.

Este é o conceito de Hospitalidade. No deserto, ajudar um estranho não é apenas ser educado: é uma questão de vida ou morte. Abraão corria para encontrar os hóspedes, oferecia-lhes água para lavar os pés e preparava um banquete antes mesmo de saber quem eles eram.

Você sabia?
Três lamparinas a óleo antigas emitindo uma luz quente e compartilhada.

Abraão é uma figura de 'ponte'. Ele é um personagem central na Torá (Judaísmo), na Bíblia (Cristianismo) e no Alcorão (Islamismo). Embora essas religiões tenham muitas diferenças, todas olham para Abraão como seu avô em comum.

Essa bondade é uma parte essencial de seu legado. Sugere que, se você acredita em um Deus que criou todo mundo, então todo estranho que você encontra é, na verdade, um parente distante. Ajudar os outros se tornou uma forma de honrar o criador.

Rabino Jonathan Sacks

A fé é a coragem de viver com a incerteza. Abraão começou sua jornada sem saber para onde estava indo.

Rabino Jonathan Sacks

O Rabino Sacks era um pensador moderno que explicava que a grandeza de Abraão não estava em conhecer o futuro, mas em ser corajoso o suficiente para seguir em frente sem um mapa.

Através das Eras

C. 2000-1800 AEC
Abraão vive na Mesopotâmia e inicia sua jornada para Canaã, introduzindo a ideia de um único Deus.
700 AEC - 100 EC
As histórias de Abraão são escritas na Bíblia Hebraica, tornando-se a fundação da identidade judaica.
Século 600 EC
O Alcorão é revelado, destacando Abraão (Ibrahim) como um dedicado 'Hanif' ou verdadeiro crente em um só Deus.
Séculos 1100 - 1200 EC
Grandes pensadores como Maimônides e Rumi usam a história de Abraão para ensinar sobre lógica, amor e a alma humana.
Hoje
O termo 'Religiões Abraâmicas' é usado para ajudar pessoas de diferentes fés a encontrar um terreno comum e a paz.

Um Legado de Questionamento

A história de Abraão ainda é contada hoje porque toca em coisas que todos nós sentimos. Todos nós temos momentos em que nos sentimos como o 'único' a pensar de uma certa maneira. Todos nós temos que decidir quando ficar confortáveis e quando embarcar em uma jornada rumo a algo melhor.

Abraão não nos deixou um livro de regras nem um monumento gigante de pedra. Ele nos deixou uma história sobre um homem que ouviu, que caminhou e que olhou para as estrelas. Ele nos mostrou que fé não é ter todas as respostas, mas estar disposto a fazer as maiores perguntas.

Algo para Pensar

O que você estaria disposto a deixar para trás por uma grande ideia?

Abraão deixou sua casa, sua cidade e sua segurança porque acreditava em algo que não podia ver. Pense nas coisas que são mais importantes para você: suas ideias, seus amigos ou seus lugares favoritos. Não há resposta certa ou errada, mas é interessante pensar no que torna uma ideia digna de uma longa jornada.

Perguntas sobre Religião

Abraão realmente existiu?
Os arqueólogos não encontraram uma 'assinatura' de Abraão, mas sua história combina perfeitamente com a forma como as pessoas viviam e viajavam na Idade do Bronze Média. Quer ele tenha sido um homem ou um símbolo para um grupo de pessoas, sua história tem sido 'real' para bilhões de pessoas por milhares de anos.
Por que Abraão tinha dois nomes?
Em muitas histórias antigas, uma mudança de nome representa uma grande transformação na vida ou no caráter de uma pessoa. Mudar de Abrão para Abraão mostrou que ele não era mais apenas um homem de Ur, mas um pai para muitas nações e povos diferentes.
Como ele falava com Deus?
As histórias descrevem isso de maneiras diferentes: às vezes como uma voz, às vezes através de mensageiros (anjos) e às vezes através de sonhos. Filósofos costumam pensar nisso como Abraão ouvindo sua 'voz interior' calma e de profunda reflexão.

A Jornada Continua

A vida de Abraão foi o início de uma conversa enorme sobre Deus, família e bondade que ainda está acontecendo hoje. Ao olhar para sua história, aprendemos que ser um 'Grande Pensador' muitas vezes começa com o simples ato de olhar para as estrelas e perguntar: Por quê? Esperamos que você continue fazendo suas próprias grandes perguntas enquanto explora o mundo.