Você já olhou para o céu à noite e se perguntou se algo ou alguém criou tudo isso, apenas para perceber que não fazia a menor ideia de como descobrir com certeza?

Esse sentimento de estar diante de um mistério gigante é o coração do agnosticismo, uma forma de pensar que diz que simplesmente não sabemos a resposta para as maiores perguntas da vida. É uma filosofia construída sobre a honestidade, a curiosidade e a coragem de dizer essas três palavrinhas difíceis: eu não sei.

Imagine que você está em Londres, no ano de 1869. O ar está pesado com o cheiro da fumaça de carvão e o som de carruagens puxadas por cavalos batendo nas pedras das ruas. Dentro de uma sala imponente com painéis de madeira, algumas das pessoas mais inteligentes do mundo estão tendo uma discussão acalorada.

Há cientistas, padres e poetas, todos sentados ao redor de uma longa mesa. Alguns gritam que têm certeza de que Deus existe. Outros gritam que têm certeza de que Deus não existe. No meio disso tudo está um homem chamado Thomas Henry Huxley, e ele se sente totalmente deslocado.

Imagine isso
Pensadores ao redor de uma mesa com um relógio misterioso gigante.

Imagine um jantar onde os pensadores mais famosos do mundo estão discutindo. Um lado diz que o mundo é um relógio feito por um relojoeiro gigante. O outro lado diz que o relógio se fez sozinho. Você é a única pessoa na mesa que diz: 'Esperem, nós nem abrimos a parte de trás do relógio ainda! Como podemos ter tanta certeza?'

Huxley era um biólogo brilhante que amava as evidências. Ele olhou para seus amigos e percebeu que todos eles tinham algo que ele não tinha: todos tinham um rótulo para o que acreditavam. Eles se chamavam de 'teístas', 'ateus' ou 'panteístas'.

Huxley se sentia como uma pessoa sem time. Ele não queria dar palpites e não queria fingir que tinha certeza quando não tinha. Ele decidiu que precisava de uma palavra novinha em folha para o seu próprio modo de pensar.

Thomas Henry Huxley

É errado um homem dizer que tem certeza da verdade objetiva de qualquer proposição, a menos que possa produzir evidências que justifiquem logicamente essa certeza.

Thomas Henry Huxley

Huxley disse isso no final do século XIX para explicar sua nova palavra. Ele acreditava que ser honesto sobre o que não sabemos é a regra mais importante do pensamento.

Ele pegou a palavra grega gnosis, que significa 'conhecimento'. Então, adicionou a letra 'a' na frente, que em grego significa 'sem'. E assim, num piscar de olhos, nasceu o agnosticismo.

Para Huxley, ser agnóstico não era ser preguiçoso ou estar entediado. Era ser um bom cientista. Ele acreditava que, se você não pode provar algo usando a razão ou a observação, a coisa mais honesta a se fazer é admitir que aquilo é um mistério.

Finn

Finn says:

"E se a resposta para o universo for tão grande que nossos cérebros literalmente não são grandes o suficiente para guardá-la? Tipo tentar baixar a internet inteira em uma calculadora!"

Embora a palavra fosse nova em 1869, o sentimento era muito antigo. Se viajarmos muito mais no tempo, cruzando o oceano e voltando milhares de anos, encontraremos pessoas fazendo as mesmas perguntas na Índia Antiga.

Cerca de 3.000 anos atrás, poetas escreveram o Rig Veda, um dos textos sagrados mais antigos do mundo. Em uma seção chamada Nasadiya Sukta, eles não escreveram sobre certezas. Em vez disso, escreveram sobre a existência do universo e se perguntaram se até mesmo os deuses sabiam de onde tudo veio.

Você sabia?
Pergaminhos antigos brilhando.

O Rig Veda, escrito há mais de 3.000 anos, termina sua história da criação dizendo: 'Talvez tenha se formado por si só, ou talvez não. Aquele que o observa do alto, no céu mais elevado, só ele sabe — ou talvez ele não saiba'. Até os antigos deixavam espaço para a dúvida!

Esse poema antigo sugere que talvez o criador saiba como tudo começou, ou talvez nem mesmo o criador saiba. É um dos exemplos mais antigos de seres humanos se sentindo confortáveis com um ponto de interrogação gigante no centro do mundo.

Pouco depois disso, na Grécia Antiga, um filósofo chamado Protágoras estava pensando na mesma coisa. Ele era um homem que vivia sob o sol de Abdera, cercado por pessoas que construíam templos de mármore branco para deuses como Zeus e Atena.

Protágoras

Em relação aos deuses, não tenho meios de saber se existem ou não, nem que tipo de seres podem ser.

Protágoras

Protágoras foi um pensador da Grécia Antiga que percebeu que a vida humana é muito curta e o mundo é muito complicado para resolver todos os mistérios com certeza absoluta.

Protágoras não estava dizendo que os deuses não estavam lá. Ele estava dizendo que a condição humana é limitada. Somos como formigas tentando entender como um smartphone funciona: podemos ver a tela brilhar, mas não temos as ferramentas para entender o software lá dentro.

Tente isso

Encontre uma 'Caixa Misteriosa' (ou peça para um amigo colocar um objeto secreto em uma caixa). Sem abri-la, tente descobrir o que é. Você pode sacudi-la, pesá-la e ouvi-la. Você pode ter uma teoria excelente, mas perceba a diferença entre o seu 'palpite' e o 'saber' de verdade o que está lá dentro. Esse espaço entre uma coisa e outra é onde vive o agnosticismo.

Isso nos traz a uma grande questão: como sabemos qualquer coisa? Os filósofos chamam isso de epistemologia. É o estudo de como reunimos conhecimento através dos nossos olhos, ouvidos e do nosso cérebro lógico.

Os agnósticos argumentam que nossos cinco sentidos são ótimos para descobrir se está chovendo ou se um limão é azedo. No entanto, esses mesmos sentidos podem não ser suficientes para encontrar algo invisível ou algo que existe fora do tempo e do espaço.

Mira

Mira says:

"É como olhar para o vento. Eu consigo ver as folhas se movendo e sinto o frio no rosto, mas não consigo ver o vento de verdade. Sei que ele está fazendo algo, mas não consigo apontar para o seu formato."

Pense em um presente embrulhado em cima de uma mesa. Você pode olhar para o papel, sacudir a caixa para ouvir um barulho e cheirar o papelão. Você pode dar um palpite muito bom sobre o que tem dentro, mas até que a caixa seja aberta, você não 'sabe' de verdade.

Para um agnóstico, o universo é como essa caixa. Podemos estudar as estrelas e os átomos, que são o papel de embrulho metafísico. Mas a resposta para 'Por que existe algo em vez de nada?' continua dentro da caixa, e a caixa está bem fechada.

Dois lados
Alguns argumentam

A única maneira de viver uma vida com propósito é escolher um lado e ter fé naquilo que você não pode ver. A dúvida apenas te deixa travado.

Agnósticos argumentam

É mais nobre permanecer no meio do que fingir saber algo que não sabe. A dúvida é o que nos mantém procurando e sendo honestos.

Algumas pessoas acham essa ideia frustrante. Elas querem uma resposta 'sim' ou 'não' porque isso as ajuda a se sentirem seguras. Mas os agnósticos encontram um tipo diferente de segurança: a segurança de não precisar estar certo o tempo todo.

Bertrand Russell

O grande problema do mundo é que os tolos e fanáticos estão sempre tão certos de si mesmos, enquanto os mais sábios estão cheios de dúvidas.

Bertrand Russell

Russell foi um matemático e filósofo que acreditava que ter um pouco de dúvida nos torna mais gentis e cuidadosos sobre como tratamos os outros.

Bertrand Russell, um famoso pensador dos anos 1900, usou uma história engraçada para explicar isso. Ele pediu às pessoas que imaginassem que havia um minúsculo bule de porcelana orbitando o sol, entre a Terra e Marte. Ele seria pequeno demais para qualquer telescópio ver.

Se alguém te dissesse que o bule estava definitivamente lá, você pediria provas. Se essa pessoa não pudesse mostrar, você não diria necessariamente que é impossível, mas também não acreditaria. Você ficaria no meio do caminho, esperando por telescópios melhores.

Através das Eras

1000 a.C.
O Rig Veda, na Índia, inclui poemas que questionam se até os deuses sabem a origem do universo.
450 a.C.
Protágoras, na Grécia, declara que o mistério dos deuses é grande demais para a curta duração de uma vida humana.
Anos 1700
Filósofos como David Hume argumentam que só podemos saber o que experimentamos através de nossos sentidos, deixando as 'verdades últimas' fora de alcance.
1869
Thomas Henry Huxley cria oficialmente a palavra 'agnóstico' durante uma reunião em Londres.
Hoje
Milhões de pessoas se identificam como agnósticas, encontrando paz no 'Grande Talvez' do universo.

Ao longo dos anos, o agnosticismo mudou. No passado, às vezes era perigoso dizer que você não sabia as respostas para perguntas religiosas. As pessoas podiam ser expulsas de suas cidades ou até presas por não seguirem a certeza local.

Hoje, muitas pessoas se identificam como 'buscadores agnósticos'. São pessoas que não têm uma religião específica, mas ainda acham que o universo é um lugar espiritual e incrível. Elas gostam mais da busca do que do destino final.

Finn

Finn says:

"Gosto da ideia de que somos todos exploradores. Se já tivéssemos todas as respostas, não sobraria nada para descobrir, sobraria?"

Há também uma diferença entre um agnóstico e um ateu. Um ateu geralmente acredita que Deus não existe. Um teísta geralmente acredita que Deus existe. Um agnóstico olha para os dois lados e diz: 'Acho que ainda não temos evidências suficientes para escolher um lado'.

É como ser um juiz em um tribunal. Um juiz não decide quem é culpado antes do julgamento começar. Eles esperam, ouvem e, às vezes, decidem que simplesmente não há provas suficientes para tomar uma decisão final.

Você sabia?

Existe um tipo específico de agnóstico chamado 'Teísta Agnóstico'. É alguém que acredita em um poder superior, mas admite que não tem provas e não consegue explicar como esse poder realmente é. Eles têm fé, mas também têm muitas perguntas!

Esse modo de pensar pode ser aplicado a muitas coisas, não apenas à religião. Pode ser usado na ciência, quando ainda não sabemos o que é a matéria escura. Pode ser usado na história, quando não temos certeza de por que uma civilização desapareceu.

Ser agnóstico é um convite para continuar procurando. Significa que o mundo ainda está cheio de surpresas e que ninguém tem o mapa 'final' de tudo. Isso nos permite admirar as estrelas sem precisar ser donos delas.

Algo para Pensar

Se você pudesse fazer uma pergunta ao universo, sabendo que receberia um 'eu não sei' totalmente honesto como resposta, isso tornaria o mistério mais ou menos emocionante?

Não há respostas certas ou erradas aqui. Algumas pessoas amam um mistério que nunca termina, e outras acham isso um pouco assustador. Como você se sente?

Perguntas sobre Religião

Ser agnóstico é o mesmo que ser ateu?
Não exatamente. Um ateu geralmente acredita que não existe um Deus, enquanto um agnóstico diz que não temos informações suficientes para saber com certeza de um jeito ou de outro. Um trata da crença, o outro trata do conhecimento.
Dá para ser religioso e agnóstico ao mesmo tempo?
Sim! Muitas pessoas seguem as tradições de uma religião porque as acham bonitas ou úteis, mas ainda admitem que não 'sabem' a verdade absoluta com certeza.
Ser agnóstico significa que você não se importa com a verdade?
Na verdade, é o oposto. Os agnósticos se importam tanto com a verdade que se recusam a aceitar uma resposta até que tenham provas reais e sólidas.

A Beleza do Ponto de Interrogação

O agnosticismo não é um muro que nos impede de pensar, é uma porta que permanece aberta. Ele nos lembra que o universo é vasto, profundo e cheio de segredos que ainda estamos aprendendo a descobrir. Quer você acabe encontrando uma resposta ou decida continuar sendo um explorador do desconhecido, sua curiosidade é a ferramenta mais poderosa que você tem.