Você já olhou para uma árvore velha e retorcida e sentiu que ela estava olhando para você, ou sussurrou um rápido 'obrigado' para uma pedra da sorte que encontrou na praia?

Esse sentimento de que o mundo está cheio de vida e personalidade é chamado de Animismo. É uma das maneiras mais antigas que os humanos já tentaram entender seu lugar no cosmos.

Imagine caminhar por uma floresta há quarenta mil anos. Para você, o farfalhar das folhas não é apenas o vento: é a floresta respirando. A montanha não é apenas um monte de rochas: é um ancestral poderoso que vigia o vale.

Imagine isso
Pinturas rupestres de animais em uma caverna iluminada por tochas bruxuleantes.

Imagine estar dentro da caverna de Lascaux, na França. Pela luz bruxuleante de uma tocha, você vê touros e cavalos gigantes pintados nas paredes. Para as pessoas que pintaram isso há 17.000 anos, estas não eram apenas decorações. Eram, provavelmente, uma forma de honrar o espírito dos animais com os quais conviviam.

Este é o coração do Animismo. É a crença de que quase tudo: animais, plantas, rios, pedras e até padrões climáticos: possui um espírito ou uma alma. Nesta visão de mundo, os humanos não são os únicos com sentimentos, memórias ou intenções.

Finn

Finn says:

"Se a montanha está nos observando, será que ela pensa que parecemos formigas minúsculas e apressadas? Eu me pergunto se ela gosta do som de nós rindo ou se prefere quando estamos quietos."

A História Mais Antiga do Mundo

Historiadores e arqueólogos acreditam que o animismo é provavelmente o sistema de crenças mais antigo da Terra. Muito antes de existirem grandes templos, livros sagrados ou religiões organizadas, os primeiros humanos viviam em profunda afinidade com o meio ambiente.

Eles não se viam como 'donos' da terra. Em vez disso, viam-se como membros de uma família enorme e diversificada que incluía os ursos, os cedros e o trovão.

Graham Harvey

O animismo é a sensação de que o mundo é uma comunidade de pessoas vivas, das quais apenas algumas são humanas.

Graham Harvey

Graham Harvey é um estudioso moderno que escreveu o livro 'Animism'. Ele queria mostrar que ser animista não é ser 'primitivo', mas sim ser um vizinho respeitoso de toda a vida.

Como tudo era considerado vivo, a vida era uma conversa constante. As pessoas ofereciam presentes a um rio antes de atravessá-lo ou pediam permissão a uma árvore antes de cortar um galho. Isso não era porque estavam com medo, mas porque estavam sendo educadas com um vizinho.

Você sabia?
Um desenho ganhando vida para representar animação.

A palavra 'Animismo' vem da palavra latina 'Anima', que significa 'sopro' ou 'alma'. É a mesma raiz da palavra que usamos para 'animação'! Quando animamos um filme, estamos literalmente 'dando vida' a desenhos.

O Que Faz uma Pessoa?

Em nosso mundo moderno, geralmente pensamos que uma 'pessoa' precisa ser humana. Mas para quem segue uma visão de mundo animista, a definição de pessoa é muito mais ampla. Eles podem falar de 'pessoas de quatro patas' (lobos), 'pessoas que nadam' (salmões) ou até mesmo 'pessoas de pedra'.

  • Agência: A ideia de que um objeto pode fazer suas próprias escolhas.
  • Relacionalidade: A ideia de que somos definidos pela forma como tratamos os outros.
  • Reciprocidade: O ciclo de dar e receber da natureza.

Mira

Mira says:

"Isso me lembra do meu urso de pelúcia velho favorito. Mesmo que seja feito de enchimento, sempre sinto que ele está escutando. Talvez o animismo seja apenas dar nosso amor às coisas até que elas pareçam vivas."

Se uma pedra é uma pessoa, você a trata de forma diferente. Você não a chuta para fora do caminho: você nota sua forma, sua história e a maneira como ela está assentada na terra. Isso cria um mundo onde nada é realmente 'lixo' ou 'inútil'.

Você sabia? Em muitas línguas indígenas, a palavra para 'natureza' nem sequer existe. Isso ocorre porque as pessoas se viam como parte integrante do mundo, então não precisavam de uma palavra separada para ele.

Olhando Através de uma Lente Xintoísta

Uma das versões mais famosas do animismo ainda praticada hoje é o Xintoísmo no Japão. No Xintoísmo, o mundo está cheio de Kami. Estes são espíritos ou poderes sagrados que vivem em coisas como cachoeiras, árvores antigas ou até mesmo no vento.

Tente isso

Na próxima vez que sair, escolha uma 'coisa' que geralmente não se move: uma pedra grande, uma caixa de correio ou um arbusto. Dê um nome a ela e passe dois minutos pensando como é a vida dela. Ela gosta da chuva? Quantas pessoas ela vê todos os dias? Ela parece diferente agora que você deu um nome a ela?

Ao visitar um santuário xintoísta, você pode ver uma corda grossa de palha chamada shimenawa enrolada em uma árvore maciça. Isso informa a todos que um poderoso Kami vive ali. É um sinal de respeito e um lembrete para parar e se maravilhar.

Provérbio Indígena

O vento tem voz, e as pedras têm espíritos. Devemos aprender a ouvir com mais do que apenas nossos ouvidos.

Provérbio Indígena

Este sentimento comum entre muitas culturas indígenas explica que entender o mundo exige um tipo diferente de atenção: um coração quieto e paciente.

O Xintoísmo ensina que devemos viver com um 'coração brilhante e puro'. Isso significa ser grato pelo mundo ao nosso redor e manter nossos arredores limpos, não apenas para nós mesmos, mas também para os espíritos que lá habitam.

Dois lados
A Visão Materialista

O mundo é uma coleção de recursos como madeira, água e minerais. Devemos usá-los com sabedoria e eficiência para ajudar os humanos a sobreviver e prosperar.

A Visão Animista

O mundo é uma teia de relacionamentos. Só devemos pegar o que precisamos e sempre devolver algo, porque a Terra é nossa família, não nosso supermercado.

A Ciência da Conexão

Por muito tempo, alguns cientistas pensaram que o animismo era apenas uma 'fantasia' para crianças ou pessoas antigas. Mas recentemente, a ciência começou a descobrir que o mundo é muito mais 'vivo' e conectado do que jamais imaginamos.

Biólogos descobriram a Rede de Madeira, uma rede subterrânea maciça de fungos que permite que as árvores conversem umas com as outras. Elas compartilham comida, avisam umas às outras sobre insetos e até cuidam de seus 'filhotes' (as mudas).

Finn

Finn says:

"Espere, se as árvores estão conversando através de fungos, isso significa que a floresta é basicamente um cérebro gigante? Isso é muito mais legal do que apenas um monte de madeira!"

Se as árvores podem se comunicar e cuidar umas das outras, a ideia de que elas têm um 'espírito' ou uma 'personalidade' não parece mais tão estranha. Estamos descobrindo que as 'coisas' têm muito mais agência do que costumávamos pensar.

Através das Eras

Pré-história (Mais de 30.000 anos atrás)
Os primeiros humanos em todo o mundo deixam entalhes e pinturas que sugerem uma crença em espíritos animais e paisagens poderosas.
Século VIII d.C.
No Japão, as tradições do Xintoísmo são escritas, codificando a crença nos Kami (espíritos) que residem em todas as partes da natureza.
1871
O antropólogo Edward Burnett Tylor cunha o termo 'Animismo' em seu livro 'Cultura Primitiva' para descrever a raiz de toda religião.
Década de 1990 - Presente
O movimento do 'Novo Animismo' surge, liderado por estudiosos que o veem como uma forma de consertar nossa relação com o meio ambiente.
Hoje
Grupos indígenas em todo o mundo lideram o caminho no uso de filosofias animistas para proteger os ecossistemas mais vitais da Terra.

Um Mundo de Relações

Hoje, o animismo está tendo um pequeno ressurgimento. As pessoas estão percebendo que quando tratamos o mundo como uma coleção de objetos mortos, tendemos a usá-lo e quebrá-lo. Mas quando o tratamos como uma família, cuidamos melhor dele.

Robin Wall Kimmerer

Na visão de mundo animista, o mundo é feito de sujeitos, não de objetos. É um mundo de 'tu', e não de 'isto'.

Robin Wall Kimmerer

Robin Wall Kimmerer é cientista e membro da Nação Potawatomi Cidadã. Ela acredita que chamar uma árvore de 'isto' torna mais fácil machucá-la, mas chamar de 'pessoa' muda tudo.

Em algumas partes do mundo, como na Nova Zelândia e no Equador, as pessoas chegaram a aprovar leis dizendo que rios e florestas têm 'personalidade jurídica'. Isso significa que um rio tem os mesmos direitos que um humano de não ser ferido ou poluído.

Você sabia?
Um rio cintilante fluindo por uma paisagem verdejante.

Em 2017, o Rio Whanganui, na Nova Zelândia, foi oficialmente declarado uma pessoa jurídica. Ele tem seus próprios advogados que representam os interesses do rio no tribunal. Se alguém poluir o rio, é como se tivesse prejudicado um ser humano.

Viver com um coração animista não significa que você precise acreditar em fantasmas ou mágica. Pode significar simplesmente ser um 'bom hóspede' no planeta. Significa notar que o pássaro no parapeito da sua janela tem uma vida tão agitada e importante quanto a sua.

Algo para Pensar

Se você soubesse com certeza que o mundo estava ouvindo, o que você diria a ele hoje?

Não há uma maneira certa ou errada de se sentir sobre isso. Algumas pessoas sentem conforto na ideia de um mundo vivo, enquanto outras acham um pouco assustador ou estranho. Ambos os sentimentos são pontos de partida interessantes para uma conversa.

Perguntas sobre Religião

O animismo é uma religião?
É mais uma 'visão de mundo' ou uma maneira de ver. Embora seja a base de religiões como o Xintoísmo ou algumas tradições Indígenas, qualquer um pode ter uma perspectiva animista simplesmente respeitando a natureza como se ela fosse viva.
Os animistas acham que meu celular ou carro tem alma?
Depende! Alguns animistas tradicionais focam em coisas naturais, mas outros acreditam que tudo o que 'faz' algo ou tem um impacto no mundo pode ter um espírito, inclusive coisas construídas por humanos.
Como o animismo é diferente da ciência?
A ciência foca em como as coisas funcionam (o 'o quê' e o 'como'), enquanto o animismo foca em quem as coisas são (o 'quem'). Elas não precisam discordar: muitos cientistas hoje usam ideias animistas para explicar como os ecossistemas trabalham juntos.

Uma Caminhada Mais Significativa

Na próxima vez que você sair pela porta da frente, tente imaginar o mundo como uma sala lotada cheia de personalidades. O vento pode ser um viajante passando, e o pavimento pode ser uma testemunha silenciosa de cada passo seu. Quando paramos de ver o mundo como 'coisas mortas', descobrimos que nunca estamos realmente sozinhos. O mundo está desperto e esperando que digamos olá.