Você já se perguntou por que até mesmo as pessoas que têm tudo o que querem ainda sentem que algo está faltando?

Há mais de 2.500 anos, um príncipe chamado Siddhartha Gautama partiu para responder exatamente a essa pergunta. Sua jornada o levou a um estado de profunda compreensão chamado iluminação, mudando a forma como milhões de pessoas pensam sobre a mente e o coração.

Imagine um mundo onde tudo o que você poderia desejar lhe é dado antes mesmo de você pedir. Aos pés do Himalaia, em um lugar chamado Lumbini, um jovem príncipe vivia exatamente assim. Seu pai, o Rei, queria protegê-lo de toda tristeza possível, então construiu muros altos ao redor do palácio para manter o mundo exterior afastado.

Dentro desses muros, era sempre verão. Havia músicos, jardins repletos de pavões e sedas macias para vestir. O Príncipe cresceu sem saber que as pessoas ficavam doentes, envelheciam ou morriam. Ele vivia em uma bolha linda e dourada.

Finn

Finn says:

"Se o Príncipe tinha tudo o que queria, por que ele ainda estava infeliz? Será que conseguir todos os brinquedos que você quer realmente faz o sentimento de 'querer' desaparecer?"

As Quatro Visões

Mesmo em um palácio perfeito, a curiosidade é difícil de manter engaiolada. Um dia, Siddhartha pediu ao seu cocheiro que o levasse para fora dos portões para ver como o resto do mundo vivia. O que ele viu o mudou para sempre: ele viu um homem velho, um homem doente e um cortejo fúnebre.

Pela primeira vez, ele percebeu que o sofrimento fazia parte da vida de todos, não importava o quão ricos fossem. Ele também viu um monge pacífico que parecia não ter bens, mas parecia completamente em repouso. Siddhartha percebeu que seu palácio era uma distração da verdade do mundo.

Imagine isso
Uma ilustração de um príncipe deixando um palácio para o deserto.

Imagine deixar um palácio onde os pisos são de mármore polido e o ar cheira a jasmim. Você sai para uma estrada empoeirada onde o sol está quente e você não tem ideia de onde virá sua próxima refeição. Essa é a escolha que Siddhartha fez: trocar um sonho perfeito por uma realidade difícil.

Ele começou a se perguntar se havia uma maneira de encontrar uma paz que não dependesse de morar em um palácio. Ele começou a sentir que seus luxos eram como correntes douradas: eram bonitas, mas ainda o impediam de ser livre. Ele decidiu que precisava deixar sua família e sua riqueza para trás para descobrir o segredo para acabar com a tristeza.

O Buda

A paz vem de dentro. Não a procure fora.

O Buda

O Buda disse isso para lembrar às pessoas que, não importa quantas coisas bonitas você possua, elas não podem criar uma mente pacífica para você. A verdadeira quietude começa em seus próprios pensamentos.

Procurando nas Sombras

Siddhartha passou os próximos seis anos vagando pelas florestas da Índia. Ele conheceu professores famosos e aprendeu a meditar, mas ainda sentia que não tinha a resposta. Ele tentou ser incrivelmente rigoroso consigo mesmo, quase sem comer e sentando-se ao sol por dias a fio.

Ele pensou que, ao machucar seu corpo, ele fortaleceria sua mente. Eventualmente, ele ficou tão magro e fraco que mal conseguia ficar de pé. Uma jovem da aldeia o viu e lhe ofereceu uma tigela de leite de arroz, que ele aceitou. Esse simples ato de bondade salvou sua vida.

Dois lados
O Caminho do Palácio

Viver com todos os luxos imagináveis, ter servos e nunca ver nada triste ou difícil.

O Caminho da Floresta

Viver sem absolutamente nada, dormir no chão e tentar ignorar a necessidade do seu corpo por comida.

Nesse momento, Siddhartha percebeu que nenhum dos extremos funcionava. Ser rico e mimado demais não o havia feito feliz, mas ser muito rigoroso e se privar de comida também não havia funcionado. Ele precisava de um caminho que fosse bem no meio.

Ele chamou isso de Caminho do Meio. É a ideia de que encontramos equilíbrio ao não sermos gananciosos demais por coisas, mas também não sermos duros demais conosco. É como afinar a corda de um violão: se estiver muito esticada, ela arrebenta; se estiver muito frouxa, não tocará nenhuma nota.

Mira

Mira says:

"É como quando estou tentando me equilibrar em uma viga. Se eu me inclinar muito para a esquerda ou muito para a direita, eu caio. O Caminho do Meio parece ser encontrar o centro perfeito onde finalmente posso ficar parado."

O Grande Despertar

Siddhartha viajou para um lugar chamado Bodh Gaya e sentou-se debaixo de uma imensa figueira, agora conhecida como a árvore Bodhi. Ele jurou que não se levantaria até entender por que as pessoas sofrem e como elas podem ser livres. Ele sentou em profunda meditação, observando seus pensamentos passarem como nuvens no céu.

Enquanto estava sentado, ele enfrentou muitas distrações: medos, desejos e dúvidas. Em vez de lutar contra eles, ele simplesmente os notava e os deixava ir. Finalmente, quando a estrela da manhã surgiu no céu, ele sentiu uma mudança profunda. Ele entendeu que tudo no mundo está conectado e que nada permanece o mesmo para sempre.

O Buda

Um jarro se enche gota a gota.

O Buda

Este foi um lembrete para seus alunos de que a sabedoria não acontece de uma vez. Assim como aprender a ler ou andar de bicicleta, entender sua mente requer paciência e passos pequenos e constantes.

Ele havia alcançado um estado chamado Nirvana, uma palavra que significa "apagar" como a chama de uma vela. Ele não havia desaparecido, mas os fogos de sua raiva, ganância e confusão haviam sido apagados. A partir daquele momento, ele foi conhecido como o Buda, que significa "O Desperto".

Ele percebeu que a maior parte da nossa infelicidade vem de querer que as coisas sejam diferentes do que são. Queremos que o sol fique no céu quando é hora de dormir, ou queremos que nosso brinquedo favorito nunca quebre. Ao aceitar que as coisas mudam, o que é chamado de impermanência, podemos permanecer em paz mesmo quando a vida fica agitada.

Você sabia?
Uma lâmpada em formato de flor de lótus brilhando intensamente.

A palavra 'Buda' não é um nome, é um título! Vem da palavra sânscrita 'budh', que significa despertar. É como dizer que alguém é 'O Totalmente Desperto' enquanto todos os outros ainda estão sonhando.

Compartilhando a Luz

O Buda passou os próximos 45 anos caminhando de aldeia em aldeia. Ele não queria que as pessoas o adorassem como um deus; ele queria que elas fossem seus próprios mestres. Ele ensinou que todos têm uma "natureza Búdica" dentro de si, que é uma semente de sabedoria e compaixão.

Ele ensinou seus seguidores a viverem pelo Dharma, uma palavra para as leis naturais de como o mundo funciona. Ele também formou uma comunidade chamada sangha, onde as pessoas podiam praticar ser gentis e conscientes juntas. Ele falava com reis e mendigos, tratando-os com o mesmo respeito tranquilo.

O Buda

Não acredite em nada, não importa onde você leu ou quem disse... a menos que concorde com sua própria razão e seu próprio bom senso.

O Buda

Isto é de um famoso discurso chamado Sutra Kalama. O Buda queria que as pessoas fossem como cientistas de suas próprias mentes, em vez de apenas seguir regras cegamente.

Uma das coisas mais importantes que ele ensinou foi que nunca devemos acreditar em algo só porque uma pessoa famosa o disse. Ele encorajou as pessoas a testarem suas ideias em suas próprias vidas, como um ourives testa o ouro esfregando-o em uma pedra. Isso fez com que suas ideias parecessem muito diferentes de muitas outras religiões da época.

Através das Eras

Século V AEC
Siddhartha Gautama nasce no Nepal e mais tarde atinge a iluminação na Índia, iniciando seus ensinamentos.
Século III AEC
O Imperador Ashoka, o Grande, converte-se ao Budismo e envia mensageiros para espalhar as ideias pela Ásia e até na Grécia.
Séculos I - X EC
O Budismo viaja pela Rota da Seda, chegando à China, Coreia e Japão, onde se funde com as culturas locais.
Anos 1800 - 1900
Filósofos e escritores na Europa e América começam a traduzir textos budistas, levando as ideias para o Ocidente.
Hoje
O Budismo é a quarta maior religião do mundo, e suas ideias sobre meditação são usadas por médicos e escolas em todos os lugares.

A Ideia que Viajou

Depois que o Buda morreu, aos 80 anos, suas ideias não ficaram em um só lugar. Elas viajaram por montanhas altas e por oceanos profundos. Em diferentes países, a forma como as pessoas praticavam seus ensinamentos mudou: no Japão, tornou-se Zen; no Tibete, envolvia arte colorida e cânticos.

Hoje, muitas pessoas que nem sequer são religiosas usam as técnicas do Buda. Cientistas estudam como seus métodos de sentar em silêncio podem realmente mudar a forma como nossos cérebros funcionam. Eles descobrem que isso ajuda as pessoas a se sentirem menos estressadas e mais focadas no momento presente.

Finn

Finn says:

"Então ser um 'Buda' não é um trabalho especial, é mais como um jeito de estar realmente, realmente presente? Eu me pergunto se eu estava um pouquinho 'acordado' esta manhã quando apenas observei os pássaros em vez de correr para o café da manhã."

Aprender a estar "acordado" é um pouco como aprender a ver o mundo pela primeira vez. Significa notar o sabor da sua comida, a sensação do vento no seu rosto e como seu coração se sente quando você é gentil com alguém. É uma jornada que começa com uma única respiração silenciosa.

Tente isso

Sente-se em silêncio por um minuto. Tente contar dez respirações sem pensar em mais nada. Se um pensamento sobre o almoço ou um jogo surgir, apenas note-o, diga 'olá' a ele e volte a contar. É mais difícil do que parece, não é?

Embora o Buda tenha vivido há muito tempo, suas perguntas ainda são as nossas perguntas. Todos nós queremos saber como ser felizes quando as coisas dão errado. Talvez a resposta não esteja em um palácio ou em um livro, mas no espaço silencioso que encontramos quando simplesmente paramos e olhamos ao redor.

Algo para Pensar

Se você fosse um príncipe ou princesa em um palácio perfeito, você ficaria lá, ou você gostaria de ver o mundo real, mesmo que fosse triste às vezes?

Não há uma resposta certa para isso: algumas pessoas acreditam que podemos fazer mais o bem tendo poder, enquanto outras acreditam que só podemos entender a verdade estando entre as pessoas.

Perguntas sobre Religião

O Buda é um deus?
Não, o Buda era um ser humano. Ele ensinou que era apenas um guia que havia encontrado um caminho, e que qualquer outra pessoa poderia seguir esse mesmo caminho para encontrar a paz.
Por que existem tantas estátuas do Buda com aparências diferentes?
À medida que o Budismo viajava para diferentes países, os artistas o esculpiam para se parecer com as pessoas de sua própria cultura. Algumas o mostram magro, outras felizes e robusto, e algumas com diferentes gestos com as mãos que representam significados diferentes.
É preciso ser budista para meditar?
De jeito nenhum! A meditação é uma ferramenta para a mente, como o exercício é para o corpo. Muitas pessoas de todas as religiões, ou sem religião alguma, usam a meditação para ajudar a se sentirem calmas e focadas.

Uma Jornada de Mil Milhas

A história do Buda não é apenas uma lição de história; é um convite para olhar para sua própria vida com novos olhos. Quer você esteja em um quarto silencioso ou em um pátio de recreio movimentado, o 'Caminho do Meio' está sempre lá, esperando que você encontre seu equilíbrio. Continue fazendo perguntas, continue curioso sobre sua própria mente e lembre-se: até um jarro se enche gota a gota.