O que você faria se fosse uma deusa que pudesse escolher seu próprio destino, voar pelo céu com um manto de penas e liderar um exército de bravos guerreiros?

Para os Vikings que viveram há mil anos, essa era a realidade de Freya, uma das figuras mais complexas e amadas da Mitologia Nórdica.

Imagine um mundo onde o inverno é tão longo que o sol mal nasce, e as montanhas são feitas de pedras escuras e pontiagudas. Este era o lar do povo nórdico, os ancestrais dos modernos escandinavos.

Em suas casas longas, reunidos ao redor de uma fogueira estalando, eles contavam histórias de uma deusa que era tão brilhante quanto o sol da manhã. Seu nome era Freya, e ela não era uma simples personagem de livro de histórias.

Imagine isso
Dois gatos grandes puxando uma carruagem na neve.

Imagine o ar ficando gelado enquanto uma carruagem desliza silenciosamente sobre a neve. Em vez de cavalos, dois enormes gatos-da-floresta cinza-azulados, com pelos grossos e orelhas pontudas, puxam as rédeas. De pé e imponente, está uma mulher usando um colar que brilha como o pôr do sol. Ela não tem medo do inverno: ela é quem traz a luz para dentro dele.

Freya pertencia a um grupo de deuses conhecidos como os Vanir, que eram famosos por sua conexão com a natureza, a magia e a habilidade de ver o que poderia acontecer no futuro. Eles eram diferentes dos Aesir, o grupo que incluía deuses famosos como Odin e Thor.

Enquanto os Aesir geralmente se concentravam na força e na construção de coisas, os Vanir focavam nas partes mais selvagens da vida. Eles entendiam o vento, o mar e os segredos escondidos na terra.

Finn

Finn says:

"Se eu tivesse uma carruagem puxada por gatos, eles iriam para onde eu quisesse? Ou eles apenas parariam para uma soneca no meio do céu?"

Uma das coisas mais famosas sobre Freya era sua carruagem, que era puxada por dois gatos enormes e peludos. Eles não eram gatinhos domésticos comuns: eram poderosos o suficiente para puxar uma deusa pelo céu.

Ela também possuía um manto de falcão mágico. Quando o vestia, ela não apenas parecia um pássaro: ela realmente se transformava em um, voando sobre os Nove Mundos do universo nórdico.

Snorri Sturluson

Freya é a mais nobre das deusas. Ela viaja em uma carruagem puxada por dois gatos.

Snorri Sturluson

Snorri foi um poeta e historiador islandês que escreveu a Edda em Prosa nos anos 1200. Ele queria preservar as antigas histórias vikings antes que fossem esquecidas para sempre.

Esta citação de Snorri Sturluson nos lembra que Freya não era apenas uma coadjuvante nesses mitos. Ela era a pessoa a quem os outros recorriam em busca de ajuda, estivessem eles procurando por amor ou pela vitória em um desafio difícil.

Ao contrário de muitas outras deusas em histórias antigas, Freya era famosamente independente. Ela não esperava que os outros lhe dissessem o que fazer: ela fazia suas próprias escolhas e vivia em seu próprio palácio, chamado Sessrumnir.

Dois lados
A Pacífica Vanir

Alguns dizem que Freya é a deusa da paz e do amor, ajudando as flores a crescer e as pessoas a encontrarem a felicidade juntas.

A Deusa Guerreira

Outros apontam que ela é uma guerreira que lidera as Valquírias e decide quem vive e quem morre no campo de batalha.

A Magia da Mente

Freya foi a mestre de um tipo de magia muito especial e misterioso chamado Seidr. Não era o tipo de mágica de tirar um coelho da cartola: era uma maneira de mudar o funcionamento do mundo usando o poder da mente e da voz.

O Seidr envolvia cantar canções e entrar em um estado de sonho para ver os fios do destino. Era uma ferramenta poderosa, e foi Freya quem acabou ensinando essa arte ao rei dos deuses, Odin.

Mira

Mira says:

"Freya ensinando magia a Odin é como um aluno se tornando o professor. Isso mostra que mesmo a pessoa mais poderosa não sabe tudo."

Por poder ver o futuro, Freya entendia que as coisas nem sempre são o que parecem. Ela sabia que mesmo os tempos mais difíceis poderiam levar a algo novo e belo.

Essa conexão com a magia fazia dela uma figura de grande respeito e um pouquinho de medo. Os Vikings sabiam que alguém que podia ver o futuro era alguém que você queria ter ao seu lado.

Você sabia?
Um manto mágico feito de penas.

O manto de falcão de Freya permitia que ela viajasse entre qualquer um dos Nove Mundos em um instante. Em uma história famosa, o deus trapaceiro Loki teve que pegá-lo emprestado só para conseguir acompanhá-la! Não era apenas um disfarce: era uma parte de sua alma que ela podia compartilhar com os outros.

Amor, Guerra e a Casa de Passagem

Muita gente pensa em Freya apenas como uma deusa do amor, mas os Vikings a viam como muito mais do que isso. Ela também era uma deusa da guerra e da morte, o que pode parecer uma combinação estranha hoje em dia.

Quando uma batalha terminava, dizia-se que as Valquírias — donzelas guerreiras que serviam aos deuses — escolhiam os guerreiros mais bravos para ir para a vida após a morte. Mas o que muita gente não sabe é que Freya tinha a primeira escolha.

  • Ela escolhia metade dos guerreiros caídos para o seu próprio campo, Folkvangr.
  • A outra metade ia para o famoso salão de Odin, Valhalla.
  • Isso significa que Freya era vista como tão importante quanto o Rei dos Deuses, e talvez até mais seletiva.

Hilda Ellis Davidson

Freya é uma deusa de muitas faces: ela é a noiva, a mãe, a rainha e a líder dos mortos.

Hilda Ellis Davidson

A Dra. Davidson foi uma historiadora famosa que analisou os significados ocultos nos mitos antigos. Ela acreditava que Freya era uma das figuras mais importantes para entender como os Vikings viam as mulheres e o poder.

A Dra. Davidson passou a vida estudando os objetos e histórias que os Vikings deixaram para trás. Ela percebeu que Freya representava o equilíbrio da vida: a doçura do amor e a dura realidade da luta.

Para os Vikings, a guerra não era apenas sobre lutar: era sobre defender as pessoas que você amava. Ao ser uma deusa de ambos, Freya mostrava que você não pode ter um sem o outro.

Tente isso

Os Vikings procuravam por Freya no mundo ao seu redor. Quando encontravam uma joaninha, eles a chamavam de 'Galinha de Freya'. Da próxima vez que você estiver lá fora, tente encontrar algo pequeno e bonito na natureza. Parece que pertence a uma história? Se você fosse uma deusa ou um deus, que animal escolheria para representar você?

O Colar Cintilante

Uma das histórias mais famosas sobre Freya envolve seu bem mais precioso: um colar chamado Brisingamen. Ele era feito de ouro puro e brilhava com uma luz tão forte que podia iluminar os cantos escuros do mundo.

A lenda diz que quando Freya estava triste, ela chorava lágrimas que se transformavam em ouro vermelho quando tocavam a terra. Essa é uma ideia bonita, mas profunda: a de que até a tristeza de uma deusa poderia criar algo valioso.

Mira

Mira says:

"Lágrimas se transformando em ouro é um pensamento tão estranho. Isso me faz imaginar se nossos próprios sentimentos difíceis podem se transformar em algo útil mais tarde."

Brisingamen era mais do que uma joia: era um símbolo de seu poder e de sua conexão com as riquezas da terra. A história de como ela conseguiu o colar é complicada e envolve muitas jornadas diferentes.

Isso nos lembra que, mesmo para uma deusa, as coisas que mais valorizamos geralmente vêm com uma história de esforço e determinação. Você não simplesmente encontra um tesouro: você o conquista através de suas experiências.

Freya Através dos Tempos

800 - 1050 d.C.
A Era Viking. Os Vikings contam histórias orais sobre Freya como uma líder poderosa e deusa do lar e da caça.
1220 d.C.
Snorri Sturluson escreve os mitos na Islândia. Pela primeira vez, as histórias de Freya são preservadas em livros como a Edda em Prosa.
Anos 1800
Artistas na Europa tornam-se obcecados pelos mitos vikings. Freya é pintada em vestidos deslumbrantes e torna-se um símbolo da arte romântica.
Hoje
Freya aparece em filmes, jogos (como God of War) e livros como um símbolo de força feminina e magia independente.

Por que Freya ainda é importante

Você pode se surpreender ao saber que provavelmente diz o nome de Freya quase toda semana (se falar inglês!). A palavra "Friday" (sexta-feira em inglês) foi nomeada em homenagem a Freya ou à sua contemporânea, Frigg.

Hoje, vemos sua influência em filmes, livros e videogames. Ela frequentemente aparece como uma líder forte e sábia que não tem medo de defender a si mesma ou àqueles que protege.

Neil Gaiman

Freya é sua própria pessoa. Ela não pertence a ninguém a não ser a si mesma.

Neil Gaiman

Gaiman é um autor moderno que escreveu o livro Mitologia Nórdica. Ele quis mostrar como Freya frequentemente tinha que lutar por sua independência contra outros deuses que tentavam tomar decisões por ela.

A releitura moderna desses mitos feita por Neil Gaiman nos ajuda a ver Freya como uma pessoa com sentimentos e objetivos, não apenas como uma estátua em um museu. Ela continua sendo um símbolo de alguém que é dono de seu próprio poder e não pede desculpas por isso.

Seja voando em seu manto de falcão ou decidindo o destino dos guerreiros, Freya nos lembra que ser gentil e ser forte não são duas coisas diferentes. São duas partes da mesma pessoa.

Você sabia?

Freya tinha um irmão gêmeo chamado Freyr. Enquanto ela governava a magia e os mortos, ele governava a luz do sol e a chuva. Juntos, eles garantiam que a terra permanecesse equilibrada, provando que o poder muitas vezes é um assunto de família.

Algo para Pensar

Se você pudesse usar um manto que te transformasse em qualquer animal, qual você escolheria e para onde voaria primeiro?

Não existe animal certo ou errado para escolher. Pense em como é a vida desse animal e por que você se sente atraído por ele. Assim como Freya, sua escolha diz algo sobre quem você é por dentro.

Perguntas sobre Religião

Freya é a mesma pessoa que Frigg?
Elas são muito parecidas, e alguns historiadores acham que podem ter começado como a mesma deusa há muito tempo. No entanto, na maioria das histórias nórdicas, Frigg é a esposa de Odin e rainha dos Aesir, enquanto Freya é uma líder dos Vanir que ama a magia e a independência.
O que aconteceu com os gatos da Freya?
Os mitos não nos dizem seus nomes ou o que aconteceu com eles depois que a Era Viking terminou. Eles permanecem um mistério, simbolizando o lado selvagem e imprevisível da natureza que Freya controlava.
Por que Freya chorava ouro?
Nos mitos, seu marido Odr costumava fazer longas viagens e se perdia. A tristeza de Freya por sua ausência era tão profunda e pura que a terra a transformava em algo tão precioso quanto o ouro.

O Falcão no Céu

Freya é um lembrete de que não precisamos ser apenas uma coisa. Podemos ser corajosos e gentis, mágicos e práticos, um líder e um amigo. Ao seguir com o seu dia, lembre-se da deusa na carruagem de gatos: mantenha a curiosidade, faça suas próprias escolhas e não tenha medo de voar alto.