Imagine estar em um lugar tão cheio que você não consegue ver o chão, mas tão silencioso que consegue ouvir o bater do seu próprio coração.
Este é o Hajj, uma antiga peregrinação à cidade de Meca que reúne milhões de pessoas de todos os cantos da Terra. É uma jornada de fé, história e conexão humana incrível.
A história do Hajj começa em uma paisagem de areia movediça e céu infinito. Milhares de anos atrás, muito antes de aviões ou rodovias, um homem chamado Abraão (conhecido como Ibrahim no Islã) viajou para um vale seco na Arábia. Ele não estava procurando ouro ou conquista, mas um lugar para construir uma casa dedicada a um único Deus.
Esta casa é a Caaba, um simples edifício em forma de cubo que fica no centro do mundo para os muçulmanos. Hoje, aquele mesmo vale é a cidade movimentada de Meca. Todos os anos, milhões de pessoas atendem a um chamado que ecoa através do tempo há mais de quatorze séculos.
Finn says:
"Se todo mundo está indo para o mesmo lugar ao mesmo tempo, não fica muito barulhento? Eu me pergunto se você ainda consegue ouvir seus próprios pensamentos em uma multidão tão grande."
Para um muçulmano, o Hajj não é apenas férias ou um passeio turístico. É um dos Cinco Pilares do Islã, os atos fundamentais que moldam a vida de uma pessoa. É uma jornada que todo muçulmano adulto espera fazer pelo menos uma vez, se tiver saúde e puder pagar.
A História na Areia
Os rituais do Hajj são como uma peça viva, onde cada peregrino encena histórias do passado. Uma das partes mais emocionantes da jornada pertence a uma mulher chamada Agar (Hajar). Ela era esposa de Abraão, deixada no deserto com seu filho bebê, Ismael (Ismail).
Quando a água acabou, Agar não desistiu. Ela correu de um lado para o outro entre duas colinas chamadas Safa e Marwa, procurando ajuda. Ela correu sete vezes, o coração acelerado, olhando para o horizonte em busca de qualquer sinal de uma caravana ou um poço.
Imagine o calor do sol no seu pescoço e o som da sua própria respiração. Você está correndo entre duas colinas rochosas, assim como Agar fez. Seus pés estão empoeirados, mas você continua porque acredita que algo maravilhoso está logo ali, na esquina.
Quando as coisas pareciam mais difíceis, um milagre aconteceu. Uma fonte de água brotou do chão seco aos pés do bebê. Esta fonte é chamada de poço Zamzam, e ainda flui hoje, milhares de anos depois. Os peregrinos bebem dessa água e correm entre as mesmas duas colinas para lembrar a coragem e a esperança de Agar.
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Por que eu deveria buscar a peregrinação a uma casa de pedra quando meu coração é a verdadeira casa de Deus?
Esta história lembra crianças e adultos que, mesmo nos momentos mais difíceis, muitas vezes há uma fonte oculta de força. Ela conecta o peregrino moderno a uma mãe do passado antigo. Ela transforma um deserto seco em um lugar de vida.
O Grande Nivelador
Antes mesmo de um peregrino entrar na cidade de Meca, ele deve trocar de roupa. Isso é mais do que apenas se vestir: é um estado de espírito chamado Ihram. Os homens vestem duas peças simples de pano branco sem costura, enquanto as mulheres vestem roupas modestas de qualquer cor, geralmente brancas.
O calor do deserto pode ultrapassar os 43 graus Celsius, e você pode ter que caminhar 24 quilômetros por dia em meio a multidões enormes de pessoas.
Muitos peregrinos dizem que nunca se sentiram mais em paz ou mais próximos de outras pessoas em suas vidas.
Nessas roupas, todos parecem exatamente iguais. Você não consegue dizer quem é um bilionário e quem é um motorista de ônibus. Você não consegue dizer quem vem de um palácio e quem vem de uma aldeia. Isso é intencional, pois mostra que, aos olhos de Deus, todos os seres humanos são iguais.
É uma sensação estranha e maravilhosa ser despojado de sua identidade habitual. Sem seus tênis favoritos ou seu relógio chique, você é forçado a pensar em quem você é por dentro. Você não é um estudante, um professor ou um médico: você é simplesmente um ser humano entre milhões de outros seres humanos.
Mira says:
"As roupas brancas me lembram uma folha de papel em branco. É como se todos estivessem ganhando a chance de começar sua história novamente a partir da primeira página."
O Movimento do Universo
Quando os peregrinos chegam à Caaba, eles realizam um ritual chamado Tawaf. Eles caminham ao redor do edifício sete vezes em sentido anti-horário. De cima, isso parece um redemoinho branco, gigante e brilhante.
A Caaba tem cerca de 13 metros de altura. É coberta por um pesado tecido de seda preta chamado Kiswa, que é bordado com fios de ouro e prata de verdade. Todos os anos, um novo tecido é feito e colocado sobre o edifício.
Por que andar em círculos? Pense na forma como a lua orbita a Terra, ou como os planetas orbitam o sol. Até mesmo os minúsculos átomos que compõem seu corpo têm partes que giram em círculos. Ao andar ao redor da Caaba, os peregrinos sentem que estão se juntando ao ritmo natural de todo o universo.
Não há um líder na frente da fila e ninguém atrás. Todos se movem juntos, como um único corpo. Se você tropeçar, alguém o segura. Se você estiver com sede, alguém compartilha sua água. É uma lição em massa sobre como viver juntos em paz.
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Eu nunca antes tinha visto uma irmandade sincera e verdadeira praticada por todas as cores juntas, independentemente de sua cor.
O Dia da Parada
A parte mais importante do Hajj, na verdade, não acontece em um prédio. Acontece em uma vasta planície aberta chamada Arafat. Neste dia, os peregrinos ficam parados do meio-dia até o pôr do sol. Eles não fazem muito: oram, pensam e pedem perdão por seus erros.
Este é um dia quieto e intenso. É um momento para ser honesto consigo mesmo sobre as coisas que você fez de errado e a pessoa que você quer se tornar. Algumas pessoas choram, algumas ficam em silêncio e outras conversam baixinho com Deus. É frequentemente descrito como um ensaio para o fim dos tempos, quando todos ficarão juntos.
Tente um 'Minuto de Arafat'. Encontre um lugar tranquilo para se sentar por sessenta segundos. Não olhe para uma tela nem fale com ninguém. Apenas pense: O que é uma coisa de que você se orgulha neste ano, e o que é uma coisa que você quer fazer melhor amanhã?
Após o pôr do sol, a multidão se move para um lugar chamado Muzdalifah para dormir sob as estrelas. Não há hotéis aqui, apenas o céu aberto. Os peregrinos coletam pequenas pedras do chão. Essas pedras são usadas no dia seguinte em um ritual que representa jogar fora maus hábitos e resistir à tentação de ser egoísta.
O Festival do Sacrifício
O Hajj termina com uma grande celebração chamada Eid al-Adha. Este é o "Festival do Sacrifício", comemorado por muçulmanos em todo o mundo, não apenas por aqueles em peregrinação. Envolve compartilhar comida com a família, amigos e especialmente com aqueles que estão com fome ou são pobres.
Através das Eras
Através desses dias de caminhada, oração e sono no chão, os peregrinos são transformados. Eles geralmente cortam ou raspam o cabelo como um sinal de um novo começo. É como apertar um botão de "reset" em suas vidas. Eles voltam para casa com um novo título: Hajji (para homens) ou Hajjah (para mulheres).
O Longo Caminho para Casa
Viajar para o Hajj costumava levar meses ou até anos. As pessoas atravessavam desertos em camelos ou navegavam em mares tempestuosos. Hoje, as pessoas chegam em aviões gigantes e ficam em hotéis altos, mas a dificuldade física da jornada permanece.
Finn says:
"Aposto que quando você chega em casa, sua própria cama parece totalmente diferente depois de dormir no chão sob as estrelas. Você provavelmente nunca mais daria um travesseiro como garantido!"
Mesmo com a tecnologia moderna, mover três milhões de pessoas através de um deserto é um desafio. Requer milhões de galões de água, milhares de tendas e paciência incrível. O Hajj ensina que tudo o que vale a pena fazer geralmente requer algum esforço e um pouco de desconforto.
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Parti sozinho, sem companheiro de viagem em cuja companhia eu pudesse encontrar alegria, nem caravana cuja companhia eu pudesse me juntar.
Quando um peregrino retorna para casa, ele traz mais do que apenas lembranças ou água do poço Zamzam. Ele traz um sentimento de pertencimento. Ele viu que pessoas de todas as raças e línguas podem ficar lado a lado em paz. Ele viu que o mundo é muito maior do que seu próprio bairro.
Durante o Hajj, o governo da Arábia Saudita monta mais de 100.000 tendas com ar-condicionado em um lugar chamado Mina. Torna-se a maior cidade temporária do mundo, com seus próprios hospitais, quartéis de bombeiros e cozinhas!
Como você mantém esse sentimento de união vivo quando volta à sua vida normal? Esse é o verdadeiro desafio do Hajj. Não se trata apenas da jornada para Meca, mas da jornada que você faz depois, tentando ser uma pessoa melhor a cada dia.
Algo para Pensar
Se você fizesse parte de uma multidão de três milhões de pessoas, você se sentiria como se estivesse perdendo sua própria identidade ou como se estivesse se tornando parte de algo muito maior e mais importante?
Não há um jeito certo ou errado de se sentir sobre estar em uma multidão. Algumas pessoas encontram força nos números, enquanto outras a encontram em momentos de silêncio sozinhas. Pense em como você se sente quando faz parte de um grande grupo, como em uma reunião escolar ou um jogo de esportes.
Perguntas sobre Religião
Qualquer um pode ir a Meca para o Hajj?
Por que os peregrinos jogam pedras em pilares?
Quanto tempo o Hajj realmente dura?
A Jornada Nunca Termina de Verdade
O Hajj é uma jornada física para um lugar específico, mas também é um mapa de como viver. Ele ensina sobre o poder da esperança, a beleza da igualdade e a força que encontramos quando caminhamos juntos. Quer visitemos Meca ou não, todos nós podemos praticar o 'espírito do Hajj' procurando as coisas que nos conectam em vez das que nos separam.