Você já olhou para uma árvore e sentiu que havia um segredo escondido dentro da casca, ou olhou para as estrelas e se perguntou se elas eram, na verdade, um quebra-cabeça gigante de ligar os pontos?
Durante séculos, um grupo de pensadores chamados místicos tentou encontrar os significados ocultos por trás de tudo o que vemos. Dentro da tradição do Judaísmo, essa busca pela planta secreta do mundo é chamada de Cabala, que significa 'aquilo que é recebido'.
Imagine que você está caminhando em um jardim ao crepúsculo. Você vê as flores, as pedras e a grama alta, mas tem a sensação de que há algo mais acontecendo, logo ali, fora de vista.
Cabala é o estudo desse 'algo mais'. É uma forma de olhar para o mundo como se ele fosse uma mensagem codificada do criador, esperando que aprendamos a lê-la.
Finn says:
"Espere, então o universo é como um quebra-cabeça gigante com peças faltando? Eu me pergunto se já pisei em algum desses segredos sem saber."
O Mistério no Sótão
Nossa história começa no século 13, nas colinas ensolaradas e rochosas da Espanha. Um homem chamado Moisés de León começou a compartilhar uma coleção de livros de aparência antiga chamados Zohar, ou 'O Livro do Esplendor.'
Ele alegava que esses livros tinham sido escritos mais de mil anos antes por um famoso rabino chamado Shimon bar Yochai, que se escondera em uma caverna por treze anos para estudar os segredos do universo.
Por muito tempo, a Cabala foi considerada tão profunda e difícil que os professores diziam que você não deveria nem começar a estudá-la até os 40 anos! Eles queriam que os estudantes estivessem muito firmes antes de saírem procurando por segredos.
Se os livros eram antigos ou recém-escritos, eles capturaram a imaginação das pessoas. Eles não falavam apenas sobre regras ou história: eles falavam sobre o próprio início dos tempos e a 'energia' que mantém o mundo girando.
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Uma luz que não é vista, que é o segredo de todos os segredos.
O Infinito e a Luz
Para entender a Cabala, você precisa imaginar um tempo antes do tempo. Os místicos chamavam isso de Ein Sof, que significa 'o infinito' ou 'sem fim.'
Imagine uma luz tão brilhante e tão imensa que preenche cada canto do espaço. Nesse estado, não havia espaço para mais nada: sem planetas, sem pessoas e sem árvores.
Imagine um quarto escuro com uma única lâmpada. Se você colocar uma cobertura sobre a lâmpada, a luz não desaparece, ela apenas muda. Agora imagine dez coberturas diferentes, cada uma de uma cor. É assim que as Sefirot funcionam: elas mudam a luz para que possamos vê-la claramente.
Para abrir espaço para o mundo, o Ein Sof teve que se retrair, como alguém segurando a respiração ou puxando uma cortina. Esse 'recolhimento' é chamado de Tzimtzum.
Assim que havia um pequeno espaço vazio, a luz começava a fluir de volta, mas ela precisava ser contida com cuidado. Se a luz fosse muito forte, simplesmente derreteria tudo o que tocasse.
Mira says:
"Isso me lembra como um artista tem uma ideia na cabeça antes mesmo de tocar na argila. A ideia é enorme, mas ele precisa diminuí-la para caber no mundo real."
As Dez Lentes
Pense na luz do universo como um feixe de sol branco puro. Para tornar essa luz útil para nós, ela passa por dez 'recipientes' ou lentes diferentes chamados Sefirot.
Cada um desses dez recipientes representa uma qualidade diferente. Um pode ser 'Sabedoria', outro 'Força', e outro 'Bondade' ou 'Beleza.'
- Sabedoria é como a primeira faísca de uma ideia.
- Bondade é a vontade de dar e compartilhar.
- Força é a capacidade de estabelecer limites e dizer 'não.'
Na próxima vez que você estiver em um grupo, tente identificar as diferentes qualidades. Quem está mostrando 'Bondade' ao compartilhar? Quem está mostrando 'Força' ao defender uma regra? Estes são os 'recipientes' da Cabala na vida real.
Quando essas qualidades estão em equilíbrio, o mundo parece certo. Mas quando elas saem do lugar: como se houvesse muita força e pouca bondade: as coisas começam a dar errado.
O Grande Colapso
Agora, aqui é onde a história fica dramática. Um famoso mestre chamado Isaac Luria, que viveu na cidade mística de Safed no século 16, contou uma história sobre um grande acidente.
Ele disse que quando a luz começou a jorrar nos recipientes, alguns deles eram frágeis demais para contê-la. Eles não eram fortes o suficiente para todo aquele poder.
Na cidade de Safed, os místicos costumavam se vestir de branco e sair para os campos para saudar o pôr do sol. Eles acreditavam que naquele momento, o mundo da 'luz' e o mundo da 'terra' estavam mais próximos do que nunca.
Com um som de trovão, os recipientes se estilhaçaram! Estilhaços dos recipientes e 'faíscas' da luz sagrada caíram em nosso mundo, ficando escondidas dentro de coisas físicas como pedras, animais e até mesmo pessoas.
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Não há esfera no mundo, nem mesmo entre as mais baixas, que não contenha faíscas da luz divina.
Por causa dessa 'quebra dos recipientes', o mundo em que vivemos é lindo, mas também um pouco quebrado. Há faíscas de luz por toda parte, mas elas estão frequentemente cobertas por 'cascas' de escuridão ou confusão.
O Grande Reparo
Se o mundo está quebrado, quem deve consertá-lo? Na Cabala, a resposta é: você.
Essa ideia é chamada de Tikkun Olam, que significa 'consertar o mundo.' Cada vez que você faz algo gentil, aprende algo verdadeiro ou age com justiça, você está 'elevando' uma daquelas faíscas caídas de luz.
Finn says:
"Então, mesmo que eu faça algo muito pequeno, como ser legal com alguém que está sozinho, eu estou realmente ajudando a consertar o universo inteiro? Isso é muito poder para uma criança."
Imagine que o mundo é um quebra-cabeça gigante e brilhante que caiu no chão. O trabalho de cada pessoa é encontrar algumas peças e colocá-las de volta no lugar.
O mundo está fundamentalmente quebrado e é nosso dever trabalhar duro todos os dias para consertar as rachaduras e encontrar as faíscas.
O mundo não está quebrado, ele está apenas escondido. Nosso trabalho é aprender a ver a beleza que já existe, mesmo quando é difícil de encontrar.
Isso torna nossas vidas cotidianas muito importantes. Lavar a louça, ajudar um amigo, ou até mesmo apenas notar a beleza de um pôr do sol não é apenas uma pequena tarefa: é uma forma de remontar o universo.
Através das Eras
Através das Eras
Por Que Importa Hoje
Mesmo que as pessoas não estudem os mapas complexos das Sefirot, as ideias da Cabala viajaram por toda parte. O conceito de Tikkun Olam tornou-se uma parte enorme de como muitas pessoas pensam sobre sua responsabilidade com o planeta e umas com as outras.
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Acostume-se a pensar na bondade de cada pessoa, até que essa bondade se torne parte de você.
Ela nos ensina que as coisas nem sempre são o que parecem na superfície. Por baixo do mundo comum, há uma camada oculta de admiração, e todos nós fazemos parte da história de torná-lo inteiro novamente.
Algo para Pensar
Se você encontrasse uma faísca de luz escondida em um lugar muito escuro ou bagunçado, o que você faria com ela?
Não há resposta certa para isso. Alguns podem querer protegê-la, outros podem querer compartilhá-la, e outros podem querer usá-la para encontrar outras faíscas.
Perguntas sobre Religião
A Cabala é uma religião separada?
É preciso ser judeu para aprender sobre isso?
O que significa a palavra 'Sefirot'?
Mantendo a Faísca Viva
A Cabala nos lembra que estamos todos interligados, como galhos de uma única árvore. Mesmo quando o mundo parece escuro ou confuso, há sempre uma faísca de luz esperando para ser encontrada. Da próxima vez que você fizer algo gentil, lembre-se: você não está apenas ajudando uma pessoa, você está ajudando o universo inteiro.