Você já jogou uma pedrinha em um lago bem calminho e observou os círculos se espalharem até tocarem a margem?

Esse movimento simples é muito parecido com o karma, uma ideia milenar que veio da Índia e explora como nossas ações, pensamentos e palavras criam ondas no mundo ao nosso redor. É uma forma de olhar para o universo como um lugar onde tudo está conectado, e onde o que fazemos hoje ajuda a moldar o que acontece com a gente amanhã.

Imagine que você está em um campo vasto e ensolarado na Índia Antiga, há três mil anos. O ar tem cheiro de terra seca e jasmim e, logo ali perto, um professor está sentado à sombra de uma enorme figueira-de-bengala.

É aqui que a história do karma começa — não como um livro de regras ou uma lista de castigos, mas como uma maneira de entender o profundo mistério de por que as coisas acontecem do jeito que acontecem.

Imagine isso
Uma criança tecendo uma tapeçaria cósmica

Imagine um tear gigante que se estende por todo o céu. Cada vez que você faz uma escolha, você tece um único fio no tecido. Alguns fios são escuros e ásperos, enquanto outros são brilhantes e suaves como seda. Ao longo de muito, muito tempo, esses fios criam o padrão do mundo em que você vive.

A palavra karma vem de uma língua muito antiga chamada Sânscrito e significa, literalmente, ação. Da forma mais simples, é a lei da causa e efeito: para cada ação que você toma, existe um resultado que a segue.

Pense nisso como um jardim onde cada escolha sua é uma semente que você planta no solo da sua vida.

Provérbio Antigo

Quem semeia, colhe.

Provérbio Antigo

Este ditado famoso é encontrado em muitas culturas e religiões. Ele usa a imagem de um agricultor para mostrar que a qualidade da sua colheita depende inteiramente das sementes que você escolhe plantar no início.

No início, as pessoas na Índia acreditavam que o karma tinha a ver principalmente com os rituais e cerimônias que realizavam. Elas achavam que, se fizessem as orações e oferendas certas, o universo permaneceria em equilíbrio.

Com o tempo, os pensadores começaram a perceber que o karma não era apenas sobre grandes cerimônias, mas sobre as pequenas coisas que fazemos todos os dias.

Finn

Finn says:

"E se eu fizer algo bom sem querer? Tipo, se eu derrubar uma moeda e alguém que realmente precisa a encontrar. Isso conta como karma bom, mesmo que eu não tenha tido a intenção?"

Eles começaram a ver que nossas vidas são um fluxo contínuo, que chamaram de samsara. Esta é a ideia de que a alma viaja por muitas vidas diferentes, como um viajante que muda de uma casa para outra.

Nessa visão, o karma que você acumula em uma vida pode não aparecer até a sua próxima vida, o que explica por que o mundo às vezes parece um pouco injusto no curto prazo.

Dois lados
A Visão Rígida

Em algumas tradições hindus antigas, o karma era visto como uma lei muito rigorosa. Se você fizesse algo ruim, o universo eventualmente traria um 'fruto' ou resultado específico que combinaria exatamente com aquela ação.

A Visão Flexível

Outros pensadores, como muitos budistas, argumentavam que o karma é mais flexível. Eles acreditavam que, ao fazer muitas coisas boas agora, você poderia mudar a forma como seu antigo karma 'ruim' te afeta, como adicionar água limpa a um copo de água salgada.

Uma das coisas mais interessantes sobre o karma é que ele não é apenas sobre o que você faz, mas por que você faz. É o que os filósofos chamam de intenção, ou o motivo secreto escondido por trás das suas ações.

Se você ajuda um amigo porque quer sinceramente que ele se sinta melhor, isso cria uma onda diferente de se você o ajuda apenas porque quer ganhar uma recompensa.

Buda

É a própria mente de um homem, não seu inimigo ou adversário, que o atrai para caminhos ruins.

Buda

O Buda ensinou que nossas intenções são a parte mais importante do karma. Ele acreditava que se treinarmos nossas mentes para serem pacíficas, nossas ações naturalmente se tornarão pacíficas também.

Imagine que você está jogando futebol e acidentalmente derruba outro jogador enquanto tenta pegar a bola. Mesmo que o resultado seja o mesmo de se você o tivesse derrubado de propósito, muitas tradições acreditam que o karma é diferente.

Como seu coração estava focado no jogo e não em machucar alguém, a "semente" que você plantou tem uma energia diferente.

Tente isso
Uma criança brincando de detetive do karma

Por um dia, tente ser um 'Detetive do Karma'. Observe cada vez que você faz algo por outra pessoa. Você fez porque quis ou porque sentiu que precisava fazer? No final do dia, pense em como seu coração se sentiu após cada ação.

Isso traz uma grande questão: o karma seria uma forma de justiça cósmica, como um placar gigante no céu? Não exatamente.

Muitas pessoas que acreditam no karma o veem mais como uma lei natural, parecida com a gravidade. A gravidade não "decide" fazer você cair se você tropeçar: ela apenas existe como uma regra do mundo físico.

Mira

Mira says:

"É como se o mundo fosse uma sala de eco. Se você grita algo maldoso, ouve coisas maldosas de volta. Mas se você canta, o mundo canta para você. Quanto tempo será que o eco dura?"

O karma funciona de um jeito parecido, agindo como um professor em vez de um juiz. Ele sugere que o mundo é um espelho gigante, refletindo de volta para nós a qualidade dos nossos próprios corações e mentes ao longo de muito tempo.

Se formos gentis, estamos basicamente treinando a nós mesmos para viver em um mundo que parece gentil; se estivermos com raiva, estamos construindo um mundo que parece pontiagudo e espinhoso.

Através dos Tempos

1500 a.C.
Os primeiros textos védicos na Índia focam em ações rituais (karma) para manter o mundo em equilíbrio.
800 a.C.
Os Upanishads mudam o foco para as ações morais e a ideia da alma viajando por muitas vidas.
500 a.C.
O Buda e Mahavira ensinam que a intenção e a não violência são as partes mais importantes do karma.
Anos 1900 d.C.
O karma torna-se um conceito global, usado por pessoas de todo o mundo para pensar sobre ética e bondade.

À medida que a ideia de karma viajou, ela mudou e cresceu dependendo de quem falava sobre ela. Por exemplo, no Budismo, o karma está intimamente ligado à ideia da mente.

Eles acreditam que nossos pensamentos são a forma mais poderosa de ação, porque cada ato físico começa como uma pequena faísca de pensamento.

Você sabia?
Uma vila tranquila com chuva

Em algumas partes do mundo, as pessoas acreditam que o karma pode afetar até o clima ou a saúde de uma cidade inteira! Elas pensam que se todos em uma cidade forem gentis e honestos, a chuva cairá no momento certo para as plantações crescerem.

Em outra tradição chamada Jainismo, os pensadores levavam o karma muito ao pé da letra. Eles imaginavam o karma como um tipo de poeira invisível que gruda na alma quando fazemos algo prejudicial.

Para eles, o objetivo da vida era manter a alma perfeitamente limpa e brilhante, sendo incrivelmente gentil com todas as criaturas vivas, até mesmo os pequenos insetos.

Mahavira

Todas as criaturas que respiram, existem, vivem e sentem não devem ser mortas, nem tratadas com violência.

Mahavira

Mahavira foi o grande mestre do Jainismo. Ele acreditava que, como o karma nos conecta a todos, ferir qualquer ser vivo é, na verdade, uma forma de ferir a nós mesmos.

Isso leva a uma ideia linda, mas desafiadora, chamada ahimsa, que significa não violência. Se tudo o que fazemos volta para nós, então a melhor maneira de viver é garantir que não causaremos nenhuma onda desnecessária de dor.

É um jeito de viver que exige que estejamos muito despertos e conscientes de como nos movemos pelo mundo.

Finn

Finn says:

"Se o karma é como a gravidade, talvez a gente não possa 'quebrar' as regras, mas apenas aprender como voar dentro delas. Será que estamos sempre praticando para a próxima vida?"

Você pode se perguntar: se o karma é real, por que coisas ruins acontecem com pessoas boas? Essa é uma das perguntas mais difíceis da filosofia, e não existe uma resposta simples com a qual todos concordem.

Alguns dizem que é por causa do karma de uma vida passada que não conseguimos lembrar, enquanto outros dizem que o karma é apenas uma peça de uma máquina muito maior e mais complexa que não entendemos totalmente.

Você sabia?

A palavra 'karma' tornou-se tão popular que agora é usada em músicas, filmes e até videogames. No entanto, na cultura pop, ela é frequentemente usada para significar 'vingança instantânea', o que é muito diferente do crescimento lento e profundo que os filósofos antigos descreviam.

Pensar sobre o karma pode nos dar um forte senso de responsabilidade, mas também pode ser muito motivador. Significa que não somos apenas vítimas da sorte ou do destino.

Em vez disso, somos os arquitetos do nosso próprio futuro, e cada momento oferece uma nova oportunidade de plantar uma semente melhor.

Algo para Pensar

Se você pudesse ver as ondas de suas ações como vibrações visíveis no ar, como isso mudaria o jeito que você caminha pela sua escola ou pela sua casa hoje?

Não existe resposta certa ou errada para isso. Apenas deixe sua imaginação flutuar e veja que tipo de padrões você consegue encontrar.

Perguntas sobre Religião

Karma é a mesma coisa que sorte?
Não exatamente. A sorte é muitas vezes vista como algo aleatório que simplesmente acontece com você. O karma é a ideia de que suas próprias escolhas e ações são o que levam às suas experiências, mesmo que demore muito tempo para esses resultados aparecerem.
O karma significa que estou sendo castigado?
Muitos filósofos diriam que não. Em vez de castigo, eles veem o karma como uma consequência natural. Se você toca em um fogão quente, sua mão se queima: isso não é um castigo, é apenas como o mundo funciona para te ensinar a se proteger.
Posso me livrar do karma 'ruim'?
Em muitas tradições, sim! Eles acreditam que ao praticar atos de grande bondade, exercitar a atenção plena e mudar sinceramente suas atitudes, você pode 'diluir' os efeitos de erros passados e começar a criar um futuro diferente.

Um Mundo de Conexões

O karma nos convida a nos vermos como parte de uma história muito maior. Ele sugere que nenhum ato é pequeno demais para importar e que cada palavra gentil que dizemos adiciona um pouco de luz ao mundo. Quer você acredite nele como uma lei cósmica ou apenas como uma boa maneira de viver, ele nos lembra que estamos sempre, a cada momento, tecendo o mundo juntos.