Imagine que você acorda amanhã e todos no seu país acreditam que você, pessoalmente, é responsável por fazer o sol nascer.

Por mais de 3.000 anos, os Faraós do Antigo Egito viveram essa realidade como humanos e deuses vivos. Eles não eram apenas políticos ou generais: eram o centro sagrado de toda uma Civilização.

Imagine um mundo onde o rio é o seu sustento e o deserto é uma muralha de fogo. Este era o cenário do Vale do Nilo. Aqui, o povo precisava de alguém para falar com os deuses em seu nome.

Eles escolheram um líder que era mais do que uma pessoa. Chamaram essa pessoa de Faraó, uma palavra que na verdade significava "Grande Casa". Era um trabalho que combinava ser presidente, sumo sacerdote e super-herói ao mesmo tempo.

Imagine isso
O contraste entre o vale verde do Nilo e o deserto vermelho.

Imagine estar na margem de um rio. À sua esquerda e à sua direita, a terra é verde brilhante e cheia de vida. Mas a poucos passos atrás de você, a grama para e começa a areia vermelha e quente do Saara. Essa linha nítida é onde o poder do Faraó vivia.

Para entender um Faraó, você precisa entender o Rio Nilo. Todos os anos, ele inundava os campos, deixando para trás um solo preto e rico. Se ele não inundasse, as pessoas passavam fome. Se inundasse demais, as casas eram levadas.

Os antigos egípcios acreditavam que o Faraó controlava esse equilíbrio. Eles eram a ponte entre o mundo humano, bagunçado e imprevisível, e o mundo dos deuses, perfeito e eterno.

Heródoto

O Egito é a dádiva do Nilo.

Heródoto

Heródoto foi um viajante grego que visitou o Egito há 2.500 anos. Ele percebeu que, sem a água do rio, os Faraós não teriam nada para governar senão areia.

As Duas Faces do Rei

Um Faraó vivia uma vida dupla. Por um lado, era um ser humano que tomava café da manhã, ficava cansado e tinha discussões familiares. Por outro lado, era a forma terrena do deus Hórus, o protetor egípcio com cabeça de falcão.

Isso significava que ele tinha que ter a aparência adequada. Eles usavam um Uraeus, que era uma cobra dourada na testa, para mostrar que podiam atacar os inimigos. Carregavam um cajado e um mangual, símbolos de que eram tanto um pastor gentil quanto um juiz severo.

Mira

Mira says:

"É como se o Faraó tivesse que usar uma fantasia para fazer seu trabalho. Eu me pergunto se eles alguma vez tiravam a cobra e se sentiam como uma pessoa normal por alguns minutos?"

Quando um Faraó morria, a história ficava ainda mais interessante. Eles não deixavam de ser reis. Acreditavam que se tornavam Osíris, o deus dos mortos, enquanto seu filho se tornava o novo Hórus na Terra.

Isso criou uma corrente dourada de poder que durou séculos. Isso fazia o povo se sentir seguro porque significava que o universo tinha um plano que nunca parava. Mesmo quando as coisas eram assustadoras, a "Grande Casa" ainda estava de pé.

Você sabia?
O toucado Nemes azul e dourado de um Faraó.

Os Faraós nunca deixavam seu cabelo ser visto! Eles sempre usavam uma coroa ou um toucado listrado chamado Nemes. Parecer 'comum' simplesmente não era permitido para um deus vivo.

A Lei de Ma'at

A palavra mais importante no vocabulário de um Faraó não era "ouro" nem "guerra". Era Ma'at. Esse conceito representava a verdade, o equilíbrio e a ordem natural do universo.

Pense em Ma'at como uma gigantesca balança cósmica. De um lado, o sol nascendo e o rio fluindo. Do outro, o caos, a escuridão e as tempestades. Toda a existência do Faraó era dedicada a manter essa balança nivelada.

Jan Assmann

Ma'at é um presente para o líder... é a fundação do mundo.

Jan Assmann

Assmann é um pensador famoso que estuda como as culturas antigas se lembravam de seu passado. Ele explica que, para o Faraó, 'Ma'at' não era apenas uma regra, era a gravidade que mantinha sua sociedade unida.

Se o Faraó fosse ganancioso ou preguiçoso, eles acreditavam que Ma'at se quebraria. Isso significaria que o sol poderia parar de brilhar ou que inimigos invadiriam. Ser um líder não era fazer o que quisesse: era seguir um conjunto de regras muito rigoroso para manter o mundo unido.

Isso é muita coisa para uma criança imaginar. Pense em quando você é encarregado de cuidar de um irmão mais novo ou de um animal de estimação. Você sente aquele pequeno peso de responsabilidade. Agora, multiplique isso por um país inteiro e pelas estrelas no céu.

Finn

Finn says:

"Se o Nilo não inundasse, o Faraó era culpado? Parece muito estressante ser responsabilizado pelo tempo!"

Os Mestres Construtores

Como o Faraó era eterno, ele queria que seus edifícios também fossem eternos. É por isso que eles construíram as Pirâmides. Elas não eram apenas triângulos grandes de pedra: eram "máquinas de ressurreição" projetadas para lançar a alma do Faraó para a vida após a morte.

Imagine milhares de pessoas trabalhando juntas por décadas para mover pedras pesadas como elefantes. Elas não faziam isso porque eram escravas: muitas o faziam porque acreditavam que, se o Faraó chegasse seguro aos deuses, o país inteiro seria abençoado.

Tente isso

O Faraó era o 'Senhor das Duas Terras' (Alto e Baixo Egito). Se você fosse o 'Senhor de Dois Quartos' em sua casa, como manteria a paz entre eles? Escreva uma regra que deixaria os dois quartos felizes.

Dentro desses túmulos, eles colocavam tudo o que uma pessoa poderia precisar. Eles empacotavam jogos de tabuleiro, bolos de mel, carruagens douradas e até estátuas minúsculas de servos chamadas Ushabti. Eles acreditavam que, na vida após a morte, essas estátuas ganhariam vida e fariam os afazeres do Faraó.

Isso nos mostra que até as pessoas mais poderosas da história tinham um pouco de medo de ficar entediadas ou com fome no escuro. Elas queriam que os confortos de casa as seguissem até as estrelas.

Quebrando as Regras

Nem todo Faraó seguiu o mesmo caminho. Alguns deles mudaram as regras da história para sempre. Hatshepsut, por exemplo, foi uma mulher que se declarou Rei. Ela usava a barba postiça tradicional dos Faraós para mostrar que tinha o poder de um homem.

Depois houve Akhenaton, que tentou demitir todos os deuses antigos. Ele disse ao povo que havia apenas um deus: o Aton, ou o disco solar. Ele foi um revolucionário que queria mudar a forma como todos pensavam sobre o espírito.

Dois lados
A Visão Reformista

Akhenaton foi um herói porque teve coragem de dizer ao povo a verdade: que há um poder por trás de tudo na natureza.

A Visão Tradicional

Akhenaton foi um vilão porque destruiu séculos de tradição e fez as pessoas abandonarem os deuses que suas famílias amavam por gerações.

O filho de Akhenaton foi o Faraó mais famoso de todos: Tutancâmon. Ele tinha apenas nove anos quando se tornou rei. Imagine estar na terceira série e ter que decidir como administrar um reino enquanto todos se curvavam diante de você.

Ele não viveu muito, mas sua tumba foi encontrada milhares de anos depois, cheia de ouro. Deu ao mundo um vislumbre da incrível beleza do mundo do Faraó. Lembrou-nos que, por trás das máscaras douradas, havia pessoas reais com pés pequenos e brinquedos favoritos.

Mira

Mira says:

"O Rei Tut era tão jovem. Aposto que ele tinha conselheiros sussurrando em seu ouvido o dia todo. Quem estava realmente no comando: o menino ou a coroa?"

O Mundo Interior de um Rei

Pensadores modernos costumam se perguntar o que acontece com a mente de uma pessoa ao ser chamada de deus. Se todos concordam que você é perfeito, você começa a acreditar nisso? Ou você se sente como um ator em um palco, esperando a cortina cair?

Um psicólogo famoso, Sigmund Freud, era fascinado pelos Faraós. Ele colecionava estátuas egípcias antigas e as mantinha em sua mesa. Ele pensava que, estudando esses governantes antigos, poderíamos aprender sobre o "rei interior" dentro de todos nós: a parte de nós que quer ser poderosa e viver para sempre.

Sigmund Freud

O ego não é mestre em sua própria casa.

Sigmund Freud

Freud era um médico que estudava a mente humana. Ele era obcecado por como Faraós como Akhenaton lutavam entre seus próprios desejos e os papéis imensos que tinham que desempenhar para seu povo.

Quando olhamos para uma estátua de um Faraó hoje, vemos um rosto calmo e imóvel. Mas, por dentro, deviam existir as mesmas dúvidas e sonhos que todos nós temos. Eles estavam tentando resolver o maior quebra-cabeça de todos: como ser uma pessoa quando o mundo espera que você seja um monumento.

O Longo Reinado dos Reis-Deuses

3100 a.C.
O Rei Narmer une as 'Duas Terras' do Egito, tornando-se o primeiro Faraó verdadeiro e vestindo a coroa combinada.
2500 a.C.
O Reino Antigo: Faraós como Khufu constroem as Grandes Pirâmides, mostrando seu poder sobre a vida e a morte.
1470 a.C.
Hatshepsut assume o poder como uma Rainha-Rei, liderando o Egito a um tempo de grande comércio e riqueza.
1332 a.C.
O 'Rei Menino' Tutancâmon restaura os deuses antigos após a revolução religiosa de seu pai.
30 a.C.
Cleópatra VII morre, e o Egito se torna uma província do Império Romano, encerrando a era dos Faraós.

O Fim dos Reis-Deuses

A linhagem dos Faraós finalmente terminou com Cleópatra. Ela era inteligente, falava muitas línguas e lutou muito para manter o Egito independente. Mas o mundo estava mudando, e o Império Romano estava entrando.

Quando a era dos Faraós terminou, o mundo perdeu um tipo específico de magia. Paramos de acreditar que uma pessoa poderia manter o equilíbrio do universo em suas mãos. Mas as perguntas que eles fizeram: sobre vida, morte e dever: ainda estão conosco hoje.

Você sabia?

O famoso Faraó Ramsés II teve mais de 100 filhos! Ele viveu até os 90 anos, o que era incrivelmente raro no mundo antigo. As pessoas começaram a pensar que ele era realmente imortal.

Toda vez que você vê um edifício alto ou um líder fazendo um discurso, você está vendo um pequeno eco dos Faraós. Eles nos ensinaram que os humanos têm um desejo profundo de construir coisas que durem mais do que uma vida.

Eles nos lembram que a história não é apenas uma lista de datas. É uma história sobre pessoas tentando entender o sol, o rio e umas às outras. Os Faraós podem ter ido embora, mas sua "Grande Casa" ainda está de pé em nossa imaginação.

Algo para Pensar

Se você tivesse que ser uma 'ponte' entre dois mundos diferentes, quais dois mundos você escolheria conectar?

Não há respostas certas ou erradas aqui. Pense em coisas como o mundo dos animais e dos humanos, ou o mundo dos sonhos e da realidade.

Perguntas sobre Religião

Os Faraós realmente pensavam que eram deuses?
É provável que muitos o fizessem, mas também sabiam que eram humanos. Eles se viam como um 'recipiente' para o espírito divino de Hórus, o que significa que tinham que se comportar perfeitamente para permitir que o deus trabalhasse através deles.
O Rei Tut foi o Faraó mais importante?
Em seu tempo, ele foi um rei menor que morreu jovem. Ele é famoso hoje principalmente porque sua tumba foi a única encontrada quase completamente intocada por ladrões.
Por que os Faraós se casavam com seus próprios parentes?
Eles acreditavam que sua linhagem era sagrada. Para manter o poder 'divino' dentro da família e evitar que outros reivindicassem o trono, eles frequentemente se casavam dentro da casa real.

A Coroa no Espelho

Os Faraós nos ensinaram que ser um líder é sobre mais do que apenas dar ordens: é sobre manter uma visão do mundo unida para todos os outros. Embora não tenhamos mais reis-deuses, ainda procuramos pessoas que possam nos ajudar a encontrar equilíbrio e significado. Na próxima vez que você sentir que tem uma grande responsabilidade, lembre-se dos Faraós e do peso do sol que eles carregavam todos os dias.