Imagine um mundo onde o rei e o servo se sentam no mesmo chão para comer da mesma panela.

Esta foi a visão radical do Sikhismo, uma fé que começou há 500 anos na vibrante terra cruzada por rios do Punjab. É um caminho construído sobre a igualdade, o serviço e a ideia de que o divino é uma vibração encontrada dentro de cada ser vivo.

Mais de cinco séculos atrás, em uma parte do mundo que hoje está dividida entre a Índia e o Paquistão, um homem chamado Nanak teve uma revelação. Ele viveu em uma época em que as pessoas eram estritamente divididas por seus trabalhos, sua riqueza e suas religiões. Alguns eram vistos como superiores, e outros como inferiores, mas Nanak via algo diferente. Ele via um mundo onde todos faziam parte da mesma luz.

Imagine isso
Uma cena pacífica de uma aldeia antiga no Punjab com pessoas ouvindo música.

Imagine uma estrada empoeirada em 1499. O ar cheira a especiarias e chuva. Um homem passa, não carregando uma espada ou um baú de ouro, mas um pequeno instrumento de cordas. Ele está cantando uma canção que diz que a pessoa que você pensa ser seu inimigo é, na verdade, seu irmão. As pessoas param seu trabalho só para ouvir a melodia.

Nanak se tornou o primeiro Guru, uma palavra que significa professor ou alguém que traz luz à escuridão. Ele não queria construir uma religião de rituais ou regras complicadas. Em vez disso, ele queria mostrar às pessoas como ser Sikhs, o que simplesmente significa aprendizes. Para Nanak, a vida era uma escola onde a lição mais importante era como amar e servir aos outros.

Guru Nanak

A verdade é a virtude mais elevada, mas mais elevada ainda é a vida verdadeira.

Guru Nanak

Nanak disse isso para lembrar seus seguidores que não basta apenas falar sobre o que é certo. O verdadeiro desafio é agir de acordo com essas verdades em sua vida diária.

O Professor que Viajou a Pé

O Guru Nanak não ficou em um só lugar para ensinar. Ele passou anos caminhando milhares de quilômetros por montanhas e desertos. Ele visitou grandes cidades e pequenas aldeias, muitas vezes vestido com uma mistura de roupas de diferentes tradições. Ele queria mostrar que pertencia a todos, não apenas a um grupo.

Por onde passava, ele usava a música para compartilhar suas ideias. Seu amigo Mardana, que era um músico talentoso, tocava um instrumento de cordas chamado rabab. Juntos, eles cantavam poemas sobre a única força universal que conecta as estrelas às folhas de grama. Essa força é chamada de Ik Onkar.

Mira

Mira says:

"Nanak caminhava por toda parte com um amigo músico. Eu me pergunto se a música ajudava as pessoas a ouvirem suas ideias com o coração, em vez de apenas com os ouvidos."

A mensagem de Nanak era simples, mas muito corajosa para a época. Ele dizia às pessoas que não precisavam ir ao topo de uma montanha para encontrar o que é sagrado. Já estava dentro delas, como o perfume está dentro de uma flor. Ele também lhes disse que ninguém era melhor do que ninguém por causa de seu nome de família ou de quanto dinheiro tinham.

A Cozinha da Igualdade

Uma das coisas mais famosas que o Guru Nanak iniciou foi algo chamado Langar. Naqueles dias, pessoas de diferentes grupos sociais, chamados de castas, nunca eram autorizadas a comer juntas. Nanak decidiu mudar isso abrindo uma cozinha comunitária onde todos eram bem-vindos.

Você sabia?
Um grupo de pessoas diversas sentadas no chão comendo juntas.

Em um Langar Sikh, a comida é sempre vegetariana. Isso não é apenas sobre ser gentil com os animais: é para que qualquer pessoa, independentemente de suas regras dietéticas, possa sentar e comer com segurança com todos os outros. É a festa de jantar mais inclusiva do mundo!

Em um Langar, todos se sentam no chão em fileiras retas. Não importa se você é um bilionário ou alguém que não tem casa. Você come a mesma refeição simples e vegetariana, servida por voluntários. Essa prática mostrou ao mundo que, aos olhos do Guru, a humanidade é uma única família.

Finn

Finn says:

"Então, se todos se sentam no chão, ninguém pode olhar para baixo de ninguém. É como se o chão fosse o nivelador supremo."

Hoje, o Templo Dourado em Amritsar, na Índia, serve refeições gratuitas a mais de 100.000 pessoas todos os dias. Este é o maior exemplo de Seva, que é a prática Sikh de serviço altruísta. Seva significa ajudar os outros sem esperar nada em troca, nem mesmo um agradecimento.

Tente isso

Na próxima vez que estiver em um parque ou escola, tente fazer um 'Seva Secreto'. Encontre uma pequena maneira de ajudar alguém: como pegar um pedaço de lixo ou segurar uma porta: sem que ninguém veja você fazer isso. Como é se sentir útil sem precisar de um 'bom trabalho' de mais ninguém?

Uma Corrida de Revezamento de Sabedoria

O Guru Nanak foi o primeiro de dez Gurus humanos. Você pode pensar nisso como uma longa corrida de revezamento. Cada Guru carregou a tocha dessas ideias por um tempo antes de passá-la para o próximo. Cada um deles acrescentou algo especial à comunidade Sikh, ajudando-a a crescer e a permanecer forte mesmo em tempos difíceis.

A Jornada dos Sikhs

1469
O nascimento de Guru Nanak, que começou a viajar e a ensinar a mensagem de uma luz universal.
1604
Guru Arjan, o quinto Guru, termina de construir o Templo Dourado e compila a primeira versão do livro sagrado.
1699
Guru Gobind Singh cria o Khalsa, uma comunidade de Sikhs comprometida com a coragem e a justiça.
1708
O Guru Granth Sahib é nomeado o Guru eterno, garantindo que os ensinamentos permaneçam o líder da fé para sempre.
Hoje
O Sikhismo é a quinta maior religião do mundo, com milhões de pessoas praticando Seva em quase todos os países.

Os Gurus ensinaram que ser espiritual não significa se esconder do mundo. Eles acreditavam em ser Santos Guerreiros. Isso significa ter um coração cheio de paz e bondade, mas também ter a coragem de um leão para se opor à injustiça e proteger os fracos.

Guru Gobind Singh

Reconheça toda a raça humana como uma só.

Guru Gobind Singh

Como o décimo Guru, ele queria apagar as linhas que as pessoas desenhavam entre si. Ele acreditava que, por baixo de nossas diferentes roupas e línguas, somos todos feitos da mesma matéria.

O Guru Vivo

Após o décimo Guru humano, Guru Gobind Singh, algo muito interessante aconteceu. Ele decidiu que a comunidade não precisava mais de um líder humano. Em vez disso, ele nomeou o Guru Granth Sahib como o Guru eterno. Este é um livro grande e bonito que contém os poemas e canções dos Gurus.

Mira

Mira says:

"Adoro a ideia de que um livro pode ser um líder. Significa que as ideias são o que mais importa, e elas nunca podem envelhecer ou desaparecer."

O Guru Granth Sahib é tratado com o mesmo respeito que um rei vivo. Ele é mantido em uma plataforma elevada sob um dossel de seda. Durante o dia, as pessoas o abanam com um espanador feito de pelos macios para mantê-lo fresco. Não é apenas um livro de história: é considerado uma voz viva que oferece orientação a quem escuta.

Dois lados
Alguns poderiam argumentar

Um líder deve ser uma pessoa que pode tomar decisões, mudar com os tempos e falar diretamente com as pessoas.

Os Sikhs acreditam

Um líder pode ser um conjunto de ideias e canções atemporais que nunca mudam, fornecendo uma âncora estável para gerações.

O que torna este livro verdadeiramente único é que ele inclui escritos de pessoas de muitas tradições diferentes. Os Gurus incluíram poemas de muçulmanos e hindus porque acreditavam que a verdade pode vir de muitas vozes diferentes. É uma biblioteca de sabedoria que pertence a toda a humanidade.

O Uniforme do Espírito

Muitos Sikhs escolhem usar certos itens que mostram seu compromisso com sua fé. Estes são conhecidos como os Cinco Ks. Cada um é um símbolo de um valor pelo qual eles querem viver. Por exemplo, muitos homens Sikhs e algumas mulheres usam um Turbante. Na história, os turbantes eram apenas para a realeza, mas os Gurus pediram que todos os Sikhs os usassem para mostrar que cada pessoa é um rei ou uma rainha de seu próprio espírito.

  • Kesh: Cabelo não cortado, que representa aceitar o corpo como ele é.
  • Kara: Uma pulseira de aço que não tem começo nem fim, simbolizando a eternidade do divino.
  • Kanga: Um pente de madeira usado para manter o cabelo limpo e arrumado, simbolizando uma vida organizada.
  • Kachera: Roupas íntimas especiais de algodão que representam prontidão e autocontrole.
  • Kirpan: Uma pequena espada cerimonial, que é um lembrete para sempre defender a justiça e proteger os inocentes.

O Guru Granth Sahib

A luz está dentro de todos, e é a mesma luz.

O Guru Granth Sahib

Este verso da escritura sagrada explica que o divino não é uma pessoa nas nuvens, mas uma faísca que existe dentro de cada pessoa que você encontra.

Meditação e Ação

Para um Sikh, a vida é um equilíbrio. É sobre Simran, que é lembrar a vibração universal através da meditação, e Kirat Karo, que significa ter um trabalho honesto. Um Sikh é encorajado a fazer parte do mundo: ter um emprego, uma família e hobbies: mantendo sua mente conectada ao quadro geral.

Você sabia?
Um homem velho e uma criança olhando as estrelas juntos.

A palavra 'Sikh' vem da palavra sânscrita 'shishya', que significa estudante ou discípulo. Um Sikh nunca para de aprender. Até o professor mais velho e sábio se considera um estudante do universo.

Esse equilíbrio cria um sentimento de Chardi Kala, ou otimismo eterno. Mesmo quando as coisas estão muito difíceis, um Sikh tenta permanecer positivo e prestativo. Eles acreditam que, como o divino está em tudo, sempre há um motivo para ter esperança. Eles são ensinados a ver o mundo não como um lugar de competição, mas como um lugar de cooperação.

Algo para Pensar

Se você tratasse cada pessoa que encontrasse hoje como se fosse um rei ou uma rainha, como seu dia mudaria?

Não há resposta certa aqui. Apenas pense em como suas ações e suas palavras poderiam mudar se você visse uma faísca do divino em todos ao seu redor.

Perguntas sobre Religião

Por que os Sikhs usam turbantes?
Os Sikhs usam turbantes para cobrir seus cabelos longos e não cortados e como um símbolo de igualdade e realeza. No passado, apenas reis poderosos usavam turbantes, então os Gurus pediram a todos os Sikhs que os usassem para mostrar que todos têm a mesma dignidade e honra.
Os Sikhs acreditam no mesmo Deus que outras religiões?
Os Sikhs acreditam em uma força universal chamada Ik Onkar que pertence a todos. Eles acreditam que, embora as pessoas tenham muitos nomes diferentes para o divino e muitas maneiras diferentes de orar, a luz por trás de tudo é a mesma.
O Sikhismo é um tipo de Hinduísmo ou Islamismo?
Não, o Sikhismo é sua própria religião única com seu próprio livro sagrado e história. Embora tenha começado em um lugar onde muitos hindus e muçulmanos viviam, o Guru Nanak ensinou um novo caminho que se concentrava na igualdade universal e na conexão direta com o divino.

A Canção que Nunca Termina

A história do Sikhismo não é apenas uma história do passado, é uma maneira viva de se mover pelo mundo. É um lembrete de que somos todos aprendizes, todos servos e todos guerreiros pelo que é certo. Se você está comendo em um Langar ou defendendo um amigo, o espírito do 'aprendiz' é algo que todos podemos carregar conosco.